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Gestão

Segurança: o mundo virtual gera ameaças reais

As novas tecnologias exigem que o CIO lide com temas como o uso indevido da imagem corporativa e o vazamento de informações estratégicas

Redação CIO*

Publicada em 09 de abril de 2009 às 10h41

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Muitas empresas têm sentido saudades daqueles singulares tempos em que as cartas e os telefones fixos eram os meios mais eficientes para a comunicação das pessoas, seja no ambiente corporativo ou residencial. Com a popularização de novas tecnologias, em especial na web, criaram-se múltiplas ferramentas para troca de informações. O que diminui a distância entre os indivíduos, mas, por outro lado, gera um novo desafio para as empresas: reduzir os riscos de exposição indevida da imagem das organizações e o vazamento de informações confidenciais.

Assim, o que antes era um problema da área de Recursos Humanos transformou-se em preocupação para o CIO e o CSO. Isso porque, cresce o número de casos em que os funcionários inadvertidamente – ou não – divulgam dados das empresas em redes sociais ou por meio de mensagens curtas de texto por celular, as quais fogem do controle da equipe de TI. E, o pior, quando algum desses casos chega à justiça, a área de Tecnologia da Informação precisa ter mecanismos para recolher essas provas digitais, as quais, na maior parte das vezes, estão fora das organizações.

No último ano, um escândalo envolvendo esse assunto ganhou as páginas dos jornais de todo o mundo. Isso porque, mensagens de texto sobre demissões de funcionários e sexo extraconjugal derrubaram o prefeito da cidade de Detroit (nos Estados Unidos), Kwame Kilpatrick, e sua chefe de gabinete, Christine Beatty.

A história começou quando três policiais processaram a cidade e o prefeito por demissão injusta, alegando que, na função de investigadores sofreram retaliação por terem revelado uma possível má conduta na administração de Kilpatrick. Durante o processo, Beatty deu um testemunho à justiça de que um dos policiais, o subchefe de polícia Gary Brown, não havia sido demitido. Contudo, as mensagens de texto obtidas com uma operadora de pagers demonstraram o contrário.

“Sinto muito que estejamos passando por esse problema por causa da nossa decisão de demitir Gary Brown”, dizia a mensagem enviada do pager de Beatty para Kilpatrick. Para piorar, esse levantamento de provas digitais confirmou um caso amoroso entre o prefeito e a chefe de gabinete.

Os policiais ganharam a causa e US$ 8 milhões. Enquanto o prefeito, depois de renunciar ao cargo, foi condenado a uma pena de quatro meses de prisão.

Longe da esfera pública, casos como esse, no qual os juízes utilizam provas digitais – como e-mail, SMS (mensagem curta de texto) ou informações divulgadas em sites de relacionamento – para emitir o parecer sobre um determinado processo, multiplicam-se, inclusive, no Brasil. E de acordo com a advogada especialista em crimes digitais Patricia Peck Pinheiro, uma das formas para as organizações não serem surpreendidas por esse problema é utilizar os recursos de TI com o respaldo jurídico.

*Reportagem de Tatiana Americano, Patricia Lisboa e Kim S. Nach

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