
De 1989 a 1994 o País adotou quatro moedas diferentes até chegar ao Real. Mais do que isso, durante o período, as empresas com operação local tiveram de se adaptar a diversos períodos de turbulências econômicas.
Se no passado esse cenário criava problemas para quem gerenciava uma empresa ou um departamento, por outro lado, contribuiu para construir uma 'cultura de instabilidade' nas organizações e nos executivos, que foi fundamental para superar a recente crise financeira internacional, de acordo com a sócia-diretora da consultoria Deloitte, Marcia Ogawa Matsubayashi.
No caso da TI, esse comportamento adaptado à instabilidade levou os CIOs a implementarem sistemas flexíveis e sofisticados. “O líder de tecnologia foi responsável por melhorar as dinâmicas de gerenciamento de áreas como finanças, contabilidade, cadeia de suprimentos, entre outras”, afirma a especialista, que complementa: “Ademais, esses executivos influenciaram positivamente a cultura corporativa no que diz respeito à adoção de práticas para gerir os riscos operacionais das empresas."
Na mesma linha, a vice-presidente do programa executivo da consultoria Gartner para América Latina, Ione Coco, aponta que a crise serviu para reforçar os diferenciais dos CIOs locais. “As empresas globais estão de olho na habilidade que os brasileiros têm para lidar com problemas”, afirma Ione. Opinião compartilhada pelo sócio responsável pela prática de TI na consultoria da PriceWaterhouseCoopers no Brasil e na América do Sul, Ricardo Neves.
Para Neves, a postura profissional dos gestores de tecnologia e a preocupação em contribuir com os resultados do negócio elevaram a credibilidade desses profissionais a um patamar internacional, até então restrito a uma elite de executivos majoritariamente norte-americanos ou europeus. "E ao demonstrar que conseguiram gerenciar um ambiente complexo como o brasileiro, os CIOs mostram-se aptos a assumir qualquer desafio global”, acrescenta Marcia.
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