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Tecnologia

Qual o melhor sistema operacional?

Meredith Levinson

Publicada em 02 de abril de 2007 às 20h05

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Linux: Admirável, mas ainda não é uma opção

Configuração: O laptop Lenovo X41 carregou dois sistemas operacionais Red Hat Linux — Fedora Core 5 e Red Hat Enterprise Linux (RHEL) versão WS 4 U3. Cada sistema rodou os seguintes aplicativos desktop open-source: Web browser Firefox, OpenOffice (versão 1.x no RHEL e 2.x no Fedora) e programa de e-mail Evolution com Ximian Connector para Microsoft Exchange, da Novell (o Connector é uma extensão para o Evolution que funciona como um cliente do Microsoft Exchange Server para desktops e workstations Linux e Unix).

Positivo: Ao contrário do que a Microsoft diz em sua campanha “Veja os Fatos”, o Linux pode ser um sistema operacional desktop estável e confiável. Mas as variedades do Linux desktop apresentam diferenças. Segundo Halamka, o RHEL presta-se bem para ambientes de computação corporativa porque as raras mudanças que a Red Hat faz no sistema operacional são bem testadas e documentadas. Assim, os departamentos corporativos de TI podem ter a confiança necessária para suportar e administrar o Linux no desktop e saber que ele não será causa de ligações furiosas para o help desk.

O Fedora, por outro lado, dá muito trabalho para manter porque é atualizado com muita freqüência (veja “Desaprovou” abaixo). Mas estes updates freqüentes proporcionam suporte ao hardware mais recente — cartões EVDO para acesso em banda larga wireless, por exemplo — e a aplicativos que evoluem rapidamente como o OpenOffice.

Quanto a aplicativos de produtividade de escritório open-source, Halamka se apaixonou pelo Firefox. O aplicativo não congelou nenhuma vez e se mostrou fácil de usar. O CIO gostou tanto do Firefox que o adotou como navegador default em seu MacBook e no novo laptop Windows que testou. O OpenOffice funcionou bem para processamento de texto, apresentações e planilhas. E Halamka não teve problemas graves ao trabalhar com documentos do Microsoft Office.

Negativo: O RHEL é mais fácil de gerenciar, mas não suporta as tecnologias e funcionalidades mais novas. Às vezes nem suporta tecnologias comprovadas como os drives USB. Segundo Halamka, o fato de o RHEL não incorporar os drivers que detectam redes automaticamente, nem suportar novo hardware, é um possível obstáculo à implementação no CareGroup.

Nem o RHEL nem o Fedora reconheceram um drive USB quando Halamka plugou-o em seu laptop. Toda vez que quis acrescentar um drive, precisou montá-lo manualmente escrevendo um comando. Os engenheiros de Halamka que trabalham com Linux e têm usado o Fedora por conta própria acabaram conseguindo fazer com que o sistema operacional reconhecesse USB drives, após a instalação dos updates necessários.

Quando Halamka não estava usando seu computador, o sistema operacional RHEL sugou energia da bateria ou da tomada elétrica porque o CIO não conseguiu botá-lo para dormir. O recurso Sleep do Fedora funcionou metade do tempo. Quando não funcionou direito, Halamka teve que reinicializar.

O grande problema do Fedora, de acordo com Halamka, é seu estado de “beta permanente”. Para desenvolvedores open-source, é um procedimento normal liberar atualizações e aprimoramentos para o Fedora constantemente e deixar que a comunidade usuária teste a interoperabilidade com outros aplicativos. Conseqüentemente, quando Halamka baixou estes updates para seu computador, outros aplicativos travaram. Para Halamka, descobrir quais aplicativos funcionariam ou não após o download de 200MB de updates a intervalos de poucos dias “foi comparável a girar uma roleta”.

No lado do software, a versão do aplicativo de e-mail open-source Evolution para o RHEL e o Fedora não funcionou bem como um cliente para o Microsoft Exchange Server. Em dois dias de tentativas, Halamka não conseguiu sincronizar seu cliente Evolution com o Exchange Server do CareGroup porque o Evolution era muito instável. Se o processo de sincronizar as mensagens na unidade de disco rígido de Halamka com o Exchange Server era interrompido por alguma razão (rede lenta, por exemplo), recomeçava do início. Além do mais, o Evolution travou com freqüência e exigiu saídas forçadas, que fizeram Halamka recorrer ao Outlook Web Access para sincronização com o Exchange.

Os problemas que Halamka enfrentou com o Linux no desktop obrigaram-no a arranjar uma hora extra em seu dia para troubleshooting. Os ajustes consumiram um tempo precioso. “Não quero passar o dia escrevendo linhas de comandos”, diz.

Truques: Halamka não conseguiu conectar à rede corporativa do CareGroup na primeira tentativa com o RHEL. O sistema operacional não foi capaz de reconhecer a conexão cabeada rapidamente ou não tinha os drivers para seu tipo de conectividade wireless. Um dos engenheiros de Linux ensinou Halamka a ativar manualmente as conexões wireless e cabeada. Isso pareceu resolver o problema da conexão cabeada, mas ele teve que ativar a conexão wireless toda vez que quis usá-la.

Conclusão: O sistema operacional Linux — ou pelo menos as versões RHEL ou Fedora dele —não está pronto para o horário nobre. “Nunca cheguei ao ponto em que, se tivesse que fazer uma palestra, bastaria levantar a tampa do laptop, ativar minha apresentação e saber que ela funcionaria”, ressalta Halamka.

Para que o Linux se torne prático e acessível no desktop, acrescenta o CIO, os fabricantes de hardware terão que configurar software Linux para máquinas específicas (como a Lenovo está fazendo com suas máquinas T60). Halamka diz que se uma destas empresas personalizasse a configuração do sistema operacional para um hardware específico, alguns problemas que ele teve   estariam resolvidos e o tempo que a equipe de TI gasta configurando hardware e software seria reduzido. Enquanto isso, ele não desiste de sua busca por um sistema operacional desktop Linux  confiável. Halamka planeja fazer um test drive de outros sistemas operacionais Linux, como o Debian, SUSE e Ubuntu.

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