Entrevistamos programadores Cobol e empresas envolvidas neste campo e concluímos que o mercado, atualmente, suporta dois tipos de carreira:
- Um papel emergente em que o programador atua como uma ponte entre código Cobol e novas aplicações. Tal função requer pessoas que entendem Cobol, as regras e os processos de negócio nos quais antigos programas Cobol se baseiam e linguagens mais modernas como Java.
- Um caminho de programação mais tradicional, em que o funcionário mantém e corrige antigo código Cobol além de escrever código novo, ainda em Cobol.
O papel de ligação de Cobol pode ser um caminho profissional interessante, acredita Ramadoss. “Cobol não pára em Cobol. Você pode integrá-lo a qualquer tecnologia moderna.”
Com o aparecimento de arquiteturas orientadas a serviços (a sigla SOA em inglês), as organizações são capazes de reutilizar seu código Cobol com mais facilidade, ressalta Nate Murphy, presidente da Nate Murphy International, empresa de serviços profissionais TI.
Aos 66 anos, Murphy, que tem décadas de experiência em mainframe e Cobol, vê um ressurgimento do valor de Cobol graças ao aparecimento de SOA e do Language Environment da IBM, que provê um ambiente de runtime comum para combinar muitas linguagens diferentes, inclusive Cobol .
“Agora você pode estender e adicionar sub-rotinas para outros recursos baseados na Web de que precisa”, diz ele. “De repente, você tem um ativo valioso nestes antigos programas Cobol e pode estendê-los e expandir sua capacidade sem escrever código novo.”
O outro caminho profissional é a função de programação mais tradicional: manter e corrigir código antigo, bem como escrever novo código Cobol. Embora algumas empresas agora estejam transferindo este tipo de trabalho em Cobol para lugares como a Índia – em especial a manutenção de código antigo - muitas querem conservar um certo número de programadores nos Estados Unidos, principalmente se os cargos forem essenciais para manter sistemas críticos ao negócio em funcionamento.
Essa é a posição em que se encontra Stacy Watts, 28 anos, desenvolvedora sênior da Nationwide Insurance Ela escreve código Cobol há cerca de sete anos e em 2007 a empresa ofereceu-lhe a oportunidade de supervisionar remotamente uma equipe de programadores na Índia. Watts projeta o programa e depois encaminha o trabalho de codificação para os programadores sediados na Índia, além de executar uma parte ela mesma.
Watts não está preocupada que seu trabalho possa ser terceirizado. Mesmo com os programadores offshore, “não temos pessoal suficiente para realizar todo o trabalho”, constata. E mais, ela considera a oportunidade de chefiar a equipe da Índia como um passo em direção a um cargo de gestão.
Apesar de ter estudado várias linguagens de programação na faculdade, incluindo Visual Basic, C e Java, Watts se encaminhou naturalmente para Cobol. “Foi o mainframe que veio mais fácil até mim”, reconhece. “Ele fez mais sentido para mim.”
Os programadores de Cobol, freqüentemente, mencionam a segurança no emprego como um dos atrativos de sua opção de carreira. Brian Vance, 30 anos, programador de mainframe da Grange Insurance, começou na empresa há cinco anos mantendo e atualizando antigo código Cobol. Hoje, ele desenvolve novo código Cobol à medida que à medida que a seguradora se expande para vários estados do país.