Os CIOs que subestimam a desaceleração da economia e superestimam seu próprio valor se arriscam a perder o emprego em 2009. E esse número pode ser surpreendentemente grande. Isso porque os executivos que estão na cadeira do principal executivo de TI há mais tempo sentem-se muito confiantes em suas habilidades e seu domínio, de acordo com um estudo anual – batizado de State of the CIO. Contudo, essa postura pode indicar perigos, em especial, se os profissionais não estiverem atentos ao modo como seus superiores imediatos classificam seu trabalho.
A primeira impressão é de que a cadeira do CIO descortina uma visão muito agradável. A maioria se reporta ao CEO e faz parte de comitês de gestão executiva, revela o estudo. A estabilidade é grande, assim como a remuneração. Quase dois terços dos executivos consultados também comandam alguma função externa a TI, como operações ou serviço ao cliente.
A tecnologia, dizem os executivos, torna-se cada vez mais vital para os produtos, modelos de negócio e vendas da companhia — e, por que não, até mesmo para o modo como a organização se posiciona frente à concorrência. Além disso, segundo 70% dos 506 CIOs entrevistados, a empresa considera TI um parceiro essencial para a estratégia corporativa.
As coisas estão indo bem para o CIO, certo? Talvez não. Em 2008, comparamos a visão dos CIOs com a dos CEOs e outros executivos entrevistados pela Forrester Research, que pediu a 600 principais profissionais de negócios das companhias para avaliar o desempenho de TI em áreas de negócio fundamentais. Preparem-se!
Os líderes de negócio concordam, enfaticamente, que a tecnologia é importante para os produtos e a posição competitiva da companhia, mas ressaltam que as áreas TI não está saindo tão bem quanto os CIOs imaginam. Por exemplo, 46% dos executivos de negócio entrevistados pela Forrester classificaram a equipe de Tecnologia da Informação como razoável ou fraca para “melhorar a qualidade de produtos ou processos”.
Em contrapartida, na pesquisa da CIO, 64% dos executivos de TI entrevistados revelam que os diretores seniores transmitem suas expectativas para a área de Tecnologia da Informação com clareza. Contudo, muitos profissionais (CIOs) assumem que dedicam pouco tempo para atender o principal elemento que mantém a companhia viva: o cliente. Perguntados em quais atividades TI teve maior impacto no ano, apenas 15% mencionaram “gerenciar relações com os clientes” e 11%, “conquistar e reter clientes”. E somente 17% esperavam realizar um excelente trabalho em cada uma dessas áreas neste ano.
Conquistar e reter clientes é um indutor de negócio importante para as decisões de TI, segundo 53% dos CEOs ouvidos pela Forrester. Mas quão bem a equipe liderada pelo CIO suportou essa empreitada? Para 49% dos executivos de negócio, o desempenho foi razoável ou fraco. Outros 5% dos entrevistados foram mais radicais ao dizer que a área de TI não teve qualquer papel para conquistar ou reter os clientes.
Na melhor das hipóteses, essas disparidades confirmam um desalinhamento de TI com as metas de negócio. Mas não estamos lidando com o melhor cenário. A cada falência, operação federal de salvamento ou queda do Dow Jones causada pela crise internacional, a calamidade financeira reescreve a agenda do CIO. O “colapso global” dos mercados imobiliário e financeiro já extraiu US$ 25 trilhões da economia mundial, metade só nos Estados Unidos, contabilizou o American Enterprise Institute, centro de estudos econômicos sem fins lucrativos. Quando a carnificina terminar, talvez em fins de 2009, as perdas terão atingido a casa dos US$ 40 trilhões, estima o AEI.
Por mais que esse cenário não atinja sua empresa, o CIO deve ficar preparado para enfrentar a ameaça, a qual não vai chegar por um memorando do chefe. Os executivos precisam empregar habilidades que vão além do básico para se alinhar ao negócio e proporcionar retorno financeiro.
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