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Tecnologia

Steve Wozniak: A era do computador não acabou

Peter Moon

Publicada em 18 de julho de 2007 às 11h59

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Estou errado quando penso que Steve Jobs voltou-se para o lado escuro da força, quando começou a exigir demais dos funcionários, usando para isso inclusive o artifício da humilhação?
Wozniak -
Com freqüência ele agiu com muita inteligência para fazer prevalecer a sua visão no meio de um monte de pessoas muito qualificadas que trabalhavam na empresa quando criamos a Apple. Fez isto porque muito poucos viam as coisas numa perspectiva tão ampla quanto ele. Percebe? Ele simplesmente tinha que perseguir e alcançar grandes feitos dentro de um cronograma muito apertado. Ele agiu do seu próprio jeito porque não estava trabalhando sozinho, como era o meu caso. Ele tinha que forçar as pessoas ao máximo. A visão que ficou foi que ele estava apenas competindo para ser o cara mais poderoso da paróquia ou que procurava ser a grande força oculta por trás de tudo o que se fazia. O que está feito está feito, e o mundo ficou melhor assim.

Você ainda acredita que a Apple estava certa em não licenciar o sistema operacional do Macintosh?
Wozniak - Isso é muito difícil de dizer, mesmo hoje. Pense no iPod e o que ele significa para a Apple em termos de dinheiro. Para fazer da Apple uma companhia tão importante no setor de computadores, nós tínhamos que fazer muitas escolhas. Se a Apple tivesse licenciado o seu sistema operacional, ainda assim nós teríamos nos tornado tão grandes e tão bons na criação de grandes produtos? Não se pode olhar para trás e decidir como teria sido o futuro da empresa. Teria dado certo? Não vale a pena perder tempo com isso. Com isto quero dizer que a Apple fundamentou algumas decisões importantes sobre boas razões. O nosso maior patrimônio advém da lealdade dos nossos consumidores, e muito dessa lealdade deriva de pessoas que acreditam no que é a Apple: uma empresa faz tudo, o sistema operacional, o hardware, os aplicativos, os serviços. É o sucesso e a grandeza dos produtos que estão em questão quando se tem o controle sobre todos os aspectos do computador.

Você era contrário a Guerra do Vietnã. Por causa disso, nos anos 70 votou em Jimmy Carter para presidente. A propósito disso, em 20 de maio passado, Carter disse sobre o governo Bush: “Considerando-se o impacto negativo da nação ao redor do mundo, esta administração é a pior da história”, ao que o porta-voz da Casa Branca rebateu, chamando Carter de “irrelevante”. Você concorda com Carter?
Wozniak - É claro que eu concordo com Carter. Aproveito para observar que não deveríamos dar ouvidos a pessoas que fazem um erro após outros após outro, e que mentem para tentar nos enganar. Deveríamos dar ouvidos àquele que tinha razão quando começaram a Guerra do Iraque. Naquela época, em 2003, Jimmy Carter escreveu um excelente artigo no The New York Times. Curto, tinha uma ou duas páginas e colocou de forma simples e direta quando se deve e quando não se deve ir à guerra. Ao lê-lo hoje, fica tudo muito claro. Deveríamos ter ouvido alguém como Carter, e não Bush. O ódio contra a América é dez vezes maior do que jamais foi. Isso é óbvio. Quando se usa a força para tomar um país, quando as pessoas vêem seus irmãos, irmãs, sobrinhas e sobrinhos sendo mortos, eles não esquecem, e nos tratam como inimigos. Também pudera? Para o povo do Iraque a América é assassina.
Posso te garantir, meu pai me ensinou muito sobre porque nós éramos tão grandes graças à nossa Constituição, e porque ela levou ao maior grau de liberdade no mundo, e porque os outros povos nos admiravam por isso. Nós não torturávamos prisioneiros, os outros faziam isso. Eu acreditava que pertencia a um grande país. Ele ainda é o meu país, mas uma após outra das grandes coisas que o fizeram grande foram simplesmente desmanteladas nos últimos seis anos sob George Bush. Como se podem pegar prisioneiros fora dos Estados Unidos e aplicar formas de justiça que jamais permitiríamos dentro do país? Não, tudo isso é terrível. É o resultado de um sistema político que não diferencia um partido do outro. Uma vez que eles assumem o poder, só querem fazer todo o possível para assegurar a própria riqueza, propondo projetos de lei para ganhar dinheiro. Não existe praticamente ninguém (no governo) que saiba sob um ponto de vista moral como é que o país deve ser governado.

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