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Gestão

Outsourcing: como evitar imprevistos com os contratos

Nem sempre a terceirização da TI representa o caminho mais fácil para reduzir custos, ao contrário, a gestão inadequada dos fornecedores pode implicar em perdas financeiras

Redação CIO Brasil

Publicada em 03 de novembro de 2009 às 08h00

Mesmo com as perspectivas de uma retomada da economia, os CIOs continuam pressionados a buscar formas de reduzir custos e melhorar resultados. E, assim como no período crítico da crise, precisam analisar toda e qualquer oportunidade de fazer mais com menos.

Como reflexo direto desse cenário, atraídos pela promessa de reduzir em até 20% os gastos com TI, muitos gestores apostam na terceirização da infraestrutura e das aplicações. De acordo com a consultoria Gartner, neste ano, o mercado brasileiro de outsourcing tende a crescer entre 10% a 12%.

E se a terceirização parece o meio mais fácil de reduzir custos da área de tecnologia da informação, nem sempre essa iniciativa tem os resultados esperados. O diretor da consultoria norte-americana Alsbridge – especializada na análise de contratos de outsourcing –, Shaw Fields, afirma que em muitos casos, a má gestão dos contratos pode trazer prejuízos em vez de economia às organizações.

Um estudo realizado pela consultoria em tecnologia Cognizant, em parceria com a escola de negócios inglesa Warwick Business School, aponta que cerca de 60% dos gestores de TI desconhecem os reais benefícios que podem ser alcançados com o outsourcing.

“É fácil para um fornecedor prometer que diminuirá as despesas em um determinado intervalo de tempo, mas quando o cliente pergunta como isso será feito é que começa o problema”, diz Fields. Ainda de acordo com o especialista, a única forma de não ter surpresas durante um contrato de terceirização é contar com um planejamento detalhado, no qual constem objetivos, escopo do projeto, investimentos, benefícios, impacto e prazos esperados.

Retorno sobre investimento

Um equívoco comum para quem opta por terceirizar a infraestrutura de TI está na dificuldade em medir o retorno sobre investimento nesse tipo de iniciativa. De acordo com o estudo da Warwick, 43% dos CIOs e CFOs (responsável pela área financeira) já tentaram calcular os benefícios financeiros dos contratos de outsourcing, mas um quinto deles admite que não está confiante com o cálculo realizado.

Pior do que isso, o mesmo levantamento mostra que 37% dos executivos nunca tentaram calcular os benefícios financeiros de qualquer iniciativa de terceirização e, portanto, podem estar perdendo dinheiro, sem saber.

Para a consultora especializada em TI e mobilidade, Jennifer Darr, uma forma simples e eficiente de avaliar os resultados obtidos com os fornecedores de serviços terceirizados é analisar como o outsourcing contribui para a redução do tempo de realização das tarefas e qual foi o aumento da produtividade das equipes.

Questão cultural

Os especialistas consideram também que um erro comum cometido pelas organizações e que compromete os resultados dos contratos de terceirização está no fato de os CIOs ficarem preocupados apenas com os SLAs (acordos de nível de serviço) e esquecerem de avaliar como o prestador de serviços atua. Nessa análise deve-se levar em conta até mesmo questões subjetivas, como a cultura organizacional do fornecedor.

“As prioridades [do cliente e do fornecedor] precisam ser as mesmas”, pontua Jaci Correa Leite, professor titular da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas). “Quando acontecer um imprevisto, o fornecedor terá de tomar uma decisão. Se as prioridades forem diferentes é bem provável que ele faça algo diferente do que você espera”, acrescenta.

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