O
ambiente de incertezas do mercado mundial e a exigência por um
crescimento sustentável têm pressionado as companhias do segmento de
bens de consumo
a entender melhor o cliente. Isso ocorre, principalmente, para as
empresas que produzem produtos de uso frequente como comidas, bebidas e
roupas; segmento conhecido em inglês como Consumer Packaged Goods (CPG).
A maior pressão para essas companhias é compreender e
reagir às rápidas mudanças dos consumidores, que estão cada vez
mais exigentes, e quais são os fatores que os fazem optar por
determinado item. Essa indústria tem encontrado na análise de dados uma
poderosa ferramenta para conhecer esse novo perfil de cliente, que pode
migrar para o concorrente com muita rapidez por já
não ser tão fiel à marca.
Dados
de uma pesquisa da Accenture mostram que no Brasil a migração para a
concorrência atingiu 84% dos clientes, de diversos segmentos da
indústria.
Em mercados considerados já maduros, como os Estados Unidos e Europa, o
índice foi de 55%.
Esse
cenário exige que as empresas se movimentem rapidamente, tomem decisões
com informações mais precisas, e mostrem ações concretas para aprimorar
o desempenho. Ou seja, o desafio para os fabricantes de bens de consumo é
ser, cada vez mais, relevante para o cliente.
Quando
as empresas usam as soluções de Analytics, elas podem tomar as decisões
com mais facilidade e segurança. O resultado de uma recente pesquisa
global da Accenture, sobre como os líderes do segmento de bens de
consumo que utilizam a tecnologia, mostrou que enquanto a maioria dos
entrevistados se considera líder no uso da análise de dados, apenas 12%
avaliaram a própria capacidade em usar essa ferramenta
como “excepcional”. A grande questão é descobrir porque a lacuna entre a
intenção e a execução ainda é tão grande e, assim, encontrar meios para
preencher esse espaço.
A
falta de patrocínio interno e de governança nas empresas de bens de
consumo são, em grande parte, responsáveis por não existirem ainda
benefícios
evidentes para os investimentos em análise de
dados. Mas os executivos estão motivados e têm apostado no uso de Analytics para a indústria. Por outro lado, é clara também a necessidade
de aperfeiçoar a execução para conseguir um
maior impacto.
Isso leva a três desafios para essa indústria:
1. Desenvolver uma visão analítica integrada –
as fabricantes de bens de consumo precisam
desenvolver uma visão comercial integrada e processos alinhados em torno
dos compradores, para tomarem decisões consistentes, que visam a
maximização de resultados. A utilização de uma análise multifuncional
ajuda a organização a encontrar o equilíbrio entre objetivos e prioridades,
visando medir o impacto nos negócios da companhia.
2. Priorizar Analytics para criar valor – para suportar o crescimento sadio da sua participação no mercado, com foco em processos de alto valor
comercial, especialmente aqueles relacionados a detectar e atender a demanda;
3. Operacionalizar Analytics em toda a empresa – com isso, a companhia passa a incorporar Analytics
em toda a operação e melhora a oportunidade e acessibilidade de insights
para os tomadores de decisão. A análise de dados sozinha não gera valor, é preciso uma estrutura de governança,
processos, métricas e suporte de tecnologia para facilitar a
sua utilização mais ampla e, assim, acelerar e transformar o movimento de análise em insights,
visando resultados.
Apesar
das empresas já investirem em Analytics, há ainda um longo caminho para
preencher a lacuna entre o que os executivos do setor
de consumo pretendem com a análise de dados e o que realmente têm conseguido realizar. No entanto, eles entendem a importância dessa ferramenta para conquistar
o crescimento em um futuro próximo.
(*) Daniel Lázaro
é líder de tecnologia para a prática de Analytics e Gestão da Informação da Accenture na América Latina. O artigo foi baseado no estudo da Accenture “Moving from Insights to Action”