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Opinião

Líder deve ser responsabilizado por atraso em cronograma de projetos

Mesmo contra políticas de melhoria do clima organizacional, gestores devem sofrer as consequências de suas atitudes quando o assunto são os prazos para iniciativas estratégicas da companhia

Jim Vaughan, da Ectropics

Publicada em 13 de outubro de 2009 às 11h35

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As falhas cometidas pelas empresas ao não responsabilizar seus funcionários pelo sucesso ou fracasso de projetos aos quais lideram são notáveis e levam ao cotidiano corporativo um sentimento de conivência com os erros de avaliação e planejamento das iniciativas, de execução de tarefas, de análise de desempenho e, principalmente, de falta de comprometimento com o trabalho.

Hoje, quando um projeto não dá certo, todos se sensibilizam com seu gestor e tentam mostrar-lhe que a “culpa não foi sua”. No entanto, para que os líderes evoluam em suas carreiras precisam, sim, aprender a assumir a responsabilidade por suas atitudes – sejam elas positivas ou não. Isso faz parte do crescimento profissional e diferencia as verdadeiras lideranças das gestões irresponsáveis.

Muitas organizações toleram atrasos em projetos e então arcam com consequências como a perda do timming para ações que determinam a visão do mercado em relação à companhia. Na maioria das vezes milhões são investidos e, no prazo estipulado, as empresas não têm nada para mostrar aos stakeholders. Nas primeiras etapas das iniciativas são tolerados atrasos de um dia, depois de uma semana, e então o cronograma inicial da companhia está comprometido e, em nome do modelo moderno de gestão, não se responsabiliza ninguém por isso.

Há muitos anos eu trabalhei em uma grande fabricante de telefones celulares e carrego até hoje o senso de responsabilidade adquirido lá. Todas as ações planejadas eram acompanhadas pela diretoria corporativa e quando uma fase sofria atrasos – por quaisquer que fossem os motivos – seus gestores eram obrigados a prestar contas pelo acontecido.

Esse comportamento – hoje visto como demasiadamente hostil ao clima organizacional – criou uma geração de profissionais altamente responsáveis e que atualmente tornaram-se uma raridade no mercado. Porém, o que não se enxerga é que em situações instáveis como essas em que os gestores devem prestar contas à diretoria é que os grandes líderes se destacam e que as equipes se unem em busca de um objetivo comum.

Ao contrário do que muitas pensam, as dificuldades aproximam, sim, as pessoas. E a responsabilidade, além de melhorar os resultados corporativos, é capaz de criar times coesos e praticamente infalíveis.

Jim Vaughan é fundador da consultoria voltada à TI e negócios Ectropics
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