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Open source é chave para a inovação em cloud

Para executivo da Red Hat, custo não é o único fator que faz do modelo um dos preferidos da nuvem. Há também a possibilidade de criar uma comunidade em torno de um projeto.

Thor Olavsrud,CIO/EUA

Publicada em 03 de maio de 2012 às 09h00

Nos últimos 25 anos, desde que Richard Stallman escreveu a GNU General Public License (GNU GPL) e deu início ao projeto do sistema GNU combinado com o núcleo Linux, os conceitos de Free Software (software livre) e de (Open Source) código aberto tornaram-se difundidos em informática: Linux, Apache, MySQL e muitos outros sistemas podem ser encontrados em grande número em empresas em todo o mundo. O open source está cada vez mais também no fortalecimento da computação em nuvem.

"O open source é, sem dúvida, uma das bases para a construção e o desenvolvimento de tecnologias na cloud", avalia Byran Che, diretor sênior de gerenciamento de produtos da Red Hat e chefe de operações na nuvem. "Ao observar a penetração de servidores tradicionais no mercado, cerca de 70% rodam Windows e 30% Linux. Já quando olhamos para sistemas operacionais para construção de aplicações na nuvem, a relação é oposta”, diz.

A razão é simples, de acordo com Che. Com um novo começo, a companhia pode construir uma arquitetura totalmente nova e agora a tecnologia de código aberto está oferecendo o melhor valor. "Não se pode alcançar a escala ou o tamanho da Amazon e da Google pagando por uso de licenças”, observa.

O custo não é o único atrativo que faz do modelo open source um dos preferidos da nuvem. Che também aponta para a possibilidade de criar uma comunidade em torno de um projeto e, portanto, incentivar a inovação em uma velocidade mais rápida do que os fornecedores de software proprietário.

"É isso que torna o open source poderoso", diz o executivo. "A Amazon, Google, Facebook... todos que desenvolvem aplicativos na nuvem, com infraestrutura e serviços, o fazem com base em código aberto”, aponta. Segundo ele, companhias como essas usam software de código aberto para inovar no ritmo que precisam. “Essas empresas não podem esperar que os fornecedores superem seus próprios ciclos de desenvolvimento”, completa.

SaaS não pode ser livre por definição

Para Richard Stallman, que desenvolveu o GNU General Public License, software livre e de código aberto (FOSS), o software livre tem peso político. Ele argumenta que a computação em nuvem - mais especificamente o modelo software como serviço (SaaS) - não pode ser livre por definição.

"O SaaS e o software proprietário produzem resultados semelhantes, mas os mecanismos são diferentes", escreveu Stallman em um artigo publicado pela revista Boston Review em 2010. "Com o software proprietário, a causa é que você tem e utiliza uma cópia que é difícil ou ilegal de mudar. No entanto, com SaaS, a causa é o uso de uma cópia que não se tem."

"Muitos dos adeptos do software livre afirmam que o problema de SaaS será resolvido pelo desenvolvimento de software livre para servidores", acrescenta. "Para o bem das empresas é melhor que os programas no servidor estejam livres. Assim, é possível saber onde estão os dados e para onde eles vão”, observa.

O argumento de Stallman é baseado na diferença filosófica entre software livre e de código aberto. O software livre, diz Stallman, é uma metodologia de desenvolvimento com um enfoque prático para tornar o código fonte disponível. O movimento do software livre, no entanto, promove uma postura ética de como os usuários devem ser capazes de interagir com o seu software.

"SaaS e software proprietário geram resultados semelhantes, prejudiciais, mas os mecanismos causais são diferentes", Stallman escreveu em um artigo publicado pela Revista de Boston, em 2010. "O software proprietário é prejudicial porque obriga a usar uma cópia que é difícil ou impossível (por seu ilegal) de mudar. O SaaS é prejudicial porque obriga a usar uma cópia você não tem."

"Muitos defensores do software livre afirmam que o problema de SaaS será resolvido através do desenvolvimento de software livre para servidores", acrescenta. "Não é verdade", completa.

A opinião de Stallman tem suas raízes na divisão filosófica entre software livre e software open source. O movimento open source, diz ele, é uma metodologia de desenvolvimento com um enfoque prático para tornar o código fonte disponível. O movimento do software livre, por outro lado, promove uma postura ética de como os usuários devem ser capazes de interagir com seu software.

Para Stallman, o software livre deve fornecer aos usuários quatro liberdades essenciais:

  1. A liberdade de executar o programa como você quiser;
  2. A liberdade de estudar e alterar o código fonte para que ele faz o que quiser;
  3. A liberdade de redistribuir cópias exatas;
  4. A liberdade de redistribuir cópias de suas versões modificadas.

Embora a definição de código aberto e a definição de software livre sejam praticamente idênticas, eles parecem vir a rebentar pelas costuras quando se trata de nuvem.

"A liberação do código fonte do servidor beneficia a comunidade: os usuários mais experientes podem configurar servidores semelhantes adequadamente, talvez mudando o software", escreveu Stallman. "Mas nenhum desses servidores lhe daria o controle sobre o cálculo que você faz sobre ele, a menos que seja o seu servidor. O resto todo seria SaaS. SaaS sempre sujeita você ao poder do operador do servidor, e o único remédio é não usar SaaS!", prega ele.

Enquanto isso, o mundo open source trabalha febrilmente em toda a pilha de Infraestrutura como Serviço (IaaS), Plataforma como Serviço (PaaS), SaaS, Armazenamento de Dados como Serviço (DaaS) e na Gestão da Nuvem.

Propriedades da "Open Cloud"

Na opinião de Che, diretor sênior de gerenciamento de produtos da Red Hat, a nuvem aberta possuí sete características:

1. É open source

2. Baseia-se no desenvolvimento da colaboração

3. É baseada em padrões e formatos abertos, que não são influenciados pela tecnologia proprietária

4. Conta com a liberdade de utilizar seu próprio IP

5. Dá aos usuários a capacidade de escolher a infraestrutura que eles desejam

6. Tem uma API aberta na nuvem, sem qualquer restrição

7. Tem de ser móvel para outras nuvens e não pode de qualquer maneira manter os clientes em uma única fonte.

Um dos motivos pelos quais precisamos da nucem aberta, segundo ele é a possibilidade de ter interoperabilidade e portabilidade entre diferentes nuvens. "Eu deveria ser capaz de gerir uma nuvem híbrida, que se estende por todas essas diferentes tecnologias", diz Che.

Um grande passo nessa direção à interoperabilidade e à portabilidade é o Apache Deltacloud , um projeto iniciado pela Red Hat em 2009 que contribuiu, em seguida, para a Apache Software Foundation, onde ganhou o status de Projeto de Nível Superior Projeto (TLP) em 2010. Com o Deltacloud, a Apache Software Foundation está tentando dar uma resposta para um problema que capaz de se tornsr premente nos próximos anos: lock-in em nuvens.

E a Red Hat está longe de estar sozinha, contribuindo para a nuvem aberta. Desde 2009, vários organismos de normalização também se uniram para criar padrões abertos e interoperáveis.



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