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Gestão

Lições que CIOs brasileiros aprenderam na crise – Parte 2

Os principais executivos de TI da Abyara, Faber-Castell, Serasa e Zilor contam quais as estratégias para driblar o cenário de instabilidade financeira e, ainda, transformá-la em oportunidade

Tatiana Americano, da CIO

Publicada em 16 de janeiro de 2009 às 15h13

Quando o tema é crise, depois de tanto ler notícias em jornais, revistas e na internet, os executivos já viraram verdadeiros experts no assunto. Contudo, nada melhor do que a prática para mostrar quais as teorias que valem, ou não, aplicar no ambiente de negócio.

Leia também: Lições que CIOs aprenderam na Crise – Parte 1

Diante disso, a CIO perguntou a diversos executivos brasileiros responsáveis pela área de TI de grandes empresas quais as principais lições que eles aprenderam em momentos de crise. Nessa segunda parte da reportagem, quatro profissionais enviaram suas respostas sobre o tema:

 Adriano Aquino, diretor de TI da Abyara:

Nos momentos de crise como a que vivemos hoje, aprendi que a maior lição e tarefa das equipes e liderança de TI é focar na gestão e governança de custos, renegociações de contratos, tarifas, SLAs e suspender alguns projetos que não são de classe “A” em termos de prioridade.

É também a hora de manter a equipe unida, motivada e focada em questões e projetos ligados à redução de custos, aumento de receita e melhoria na gestão financeira da empresa. É a hora de apoiar as áreas com poder de decisão, focando no resultado e na sobrevivência da empresa e de seus negócios. Aprendi que realmente neste momento, muitas vezes, surgem as oportunidades.

Tenho atuado por exemplo, nos últimos tempos, como CIO on demand para empresas menores (PME), que precisam  - e muito – de TI, gestão, governança e inovação, mas que com crise ou sem crise não podem ter altos custos de projetos e que muitas vezes desconhecem totalmente modelos de negócios como OPEX, em vez de CAPEX, Saas (software como serviço), gestão de custos de Telecom (TEM), success fee,  ROI, etc. E é claro que para estas empresas, um momento como este torna as coisas ainda mas difíceis...

Enfim, acredito que o sucesso nestes momentos de crise é focarmos no negócio, segurarmos novos investimentos e cairmos de cabeça na redução de custos, perdas de performance, manutenção da motivação e união das equipes e muito, mas muito trabalho mesmo. É fazer mais com menos o tempo todo!

Dorival Dourado Jr., diretor de TI do Serasa:

“Com mais de 20 anos de experiência no mercado já vi muitas crises. Aqui no Brasil, porém, ninguém sabe a verdadeira extensão dessa crise. O que vemos, de verdade, são alguns setores passando por dificuldades, por conta dos problemas internacionais. A minha impressão é que nem tudo o que se lê nos jornais está acontecendo, na prática.

O primeiro ponto é que não se pode sair tomando medidas desesperadas por conta do pânico geral, como fazer demissões. As estratégias precisam ser desenhadas com bastante critério, mas sem deixar que a equipe de TI perca sua produtividade e competitividade.

Também é importante fazer um controle orçamentário. Isso inclui, inclusive, analisar os impactos negativos que a parada de alguns projetos de TI podem provocar. Pois não se pode depreciar os ativos de tecnologia, bem como as equipes precisam estar preparadas para ter uma reação rápida quando a economia voltar à estabilidade.   

Por outro lado, a TI é uma área das empresas que trabalha por oportunidade. E, em momentos de crise, as organizações precisam se calcar na área de Tecnologia da Informação para dar respostas rápidas aos desafios de negócio. Em especial, porque nesses períodos as companhias precisam racionalizar sua estrutura e seus custos, além de serem obrigadas a investir mais em sistemas de informação para entender os cenários.”

Wellington José Brigante, CIO da Zilor:

“Os momentos de crise, geralmente marcados por situações críticas em cenários de conjuntura econômica complexos e delicados, são os que demandam as decisões mais difíceis, e muitas vezes arrojadas, por parte dos executivos. Essas decisões exigem um senso de liderança consolidado e determinam o fracasso, ou sucesso, de executivos e empresas.

São nos momentos de crise, que decisões difíceis e arrojadas, tomadas pelos líderes de uma empresa, são capazes de transformar os problemas em verdadeiras oportunidades de crescimento e no estabelecimento de diferenciais competitivos de negócio.

Em nossas carreiras, passamos por diversos momentos de crise e dentre os vários, gostaria de destacar algumas lições aprendidas:

  • Não só nos momentos de crise, mas em geral, é fundamental estarmos alinhados e termos uma leitura precisa da visão e objetivos estratégicos da empresa;
  • É fundamental termos confiança nas diretrizes e decisões estratégicas da empresa e transmitir também muita confiança para seus liderados para não haver rupturas ou perdas de energias, pois todas as ações precisam estar focadas e alinhadas com objetivos comuns;
  • A auto-confiança, expandida para o time, ponderada por uma visão abrangente da situação e uma análise precisa dos riscos envolvidos, são determinantes para decisões arrojadas. Por mais “excêntrica” que uma decisão possa parecer, se bem mapeada e embasada, terá grande chance de ser arrojada e inovadora, agregando valor para a empresa;
  • Visões de curto, médio e longo prazo são fundamentais para a tomada de decisões ágeis e práticas, pois em muitas situações, o “ótimo é o inimigo do bom”;
  • Inove, compartilhe idéias, não economize em comunicação e alinhamento, distribua responsabilidades, assuma riscos calculados e responsabilidades, e decida, ..., não se acanhe e nem tenha medo, pois exercendo bem seu papel de líder, e estimulando e fortalecendo o senso de liderança também nas pessoas do seu time, as decisões sairão naturalmente e todos ganham, pessoas e empresa, pois ao final, são as pessoas que fazem a diferença."

José Rodrigues, gerente Tecnologia da Informação da Faber-Castell

Passando por crises , temos como algumas lições em TI :

  • Revisar freqüentemente a estrutura de TI,  efetuando devida racionalização  da tecnologia aos custos ; e até usando a "técnica do minimalismo" ou seja , fazer mais com "muito" menos !
  • Receber e dar feed-back junto a de TI , deixando claro as metas e direção , e não só em tempos de crise;
  • Discutir claramente com a Direção da empresa  em que TI pode dar suporte para adequação ou reestruturação dos processos ou da própria cia.
  • Estimular o  trabalho e resultados em equipe , definindo prioridades de ações e o senso de Urgência.
  • Enfatizar a importância do crescimento das pessoas da equipe profissionalmente,  através de constante oferta de treinamento ,desde o puramente técnico ao extremamente intelectual e humano , preparando o time para os vários ciclos e crises que enfrentamos e certamente enfrentaremos!”

 

 

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