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Uso de iPads na empresa é ótimo negócio

O CIO da Genentech, maior adepta da iPads no mundo, tem muito a dizer sobre substituição de laptops, loja de aplicativo corporativos, aplicativos para iOS, feedback do usuário e HTML 5.

Tom Kaneshige, CIO/EUA

Publicada em 15 de agosto de 2012 às 08h19

Paul Lanzi senta-se calmamente no canto de uma grande mesa em um restaurante chique em San Francisco, com outros supostos especialistas em tablet. Ouve um monte de colegas - blogueiros, comerciantes e filósofos - tagarelarem sobre iPads na empresa.

A discussão chega a um ponto prático. As empresas deveriam desembolsar dinheiro em iPads como um suplemento ao laptop, não um substituto do laptop? Alguns balançam a cabeça, dizendo que seria muito caro equipar um empregado com ambos, enquanto um dos blogueiros lança previsões ousadas sobre o futuro dos tablets.

Então Lanzi expõe  fatos do mundo real: "Quatrocentos dólares para tornar um trabalhador do conhecimento 10 por cento mais produtivo é um dinheiro muito bem gasto."

O discreto Lanzi não é apenas mais um olheiro do setor de tecnologia; ele é gerente da equipe de mobilidade empresarial na gigante em biotecnologia Genentech, A Genentech é uma grande empresa pioneira na adoção massiva da iPads. A empresa começou a comprar iPads para os empregados no outono de 2010 e realmente acelerou o ritmo nos últimos 12 meses.

Hoje, a Genentech tem 14274 iPads (e aproximadamente a mesma quantidade de iPhones). Quase todos os trabalhadores da força de trabalho global da empresa tem um iPad, o que significa que os iPads estão perto de um ponto de saturação.

Um pioneiro confiável na área de dispositivos móveis, Lanzi ajudou a pavimentar a estrada da Genentech para a adoção corporativa do iPad.

Por exemplo. Construiu uma loja de aplicativos corporativos em 2008, pois não existia oferta nesse campo na época. Ao longo do caminho, teve alguns poucos problemas com aplicativos que não repercutiram entre os usuários. Recentemente, ele começou a mudar de aplicativos iOS nativos para aplicações web em HTML 5.

Lanzi tem informações valiosas para compartilhar sobre o que ele aprendeu que poderia ajudar os CIOs a adoptar e implementar com sucesso o uso de iPads na empresa, se as pessoas apenas pararem e escutarem.

Ascensão da Loja de Aplicativos Corporativos

A adoção corporativa do iPad foi a um ritmo tórrido. A Apple diz que 94 por cento das empresas no Fortune 500 implantaram ou estão testando o iPad. A terceira geração do iPad lançado no início deste ano tornou-se um sucesso empresarial. O Consumer Intelligence Research Partners entrevistou mais de 1000 consumidores e descobriu que um em cada cinco planeja usar o novo iPad para negócios, em comparação com os 13 por cento em todos os modelos do iPad.

Primeiramente, a aventura da Genetech com o iPad seguiu uma trilha bem conhecida. Os tecnólogos e os altos executivos foram os primeiros adeptos, seguido por gestores, trabalhadores de escritório e vendedores. Então, o número de iPads na Genentech subitamente cresceu -10 mil  nos últimos 12 meses.

Nem todos os iPads complementam os laptops já existentes. Cerca de 3000 iPads substituem os laptops para alguns empregados, tais como a força de vendas, grupo de diagnósticos e técnicos da fábrica que não precisam de um laptop regularmente.

Opção pela Loja de Aplicativos Corporativos

Como o número de iPads cresceu, o mesmo ocorreu com os aplicativos na loja corporativa personalizada da Genentech. Hoje, a loja tem o grande número de 110 aplicativos, enquanto a maioria das lojas privadas de aplicativos corporativos tem apenas um punhado. Todos os dias, Lanzi implanta novos aplicativos e aposenta antigos. Muitos são aplicativos baseados em tempo ou orientados a eventos e, naturalmente, alcançam a utilidade a que são destinados.

A maioria dos CIOs passando pelas dificuldades iniciais da implantação do iPad não esperam ter muito mais do que algumas dúzias de aplicativos corporativos. Mas Lanzi os aconselha a se prepararem para um efeito de multiplicação. "Se você estiver configurando uma loja de aplicativos corporativos hoje, você tem que esperar que ela cresça a este nível ou superior", avisa.

A Genentech não poderia comprar uma loja de aplicativos corporativos pronta, porque não existia nenhuma na época e assim Lanzi teve que construir a sua própria. Ainda hoje, ele ainda optaria por desenvolver sua própria loja de aplicativos corporativos por causa das exigências específicas da Genentech relacionadas às expectativas globais dos usuários.

"Hoje estamos usando tecnologia de nuvem para os nossos arquivos de instalação de aplicativos do iPhone", explica Lanzi. "Isso é algo que tirando o comercial, opções prontas fazem de uma forma muito elegante."

No entanto, a Genentech pode ser mais exceção do que regra. Hoje em dia as opções prontas são bastante convincentes, diz Lanzi, e seria suficiente para a maioria das empresas.

Loja de Aplicativos da Apple define o padrão

Um dos grandes obstáculos na adoção corporativa do iPad vem da própria Apple. A loja de aplicativos para consumidores da companhia criou uma grande barreira para a usabilidade dos aplicativos. Simplificando, os funcionários que usam o iPad esperam que os aplicativos corporativos sejam intuitivos. Muito parecido com as aplicações para o consumidor, aplicações corporativas também competem por tempo no iPad e têm de oferecer funcionalidades que as pessoas realmente desejam.

"É um desafio muito valioso para as empresas oferecer um aplicativo móvel que tem a mesma usabilidade de um aplicativo para o consumidor", diz Lanzi. "Acabamos gastando tanto tempo com a experiência para o usuário, quanto na codificação e teste do aplicativo."

As empresas que aderem ao iPad, sem dúvida, terão alguns aplicativos que não darão certo. A Genentech teve um aplicativo para iOS chamado Coming Together que não chegou a fazer jus ao seu nome. Era um agregador de RSS interno que nunca conseguiu a adoção dos usuários e assim Lanzi aposentou o aplicativo.

A Genentech teve uma meia dúzia de aplicações que falharam; a regra de ouro de Lanzi é aposentar aplicativos que tiverem menos de algumas dúzias de usuários. Esse não é um registro ruim, considerando todos os aplicativos corporativos, expõe Lanzi.

Um de seus truques é recolher opiniões dos usuários assim como a Loja de aplicativos da Apple e usar esse conhecimento para melhorar o desenvolvimento dos aplicativos. Comentários são de extrema importância para o sucesso da Loja. Aficionados pela Apple sabem que eles podem de forma prática classificar um aplicativo e escrever um comentário. Da mesma forma, funcionários também querem opinar sobre aplicativos corporativos.

"Há uma expectativa do usuário de que a experiência com a App Store se repita com os aplicativos corporativos ", diz Lanzi.

A loja de aplicativos da Genetech tem um mecanismo de feedback com o usuário. O feedback é público, o que significa que os usuários podem ver os comentários de todos e suas classificações. Esse feedback nos aplicativos corporativos tem desempenhado um papel crítico em manter o número de falhas baixo, diz Lanzi.

Alguns adeptos do iPad usam uma rede social interna (pense: Facebook para empresas) para dar aos funcionários um fórum para discutir as aplicações corporativas para dispositivos móveis. Mas Lanzi descobriu que os usuários do iPad não querem gastar muito tempo com análises de aplicativos. Eles preferem classificar um aplicativo, ler alguns comentários, postar um comentário e, em seguida, sair da conversa, que, novamente, é o jeito que a App Store da Apple trabalha.

Fazer direito

Recolher o feedback do usuário requer algum planejamento. Lanzi se certifica que os funcionários recebam os iPads com os aplicativos já instalados e prontos para usar. As pessoas gostam de explorar os aplicativos em seu novo iPad e fazer análise deles. É um tipo de comportamento dos funcionários nunca visto na computação corporativa.

As empresas fariam bem em aproveitar este entusiasmo inicial. "Nós descobrimos que alguns dos comentários mais importantes sobre nossos aplicativos vem de pessoas que estiveram com o iPad por menos de 48 horas", diz Lanzi.

A validação vem de outras formas também.

A Genentech tem um aplicativo chamado Peeps, um diretório de funcionários. Seria um eufemismo dizer que o aplicativo está sendo usado. Mais de 400 mil visualizações de perfil ocorrem por mês no Peeps. Ao considerar que o aplicativo está disponível para apenas 44 mil dispositivos móveis (incluindo 30 mil dispositivos iOS), é uma quantidade incrível de envolvidos.

"Não é pra dizer que as pessoas não sejam capazes de contatar um colega se não tiver [o aplicativo móvel]", diz Lanzi. "Mas isso significa que eles estão achando muito útil e vendo como uma maneira de acelerar a cooperação."

As pesquisas com os funcionários da Genentech mostram que a satisfação do usuário com os aplicativos móveis paira acima dos 90%.

O HTML 5 substituirá os aplicativos nativos para iOS

Ultimamente, Lanzi tem feito uma grande mudança dos aplicativos nativos para iOS para aplicações web em HTML 5. É uma grande mudança dado todo o trabalho de desenvolvimento feito para iOS, mas os tempos estão mudando.

Para os iniciantes, uma tendência chamada bring-your-own-device, ou BYOD, está fazendo as suas rondas em empresas de todo o país. Políticas BYOD permitem que os funcionários usem dispositivos pessoais para o trabalho. Um estudo recente com mais de 335 profissionais de TI, patrocinado pela empresa fornecedora de software MokaFive, descobriu que 88 por cento das empresas tinham alguma forma de BYOD, seja aprovado ou não.

A Genentech não tem uma política BYOD - ainda. A empresa está considerarando ativamente o uso de BYOD no futuro. Se isso acontecer, então Lanzi terá que lidar com uma enxurrada de dispositivos além dos iPads e iPhones. Isto será uma realidade especialmente para os tablets com as novidades, como o recém-lançado Google Nexus 7, o Microsoft Surface que será lançado em breve, e o previsto iPad Mini. Aplicativos Web em HTML 5, é claro, podem ser acessados de qualquer dispositivo com um navegador web.

Outro ponto positivo é que o HTML 5 amadureceu muito bem, tendo surgido dos seus dias de "escreva uma vez, depure em todos os lugares". "Da perspectiva dos recursos, os aplicativos Web em HTML 5 estão ficando perto de se igualarem com aplicativos nativos para iOS", diz Lanzi. "Faz muito sentido então seguir por esse caminho."

Claramente, o HTML 5 está atraindo os CIOs em sua direção. Do outro lado, as coisas não vão bem para os aplicativos nativos. Aqui está outro comentário de Lanzi: "Vários aplicativos de nossa empresa estão quebrando no iOS 6."

Apesar de todos os sinais que apontam para o HTML 5, Lanzi não planeja mudar completamente para aplicações web. Se um empregado usando iPad está armazenando grandes quantidades de dados localmente e precisa de recursos off-line mais completos, diz ele, aplicativos Web, obviamente, não são a escolha certa. Você também vai abandonar algumas capacidades de gerenciamento de dispositivos móveis (MDM) quando mudar de aplicativos nativos para aplicações web.

"É uma faca de dois gumes", diz Lanzi. "Por um lado, você não precisa de tanto controle MDM porque um aplicativo Web pode ser controlado no servidor. Por outro lado, não temos o tipo de capacidade de limpeza remota para aplicativos Web que temos para aplicativos nativos."

E assim o panorama de iPads na empresa vai mudando. Em apenas dois anos, Lanzi teve de lidar com uma infinidade de questões do mundo real: lojas de aplicativos corporativos, a proliferação global do iPad, desenvolvimento de aplicativos para iOS, feedback do usuário, BYOD e HTML 5.

Enquanto a maioria das pessoas falam sobre iPads na empresa, Lanzi vive isso.


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