Publicidade

Opinião

Pós-crise: como preparar a empresa para crescer

Seguem as quatro perguntas que a alta administração das organizações precisa responder para sair na frente do mercado no momento de retomada do crescimento da economia

Paul Strebel

Publicada em 23 de junho de 2009 às 07h45

Este ano, um tema-chave no programa High Performance Boards (diretores de alta performance, em português) do IMD – centro de desenvolvimento de executivos, localizado na Suíça – é como os diretores poderão auxiliar o CEO a posicionar a empresa para crescer após a recessão. Para isso, a alta administração da companhia precisa ser estimulada a desenvolver respostas e planos de ação envolventes e baseados em quatro questões críticas:

1. A empresa tem a liquidez necessária?
Em meio à recessão, quando a confiança está em seu menor nível, a diretoria tem de garantir que a empresa vai apresentar uma liquidez suficiente para poder sobreviver ao pior dos ambientes.

Utilizando uma linguagem clara e objetiva, tem de trabalhar junto à auditoria para identificar e avaliar os principais riscos de liquidez que a empresa enfrenta. E a diretoria não pode delegar essa tarefa; ela tem de confiar a identificação de todas as obrigações financeiras existentes e que não haverá nenhum problema quando um credor, de repente, insistir em receber o pagamento.

2. É necessário fazer uma grande manobra para garantir recursos financeiros?
Se há um risco expressivo de a empresa não sobreviver ao pior cenário de crise ou de que a organização não terá recursos financeiros suficientes para beneficiar-se na fase de retomada econômica, então restará uma de duas grandes manobras a realizar:

Restaurar a rentabilidade
Se o fluxo de caixa está fraco, a diretoria tem de insistir, o quanto antes, numa reestruturação abrangente. É essencial focar novamente o modelo de negócios nas áreas em que há mais lucratividade. Esperar que uma melhora na situação vá reerguer as áreas fracas da empresa pode ser desastroso e também afundar a organização inteira. Esse novo foco permite visualizar o que a companhia tem de especial e por que ela deverá existir e prosperar após a recessão.  

Entrar em forma
Mesmo que uma reestruturação radical não seja necessária, uma queda no crescimento significa que os custos terão de ser cortados. A diretoria precisa garantir que a administração não institua um programa inadequado de melhorias ou corte de custos geral, sem planejamento. É preciso diminuir os custos fixos, aumentar a flexibilidade e a disposição para, rapidamente, recuar, caso a recessão se agrave, para então poder se reerguer quando a situação se amenizar. Assegurar que a cadeia de valor esteja corretamente alinhada ao mercado é essencial para agir rapidamente às oscilações de demanda.

3. Quais são as oportunidades para redefinir a concorrência?
Para aqueles que possuem recursos financeiros, oportunidades únicas surgem durante as recessões e podem redefinir o campo da concorrência:

Retomando o crescimento
Quando a economia começar a ser retomada, sua empresa não irá disparar ao imitar a concorrência, mas sim ao tentar realizar algo único. A diretoria tem de insistir nisso, mesmo que acarrete numa reformulação da proposta de valor e/ou na adição de novas linhas de negócios para servir mercados com potencial de crescimento. A aquisição, a preços baixíssimos, de acesso a mercados, talento, bens ou até empresas inteiras, poderá alterar completamente o equilíbrio do poder numa indústria. Porém, cuidado: se for uma aquisição, ela tem de ser integrada (o Bank of America redescobriu isso ao comprar a Merrill Lynch).

Em busca de um novo caminho
A recessão poderá alterar os princípios econômicos da indústria (vide o exemplo de investment banking) e tornar acessíveis novos tipos de negócios. Se isto ocorrer, o destaque será em criar um novo modelo de negócios, provocando uma verdadeira mudança no “que” (proposta de valor), no “quem” (clientes de grande valor) e no “como” (cadeia de valor de atividades). A chave estratégica não será o oportunismo, e sim a experiência do empreendedorismo. A diretoria terá de garantir que a administração avalie as existentes capacidades e não cometa um erro ao pensar que pode administrar qualquer negócio.

4. Nós temos o talento e os parceiros da cadeia de valor certos?

A diretoria terá de levantar e responder as seguintes questões: Nós temos o CEO certo para nos liderar na recessão e na retomada econômica? Qual é o talento administrativo crítico necessário a longo prazo? E como manter os gerentes na empresa e, ao mesmo tempo, atrair novos funcionários? Como poderemos manter a motivação da organização durante a recessão para que, quando a demanda voltar a subir, a energia dos funcionários esteja em alta? Como desenvolveremos as novas capacidades para apoiar as grandes manobras que iremos fazer? E como manteremos nossos parceiros menores, como fornecedores, distribuidores e clientes críticos, e prepará-los para a vida após a recessão?

Durante a recessão, o papel principal da diretoria está em posicionar a empresa para disparar no momento de retomada econômica.

Paul Strebel é professor da Sandoz Family Foundation no IMD e diretor do programa High Performance Boards
TI em Foco

Ferramentas Analíticas

As informações não param de chegar. Como tomar as melhores decisões?

Clique para assistir CIO IBM
Reportagens mais lidas