Mesmo com toda a expectativa em relação ao fim da crise econômica, as instituições financeiras ainda têm um longo caminho a percorrer para garantir um crescimento sustentável e com riscos operacionais controlados. A constatação faz parte de um recente estudo realizado pela consultoria Gartner.
Após ouvir 92 executivos de TI de empresas que atuam no segmento financeiro em todo o mundo, a consultoria mapeou seis grandes barreiras que esses profissionais devem enfrentar nos próximos 24 meses e que, se não tratadas com a devida atenção, podem comprometer a sobrevivência das organizações.
1. Resistência a mudanças
Assim como acontece em outros setores, as empresas do segmento financeiro precisam adequar seus processos de negócio e os modelos de relacionamento com os clientes a novos tempos. No entanto, segundo o Gartner, isso vai exigir uma intervenção direta dos altos executivos, os quais vão ter de atuar como porta-vozes das mudanças para os restante da companhia.
No caso específico da TI, a consultoria prevê a emergência na criação de sistemas que garantam esse alinhamento dos funcionários aos processos, o que vai demandar a implementação de soluções para gestão dos processos de negócio (BPM, da sigla em inglês, Business Process Management).
2. Foco na redução de custos
Grande parte das instituições financeiras molda suas estratégias pela economia de despesas, em vez de considerar a geração de receitas que tais iniciativas podem impulsionar. Prova disso é que, entre os executivos consultados pelo Gartner, 50% deles afirmaram que suas estratégias de TI, até meados de 2010, devem ser orientadas a otimizar gastos.
Nesse sentido, Redshaw afirma que a TI precisa mudar a dinâmica corporativa de criar produtos e serviços baseados no custo e nos riscos de produção e voltar o olhar o lucros que siso podem gerar. “Resumindo, as instituições financeiras devem balizar suas operações na capacidade de ganho que podem trazer e não na redução de riscos no caso de a iniciativa não dar certo”, diz o especialista.
3. Visão limitada
As instituições financeiras têm o costume de avaliar ações com base em suas consequências de curto prazo. Um exemplo típico dessa situação é quando a organização direciona projetos para o alcance de bons resultados bimestrais, em detrimento de dividir as atenções e orçamentos às estratégias de cada departamento.
No caso da TI, segundo o Gartner, quando um banco ignora seus planos de atuação em longo prazo, está perdendo a chance de analisar e melhorar questões como a gestão de fornecedores, logística de distribuição, novos meios de contato com os clientes, entre outros.
4. Falta de atenção ao cliente
As instituições financeiras tiveram sua credibilidade muito prejudicada durante a crise econômica mundial. Milhares de pessoas ainda culpam os bancos pela perda de dinheiro e de empregos e os enxergam como inimigos. E, essas empresas, por outro lado, continuam muito centradas na melhoria de suas operações, em vez de buscar formas de melhorar o relacionamento com os clientes.
Segundo o Gartner, as organizações bancárias raramente investem em iniciativas para explicar aos clientes sobre o uso e aplicação consciente do dinheiro – as ações nesse sentido são sempre superficiais e voltadas à imagem da companhia.
5. Políticas falhas para controle de riscos
De acordo com a consultoria, a gestão de riscos e as políticas de contingência começam a ganhar espaço nas discussões de diretoria das grandes instituições financeiras. No entanto, até agora os projetos nesse sentido não saíram do papel.
Para Redshaw, o CIO não pode esperar por instruções do board da companhia e deve iniciar, mesmo que de forma independente, o desenvolvimento de projetos que garantam a continuidade das operações em caso de desastres.
6. Pouca estrutura para inovar
São poucas as instituições financeiras consideradas inovadoras. Na maioria dos casos, essas empresas buscam lançar novos produtos e atualizar processos, mas, globalmente, apenas 40% delas possuem iniciativas estruturadas de estímulo à inovação. Assim, segundo Redshaw, o papel do líder de TI é esclarecer ao board sobre os benefícios de se criar uma cultura voltada à criação.
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