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Opinião

Quando o CIO vira um executivo de negócio

Um gestor de TI pode liderar qualquer equipe. Mas antes de atingir esse patamar, deve estar certo de que é reconhecido como líder corporativo e não apenas como o dirigente de uma área de suporte à operação

Claudio Abreu, da Bayer

Publicada em 01 de fevereiro de 2010 às 15h42

Nos últimos seis anos a indústria farmacêutica Bayer investiu mais de 60 bilhões de dólares em fusões e aquisições. Eu, como CEO da unidade de negócios de tecnologia da companhia, me orgulho ao afirmar que a TI foi uma das grandes responsáveis pelo sucesso dessas iniciativas – graças à filosofia corporativa voltada à integração entre os departamentos.

O primeiro passo para mostrar às demais áreas da empresa que a TI não contempla apenas questões técnicas de sistemas foi incluir a área nas reuniões de negócio. Na medida em que fazíamos sugestões relacionadas à geração de resultados para a organização, os demais participantes dos encontros tomavam consciência de que conhecíamos os processos empresarias, bem como os mecanismos de geração de receitas para a companhia.

Assim, com base na minha própria experiência, garanto que é possível a um CIO participar de negociações sobre fusões e aquisições com o intuito de opinar não só nas questões de integração dos sistemas, como também naquelas ligadas à estratégia das empresas envolvidas.

Mais do que isso, um gestor de TI pode liderar qualquer equipe com perfil totalmente voltado ao negócio. Porém, antes de atingir esse patamar, deve estar certo de que é reconhecido como líder corporativo e não apenas como dirigente de uma área de suporte à operação.

Embora a reputação dos executivos de tecnologia como gestores estratégicos de extrema eficiência tenha aumentado nos últimos anos, poucas são as corporações que enxergam seus CIOs como homens de negócio e possíveis sucessores aos CEOs. Para mudar esse cenário, cabe aos executivos de TI estarem cada vez mais próximos dos demais departamentos e do mercado no qual a organização atua.

Eu, por exemplo, busco sempre realizar as atribuições tecnológicas a partir do conhecimento profundo do meu cliente naquele momento. Quando tive de preparar mudanças no sistema de gestão da companhia, por exemplo, fiz questão de passar cerca de um ano conhecendo e conversando com todas as áreas da Bayer.

A ideia era que eu tivesse a exata noção dos processos e produtos de cada departamento. O resultado foi que, ao final do projeto, eu tinha expandido demais os conhecimentos sobre a indústria farmacêutica e estava mais preparado para os próximos desafios profissionais.

Por isso, defendo que cada vez mais os CIOs busquem maneiras de estarem envolvidos diretamente com as áreas de negócio. Nós, profissionais de TI, temos de cultivar a busca contínua por capacitação, para assim ganharmos reputação de executivos com alta capacidade de liderança e realização.     

O brasileiro Claudio Abreu é CEO da Bayer Business and Technology Services
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