Em um recente evento para CIOs e CFOs, entendi o motivo de tantos executivos fugirem dos temas relacionados à TI Verde. As empresas têm sido bombardeadas pelos fabricantes por uma avalanche de soluções ecologicamente corretas mas que, na maior parte do tempo, prometem benefícios enganosos e totalmente sem sentido.
Esse cenário é uma boa parte dos problemas que as organizações enfrentam hoje em relação à TI Verde. Apesar de todas as inovações para tornar os data centers mais eficientes – do ponto de vista energético –, as boas ideias são apagadas pelo discurso das áreas de marketing e vendas dos fornecedores de TI.
Tenho esperanças, no entanto, que os executivos responsáveis pelos data center entendam que melhorar a PUE (Power Usage Efficiency ou, em português, a eficiência no uso energético) representa um caminho para acelerar o retorno sobre investimento nessas estruturas, reduzir custos e os estragos à natureza.
Para ajudar a entender o contexto, pense no que aconteceria se, de uma hora para outra, o combustível do seu veículo tivesse uma melhora de 35% em termos de eficiência (kilômetros por litro), graças a um upgrade. Para isso, basta fazer um upgrade, que exige investimentos que se pagam no primeiro ano, graças à redução do consumo. Essa fórmula atrairia uma grande parte dos consumidores, certo? Porém, por que existe tão pouco interesse em aplicar esse mesmo conceito aos data centers?
Acredito que essa dificuldade deve-se ao fato de que é muito difícil prever com certeza o quanto os investimentos em soluções verdes podem gerar de melhorias. Além disso, o mercado começa a se perguntar até que ponto a indústria não está tentando vender os mesmos velhos produtos, só que agora com uma abordagem ecológica.
Sem me aprofundar nas tecnologias utilizadas para redução de custos, seguem algumas dicas de que como os gestores de data center podem ir além dos discursos dos fornecedores na hora de avaliar se vale a pena investir em soluções verdes.
Antes de começar, vale só uma definição: no caso do data center, o PUE compara a energia necessária para operar os sistemas de TI e a infraestrutura de suporte – composta pela energia elétrica, umidificação e resfriamento do ambiente. Quanto mais baixo for esse índice, melhor, pois isso significa que a estrutura demanda menos watts para manter o funcionamento.
A seguir, acompanhe os cinco mitos a respeito da economia de energia em data center e entenda como tomar melhor as decisões sobre o tema:
Mito 1 - O PUE é uma constante (vale para os 365 dias do ano)
Não. Esse índice pode variar ao longo das horas do dia e até de acordo com as estações do ano. Por exemplo, se o sistema prevê um aproveitamento do ar do meio ambiente para ajudar na refrigeração do data center, as empresas só poderão utilizar esse benefício nos dias em que a temperatura estiver mais baixa.
Por isso é importante determinar uma média de economia que pode ser gerada por uma solução de TI Verde ao longo de um ano e não só naquele momento que seria o ideal. Assim, quando o fornecedor promete que a tecnologia irá reduzir os gastos com energia, procure descobrir se a porcentagem apresentada por ele não se refere apenas a um determinado cenário ou se ela diz respeito a uma média anual.
Mito 2 – Durante a construção e o desenho do data center, é possível otimizar o PUE
Nem sempre isso faz sentido, pois ao longo do ciclo de vida do data center os recursos vão mudar. Com isso, deve-se pensar que o desenho desse ambiente precisa ser flexível.
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