O New York Times, por exemplo, recorreu a serviços web da Amazon (EC2 e S3) para gerar PDFs de 11 milhões de artigos arquivados do jornal em menos de 24 horas utilizando 100 instâncias do EC2, conta Derek Gottfrid, arquiteto de software sênior do Times, no seu blog.
Maior flexibilidade, menor custo
Para algumas empresas, cloud computing pode ajudar um CIO a atacar vários problemas de uma vez só, como aconteceu com Doug Menefee, CIO da Schumacher Group. Quando ingressou na companhia, há três anos, Menefee teve de enfrentar a falta de planejamento de desastre e encontrar novas maneiras de fazer TI acompanhar o rápido crescimento do negócio.
Com sede a duas horas a oeste de Nova Orleans e 56 quilômetros ao norte do Golfo do México, a Schumacher monta equipes de salas de emergência para 150 hospitais nos Estados Unidos. Uma olhada no mapa mostra como ela esteve perto de ser atingida pelos furacões Katrina e Rita. “Isso abriu nossos olhos”, recorda Menefee. “Não tínhamos capacidade de recuperação de desastre e continuidade do negócio. Se nossa sede fosse destruída, levaria junto todos os escritórios regionais.”
Ao mesmo tempo, o grupo de TI da Schumacher lutava para acompanhar as demandas de uma empresa cujo faturamento crescia 20% a 30% ao ano — ainda mais rápido levando em conta o número de contratos complexos que precisava gerenciar. “Podemos sair e ativar cinco ou seis hospitais amanhã. Precisamos de flexibilidade para mover dados rapidamente”, diz Menefee. Mas o processo de montar e provisionar novos escritórios regionais estava demorando meses.
Quando se estabeleceu no novo emprego, Menefee percebeu que rodar pelo menos alguns dos seus aplicativos fora do data center da Schumacher resolveria vários problemas. Menefee decidiu combinar um aplicativo personalizado criado pela fornecedora independente de software Apptus com um aplicativo CRM da Salesforce.com para lidar com milhares de contratos entre sua empresa, os hospitais e os médicos. Estas iniciativas, que envolveram praticamente metade da infra-estrutura de TI da Schumacher, evitaram os gastos de contratar mais três a cinco funcionários de TI em tempo integral, ao custo de US$ 40 mil a US$ 80 mil anuais, mais um grande gasto com hardware adicional.
A segurança, obviamente, impõe uma complexidade. “O serviço single sign-on e o gerenciamento de senha foram os pontos mais problemáticos”, conta o CIO.
Apesar de muito contente com sua experiência no cloud, Menefee diz que seu data center não irá embora tão cedo. A companhia utiliza arquivos de imagem muito grandes e gráficos escaneados no sistema, o que significa que a latência se torna um fator importante. Por enquanto, este tipo de trabalho continua interno. Também há um sistema de billing legado que não se enquadraria bem em um ambiente hospedado, acrescenta Menefee.
Será que a Schumacher está utilizando nuvem ou, na realidade, é SaaS? “Existe muita nebulosidade em torno deste termo [cloud computing]”, diz Menefee. “Para mim, a idéia de usarmos uma infra-estrutura que não é a nossa, que é gerenciada fora, faz disso cloud. Mas minha intenção não é fazer parte de uma tendência. Encontro um problema e procuro uma solução.”
Medo do controle
Segurança, latência, níveis de serviço e disponibilidade são problemas que, com razão, preocupam os executivos de TI quando a conversa gira em torno de cloud computing. Nos próximos anos, os fornecedores terão de trabalhar muito para resolvê-los de modo a satisfazer os usuários. Mas também existe um problema menos concreto, porém importante, no cenário de cloud computing: a cultura.
“Algumas pessoas ainda vêem isso como perda de controle”, diz Adam Selipsky, vice-presidente da Amazon para gerenciamento de produto e relações com o desenvolvedor. “Elas estão começando a encarar a idéia dos dados saírem de suas quatro paredes, mas ainda não a concretizaram.”
Na verdade, quando perguntado sobre que conselho daria a outros CIOs que estão cogitando cloud computing, Menefee, da Schumacher, diz: “O funcionário de TI tradicional resistirá. Procure recrutar quem tem experiência em desenvolver para a web”.
Dois alertas: embora não seja comum, alguns aplicativos pedem hardware específico. Se este for o caso, segundo James Staten, analista-chefe da Forrester, esqueça a idéia de rodar o aplicativo no cloud. E a performance do banco de dados no cloud pode ser problemática, diz John Engates, CTO da Rackspace, empresa de hospedagem de TI.
No lado positivo, os CIOs verão benefícios nos serviços de cloud, incluindo maior escalabilidade, implementação mais rápida e um data center mais simples. Não há pressa, mas, ao mesmo tempo em que mantém seus pés fincados no solo, não custa nada você dar uma olhada nas nuvens.