
A consumerização vem com dois fortes apelos. Um é o aumento da satisfação dos colaboradores por se sentirem mais confortáveis e produtivos, usando no ambiente de trabalho seus próprios dispositivos configurados de acordo com suas preferências e o outro é a economia para as companhias em compra de equipamentos.
Mas a sua prática vai exigir mais trabalho da TI e também de outros departamentos da organização em relação aos aspectos de segurança, governança e legais. Essa mudança gera um pouco de apreensão nos CIOs, que embora estejam conscientes de que terão de abraçar a consumerização, não sabem ainda ao certo como oficializar o Bring Your Own Device (BYOD) em larga escala.
Como adotar a consumerização sem riscos para os negócios foi o tema mais debatido durante o IT Leaders Conference 2012, realizado pela Computerworld entre 23 e 27 de junho, em Porto Seguro (BA), com a participação de mais de cem CIOs, que representam as principais companhias do Brasil.
“A consumerização reflete muito na infraestrutura de TI. Não podemos permitir conexão total à nossa rede, com todos os dispositivos. Pode sobrecarregá-la e impactar na segurança. O acesso exige uma governança muito madura”, avalia André Assis Brasil, CIO da Meritor.
Fernando Birman, CIO da Rhodia, acrescenta que desempenho, segurança, privacidade e confidencialidade são assuntos sérios e que não dá para assumir risco, pois não existe meio termo no mundo corporativo. Apesar disso, ele tem plena certeza de que as companhias não têm como escapar desse movimento.
“É uma tendência que vem de fora para dentro e não temos a opção de abraçar ou não. É uma realidade. Temos de trabalhar com ela e procurar alternativas para permitir o BYOD com segurança”, afirma o executivo da Rhodia, que admite que esse fenômeno veio para colocar a TI em cheque. “Toda a classe de CIO está acoada com a consumerização. Estamos passamos vergonha”, declara Birman, que espera que a indústria reaja para entregar ao mundo corporativo tecnologias preparadas para o novo cenário (Veja a movimentação da indústria na página 14).
Rogério Ribeiro, CIO da Merck Sharpe Dhome, acha que a consumerização traz algumas complicações em relação à segurança e vai obrigar as companhias se adequarem. Entretanto, avalia ganhos, já que as corporações estão em desvantagem na aquisição de novas tecnologias. “A empresa precisa de mais tempo para planejamento e uso do budget, enquanto o funcionário decide e compra rapidamente. O futuro é esse mesmo”.
Apoio de outras áreas
Não é só a segurança que preocupa os CIOs. Eles estão sendo questionados pelas áreas de RH que têm receio de que os funcionários não consigam gerenciar os horários de trabalho, já que o dispositivo estará em suas mãos a hora que quiserem, seja em casa ou no escritório. Eles podem futuramente entrar na Justiça, cobrando hora extra.
As empresas terão de assumir a
responsabilidade da gestão dos dispositivos permitidos pela consumerização,
esclarece Célia Sarauza, analista da IDC Brasil. Ela avalia que um pouco da
angústia dos CIOs brasileiros é porque esse tema não estava na agenda para este
ano, lembrando que as novas iniciativas requerem planejamento. Sua recomendação
é que sejam estabelecidas regras, não apenas pela TI. O ideal, segundo ela, é
que as companhias criem um grupo multidisciplinar para tratar dessa questão de
forma corporativa, envolvendo outras áreas como RH, jurídico
e negócios.
“A consumerização mudou o jeito de a TI tratar as tecnologias”, complementa Patrícia Peck, advogada especializada em Direito Digital. Para minimizar os riscos legais com o BYOD, ela recomenda que seja criada uma norma específica, estabelecendo regras para o uso dos dispositivos. Como esse tema é novo, ela observa que políticas de segurança da informação não trata o assunto.
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Como estar preparado para essa mudança?