Publicidade

Opinião

Qual o papel do responsável pela inovação nas empresas?

Esses profissionais enfrentam uma difícil missão, na medida em que precisam do apoio dos demais líderes da organização para projetos considerados de risco

Michael Hugos, CIO da c4si

Publicada em 09 de setembro de 2009 às 08h00

Recentemente, uma headhunter (caçadora de talentos) me abordou com o intuito de sondar o meu interesse em ocupar a posição de responsável pela área de inovação de uma grande corporação, com mais de 100 anos de existência. Na posição, eu responderia por um departamento global, com uma equipe de 350 pessoas ao redor do mundo. Além disso, deveria atuar como um agente de mudanças e me reportar ao COO (principal executivo de operações) da companhia.

“Essa pessoa terá um trabalho bem próximo do CEO e, algum dia, pode até ocupar a vaga desse principal executivo da empresa”, informou a headhunter, que acrescentou também que o salário era negociável, mas fez questão de enfatizar cifras bastante altas.

Imediatamente, me surgiram algumas questões: O grande salário chamou minha atenção, mas o que isso implica na prática? Que tipo de oportunidade esse convite realmente representa? Eu senti meu coração bater mais rápido com a possibilidade de dar um salto na carreira e ganhar fama e fortuna. Fiquei tão ansioso com essa possibilidade que tive de me lembrar de ver se a proposta era realmente uma oportunidade, antes de aceitá-la por impulso.

A experiência me mostrou que a vida de um profissional que tem o perfil de agente de mudanças tende a ser curta – mas bem-sucedida. Então, usando meu conhecimento de história, eu fiz uma analogia com as guerras napoleônicas. O principal executivo da área de inovação tende a fazer o mesmo papel dos soldados que chegavam primeiro ao campo de batalha e tinham de fazer uma defesa mais pesada dos inimigos. O papel deles era fundamental para o sucesso de cada uma das partes, mas, por outro lado, esse batalhão era o que tinha menos chances de sobrevivência. Pior do que isso, no caso do oficial que comandava esse grupo sobreviver, quase nunca ele tinha a garantia de uma promoção.

Em outras palavras, eu deduzi que a pessoa nessa vaga que estava sendo proposta para mim poderia certamente receber um excelente salário por conta das chances dele continuar por um longo tempo na companhia não serem muito grandes.

As diferenças entre administrar e liderar a inovação

Com o intuito de tentar entender um pouco melhor a proposta do novo cargo, eu fiz algumas perguntas à headhunter. A primeira delas foi sobre as expectativas em relação à função que esse profissional deveria exercer. O objetivo era compreender se eles buscavam alguém para administrar processos inovadores ou um líder que estimulasse esse conceito na companhia. Parece uma questão óbvia, mas nem sempre ela fica clara.

Aqui vai outro fato histórico que ajuda a ilustrar melhor essa falha de entendimento. O projeto Manhattan, voltado a criar a primeira bomba atômica – durante a Segunda Guerra Mundial – foi, sem dúvida, uma iniciativa inovadora. À frente da iniciativa estavam duas pessoas. A primeiro delas, o general Groves (Leslie Richard Groves), um oficial do exército que administrava o projeto. Pelo fato de trabalhar nas forças armadas, ele entendia os protocolos e procedimentos, mas não conhecia nada sobre física nuclear e não tinha capacidade de comandar as centenas de cientistas e engenheiros envolvidos.

Michael Hugos, CIO da consultoria norte-americana especializada em inovação c4si (Center for Systems Innovation)
TI em Foco

Ferramentas Analíticas

As informações não param de chegar. Como tomar as melhores decisões?

Clique para assistir CIO IBM
Reportagens mais lidas