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Cloud e virtualização: 25 startups para observar em 2011

Inovadoras, uma dessas iniciativas embrionárias pode ser próxima a entrar para o clube das gigantes de TI, como aconteceu há dez anos com a VMware.

Network World/EUA

Publicada em 22 de dezembro de 2010 às 08h07

A nova geração de fornecedores de TI acaba de chegar ao mercado. Ávidas por participarem dos, por enquanto, poucos dólares gerados pela recuperação da economia, companhias jovens, concentradas em prover o mercado com soluções de computação em nuvem e de virtualização, invadem o ambiente de TI internacional.

Uma dessas novatas pode vir a substituir a Microsoft ou a Google. Outra possibilidade é que essas companhias iniciantes consigam interferir na inércia imposta pelo status quo a organizações com produtos ou tecnologias essenciais, mas que deixaram de atender ao chamado do tempo. A essas companhias restam poucas alternativas,  como inovar seu leque de produtos ou adquirir as ameaçadoras startups. Fora desse menu, o caminho mais provável leva ao ostracismo e até à morte.

Identificamos 25 dessas que, aos nossos olhos, merecem atenção. Elas estrearam há pouco tempo, ou permanecem (publicamente) discretas em seus avanços. Por trás dessas empresas não é raro encontrar um pool de investidores provendo o fôlego necessário para que cheguem à maturidade.

As startups concentram suas atividades no desenvolvimento de ferramentas que auxiliem na transição do modelo de infraestrutura de TI tradicional para os de data centers virtualizados e redes de cloud computing. Para os analistas, softwares que deem conta da gestão, da segurança e que acelerem sistemas virtualizados e baseados em nuvem, são os que apresentam as maiores oportunidades. Mas existem iniciativas que propõem o desenvolvimento de novos hardwares, em rota de colisão contra empresas dominantes como as fabricantes de chips Intel e AMD.

“É possível comparar as tecnologias de cloud computing e de virtualização à mudança dos mainframes para os PCs, décadas atrás. Um tempo que testemunhou a ascensão de impérios, como os da Intel e da Microsoft, ao passo que abrigou o declínio de famosos fornecedores de mainframes como a IBM”, diz o analista do Yankee Group Zeus Kerravala.

Ajustar o ponto de maturação das tecnologias, principalmente as de hardware, e lançá-las no mercado para aproveitar a minúscula janela durante a qual as empresas hoje dominantes estarão despreparadas, sem ter como se igualar, é o mais complicado de todo o processo. Ocorre que, assim como aconteceu em outras ocasiões, os gigantes da indústria de bilhões e mais bilhões de dólares _ leia-se Microsoft, Oracle, IBM e HP _ costumam eliminar a concorrência ao copiar sua tecnologia ou engolindo-as.

“Empresas menores têm maior facilidade em inovar”, afirma o analista financeiro e colunista sênior do Dow Jones, Robert Armstrong. Por outro lado, as grandes empresas detém o conhecimento de mercado e de vendas, o que propicia aos conservadores clientes corporativos de TI o que necessitam. “Ter apenas o melhor produto”, diz Armstrong “não é mais suficiente para abalar a hegemonia atual”.

Na relação das 25 startups relevantes, composta pela Networkworld dos EUA, encontram-se iniciativas que buscam aperfeiçoas vários aspectos da cloud computing. Entre estes, a performance de aplicativos hospedados em nuvens e o armazenamento desses dados. Também se ocupam de incrementar a segurança de serviços como email e também dos sites, adicionando camadas adicionais de, por exemplo, criptografia.

Acelerar o tráfego de redes e descongestionar servidores que gerenciam processos de login, importantes operações que projetam uma sombra sobre as atividades de virtualização e outras iniciativas que reproduzem nuvens privadas semelhantes às da Amazon é outra vertente promissora. Juntam-se a essas tendências os serviços de recuperação de desastres para servidores de ambientes virtualizados, o desenvolvimento de softwares voltados à gestão otimizada de consumo de energia elétrica e, na mesma direção, processadores de baixo consumo e alta performance para munir servidores.

Uma das adolescentes empresas talentosas, a LightSquared, desenvolve sua rede 4G própria, com vistas ao segmento de smartphones, iniciando a oferta de um segmento de mercado que já começa a ser chamado de nuvem móvel.

Duas outras, a Smooth-Stone e a SeaMicro, objetivam entrar para mercado inflado por demanda de soluções de baixo consumo de energia com processadores para máquinas servidoras de aplicativos.

A proposta da SeaMicro é um servidor munido com 512 processadores Atom de baixo consumo conectados em uma trama que possibilita reduzir o número de componentes da placa-mãe em 90%, com custo inicial de 139 mil dólares.

Já em funcionamento, sem chamar demais a atenção, a Smooth-Stone foi merecedora de investimentos no valor de 48 milhões de dólares, desenvolvendo soluções alternativas aos processadores Intel e AMD.

“O conceito ainda precisa ser posto a prova”, diz Armstrong, ao se referir sobre a aplicação de microprocessadores de smartphone em servidores. “Mas, se obtiverem êxito na proposta, poderão atender a um mercado que urge por soluções iguais a essa.

Entre as startups que vale a pena observar estão, ainda, os provedores de serviços na nuvem voltados à gestão de contingentes de TI. A AppFisrt, por exemplo, fornece um SaaS (Software as a Service, ou software via assinatura) que oferece aos administradores de TI maior visibilidade, através da qual os gestores de TI têm informações sobre o servidor em questão, os processo e as atividades que podem causar a interrupções nos serviços e na performance. Segundo a AppFisrt, a solução tem “recursos para varrer um conjunto grande de servidores na busca por mal funcionamento, independente da linguagem de programação, do tipo de aplicativo ou de sua localização (local, na nuvem ou virtualizado)”.

“Os fornecedores tradicionais tem sido mais lentos que o esperado na hora de prover aos clientes soluções para essas questões”, diz Armstrong. “As limitações atuais nos data centers em responder rapidamente às requisições de processamento não estão nos computadores e sim, literalmente, no cabo de energia elétrica que leva até a central de força. Não conseguimos passar os elétrons que necessitamos por esse duto”.

Outra focada na questão de consumo de energia elétrica dos data centers é a startup JouleX. Junto ao co-fundador da ISS, Tom Noonan (na cadeira de CEO da empresa), a JouleX passou a atuar com mais agressividade depois da Interop Las Vegas, evento realizado esse ano, quando apresentou um software para gestão de energia elétrica que escrutina toda a rede elétrica e seus participantes na busca por oportunidades de poupar energia elétrica. O programa verifica todas as opções, de servidores a dispositivos de iluminação e de ar-condicionado.

Prático, o JouleX torna o monitoramento de energia elétrica algo fácil, por fazer com que cada dispositivo ligado à rede elétrica tenha um leitor ou algo semelhante.

Clientes como a Siemens, a Equifax e a BMW aderiram à JouleX. Motivos para tal há de sobra. Em 2006, a ISS foi vendida à IBM por Noonan e seus sócios, em uma negociação de 1,3 bilhão de dólares. O Atual CEO da JouleX acredita que a gestão de energia elétrica é o único segmento em que pode oferecer concorrer com o quesito segurança em importância e em escopo.

(continua na próxima página)

(Jon Brodkin)


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