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Aberta a temporada de troca de executivos de TI

Mercado aquecido tem promovido uma verdadeira dança das cadeiras nas empresas de tecnologia da informação.

Déborah Oliveira

Publicada em 20 de julho de 2012 às 19h12

Nas últimas semanas, empresas de TI têm apostado na troca de seus comandos, promovendo uma verdadeira dança das cadeiras. Luís César Verdi, da SAP, há três anos na presidência da fabricante alemã de software no Brasil, deu lugar ao argentino Diego Dzodan. Verdi, no entanto, não deixou a empresa e passa a responder como vice-presidente Sênior de Vendas de Inovação para América Latina.

A Red Hat apresentou Paulo Bonucci como novo diretor-geral para o Brasil. O chinês Veni Shone assumiu a liderança da Huawei no País. Já Ideval Munhoz foi para a presidência da T-Systems em solo nacional.

As mudanças de executivos em posições de destaque nas empresas de TI têm uma razão, de acordo com consultores. A alta competitividade do setor e a velocidade de criação de soluções exigem renovações, impactando profissionais seniores, opina Guilherme Maciel, consultor sênior da Korn/Ferry, provedora global de soluções para a gestão de talentos.

“À medida que essas alterações no mercado acontecem, os executivos precisam garantir que as organizações estejam em sintonia com o cenário nas quais elas estão inseridas e as competências necessárias mudam”, explica. Segundo ele, as companhias buscam nesse profissional a capacidade de criar algo diferente, comunicar proficiência e tomar decisões complexas.

Para ele, temas como cloud computing e mobilidade têm acelerado as mudanças. “São demandas que aumentam cada vez mais e exigem um perfil diferente do executivo”, afirma.

Importação de talentos


Maciel observa a chegada ao alto comando em solo nacional de executivos que não sejam brasileiros como uma movimentação positiva. Acredita que ajuda a disseminar a cultura da corporação, dividir conhecimentos de produtos e serviços, estabelecer com mais facilidade comunicação direta com a matriz, diminuir riscos de investimentos e ainda garantir compliance.

É o que fizeram a SAP Brasil, com o argentino Diego Dzodan, a Huawei Brasil, que trouxe Shone para a liderança, o SAP Labs, que contratou o alemão Stefan Wagner, e a Microsoft, com a portuguesa Claudia Goya no posto de COO no País.

O sócio da Korn/Ferry avalia que a movimentação é parte da estratégia para promover a globalização, “mas não é só”. O mercado nacional está aquecido e a economia local destaca-se em relação aos Estados Unidos e Europa e isso tem sido atrativo para os profissionais, observa. “De fato, o Brasil tornou-se opção para executivos seniores”, completa.

Trazer talentos para o Brasil levanta dúvidas no mercado: e os planos de sucessão? Além disso, não temos profissionais no Brasil? “O mercado está tão aquecido que, muitas vezes, os sucessores acabam assumindo desafios em outras companhias e as competências exigidas hoje não necessariamente são aquelas que os executivos dentro das companhias possuem”, avalia.

Adriana Kersting, diretora de Recursos Humanos do SAP Labs Latin America, afirma que a escolha por um alemão para o comando do laboratório aconteceu porque a história do centro é recente e em pouco tempo não seria possível capacitar um profissional local para assumir a posição, altamente estratégica que interage com a matriz e ainda com o governo. “Noventa por cento das lideranças do Labs foram formadas internamente e 95% dos líderes têm sucessores identificados e em treinamento no programa Lead, que consome três anos”, afirma.

Downgrade na carreira?

Pat Gelsinger, presidente e COO de Information Infrastructure Products da EMC, foi anunciado como novo CEO da VMware. Já o então CEO da VMware, Paul Maritz, mudou-se para a empresa-mãe EMC, ocupando o cargo de estrategista-chefe.

Aparentemente, para Maritz, o novo posto seria um downgrade na carreira. O mesmo valeria para Verdi, certo? Para Maciel a resposta é não. “Não necessariamente representa um cargo menos importante ou estratégico”, diz. “Muitas vezes, o escopo de atuação é mais abrangente”, observa.

Na opinião de Maciel, o mercado nos próximos meses vai movimentar-se ainda mais. “Certamente veremos mais novidade, em virtude de o mercado de tecnologia continuar mais competitivo e o desenvolvimento de tecnologias acontecer de forma mais rápida”, finaliza.



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