O famoso super-herói Homem-Aranha já sabia: “Grande poder demanda grande responsabilidade”. Na vida real, a rede varejista Wal-Mart sempre gozou dos benefícios gerados pelo poder que uma empresa de vendas mundiais avaliadas em 401 bilhões de dólares anualmente pode ter. Não raro, a companhia exigiu que seus fornecedores adotassem tecnologias inovadoras e mudassem seus modelos de negócio para melhor atendê-la.
Entretanto, no segundo semestre do ano passado, a organização deu os primeiros indícios de que iria começar a lidar com a responsabilidade social de seu ecossistema. No encontro anual com seus mais de mil fornecedores globais, o CEO do Wal-Mart, Lee Scott, anunciou a nova estratégia de sustentabilidade da companhia e as medidas que seus parceiros deverão adotar. “Uma empresa que não controla a idade de seus funcionários, que joga lixo químico em rios, que não paga impostos corretamente e não honra seus contratos, certamente comete erros que influenciam a qualidade de seus produtos", disse o executivo, que enfatizou: "Não vamos mais tolerar essas falhas.”
Com essas palavras, a gigante do varejo divulgou a política ambiental que deve ser seguida por cerca de 60 mil fornecedores no mundo todo. A questão ainda sem resposta é saber como a organização conduzirá seus muitos parceiros para que tal processo de mudança dê certo.
O objetivo do Wal-Mart é criar uma rede global de dados, pelas quais os consumidores possam consultar as características ambientais e sociais dos fornecedores. O plano para alcançar essa meta - divulgado apenas na semana passada – vai ser dividido em três fases.
Na primeira delas, que deve ser finalizada até o início do próximo mês de outubro, os fornecedores da rede varejista serão convocados a responder a uma pesquisa para descrever suas práticas em relação às áreas de energia e clima, eficiência material, recursos naturais e pessoas e comunidade.
A segunda parte do projeto, o Wal-Mart reunirá representantes de universidades, governo, fornecedores e outros varejistas para integrar os dados capturados e desenvolver um ranking mundial de sustentabilidade.
Finalmente, na terceira e última fase do plano, a companhia traduzirá tal listagem para uma linguagem comum, através da qual os consumidores poderão acessar as informações relativas a cada fornecedor. Para tanto, o Wal-Mart deverá buscar alianças com empresas de tecnologia dispostas a criar plataformas de código aberto que suportem as aplicações necessárias ao sucesso da iniciativa. Segundo um comunicado da rede varejista, “esta lista permitirá que os clientes consultem dados sobre os produtos que consomem de maneira mais transparente”.
A iniciativa da companhia é vista de diferentes maneiras por especialistas em sustentabilidade e negócios. A professora da escola de administração de empresas e economia da Universidade de Harvard Rosabeth Moss Kanter afirmou em seu blog que essa iniciativa do Wal-Mart é o maior exemplo conhecido de como uma única organização pode acelerar ações públicas e mobilizar toda a sociedade.
Já o analista ambiental Joel Makower classificou a ação como mais uma forma de domínio da rede varejista afirmando que “certamente há razões que nos fogem aos olhos para que o Wal-Mart mostre tanta preocupação com o meio ambiente e a coletividade”.
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