A experiência pode ser um importante aliado para minimizar a ansiedade gerada pelas expectativas de uma crise financeira internacional. Assim, quem já atua há algum tempo no mercado e enfrentou outros períodos de turbulência econômica tende a sair na frente, ao usar o conhecimento adquirido no passado para evitar possíveis problemas gerados nesses momentos de turbulência e, principalmente, evitar decisões desastrosas.
Com base nessa realidade, a
CIO Brasil perguntou a executivos de TI quais as principais lições aprendidas
em outras crises e, a partir daí, dá dicas de como lidar com a atual
turbulência econômica internacional.
Acompanhe quatro diferentes visões.
Maria Aparecida Filha, gerente de TI da BIC para América do Sul:
“Em situações de crise, é necessário passar por uma profunda revisão dos processos internos, buscando soluções inovadoras e criativas que possam otimizar os resultados e/ou reduzir custos. Quanto menor o tempo consumido nessa revisão, menor será o prazo de desenvolvimentos das novas oportunidades e de implementação das mudanças.
Um aspecto importante a ser considerado nesse cenário é identificar quais informações irão dar suporte ao processo de revisão. O acesso a essas informações é o alicerce para a geração do conhecimento das oportunidades que podem desenvolver e dinamizar a inteligência estratégica para a tomada de decisão.”
André Doro, CIO da Electrolux no Brasil:
“Em meio à turbulência é preciso encontrar formas de continuar tocando o negócio com alguns parâmetros. Da mesma maneira que as famílias continuam tendo gastos em casa e que o comércio não pode disparar os preços dos seus produtos, as empresas – independente do porte – se vêem na necessidade de encontrar soluções para seu caso.
Se
a crise chegou, é hora também de otimizar o que se tem, sejam os bens, as tecnologias,
o tempo ou o conhecimento. O que significa fazer mais com menos, ser criativo,
estar sólido para sair mais fortalecido da crise.
Nosso país nos deu um cenário ideal
para o exercício da criatividade, com todas as mazelas sociais de que isso decorre,
e para nós gestores e líderes isso significa trilhar o caminho da busca de
otimização, de maximizar o valor de um bem ou serviço, dos planejamentos
alternativos e de lidar com a constante incerteza do cenário econômico nacional
e agora mundial, quando comparado com outros países do mundo.
Nós, brasileiros, somos desafiados
cotidianamente a encontrar alternativas – muitas vezes mais criativas do que
inicialmente imaginamos ser possível – para atender às mudanças de legislação
(vide SPED, NFe etc), aos prazos, à essencial busca de oportunidades
estratégicas em TI para atender às demandas de negócio e ao famoso
"fazer mais com menos".
Ao permitir o alinhamento da Governança Corporativa com a Governança em TI, utilizando-se de metodologias para a avaliação e mensuração de necessidades, no intuito de intermediar as melhores soluções, é possível enfrentar a crise de forma planejada. Mirar soluções entre a estratégia de negócio e o operacional sem perder a competitividade em TI é essencial.
Visitar, ainda, minuciosamente, à luz dessas metodologias, os serviços e os gastos em TI, buscando ineficiências operacionais; maximizar o capital humano, retendo e valorizando para 'performar’ tornam-se um ângulo de trabalho obrigatório de todos os gestores, não só em tempos de crise. Avaliar quanto a TI agrega ao negócio e continuar mantendo diferenciais estratégicos frente à concorrência, manterá a empresa mais sólida e com vantagens significativas para enfrentar a crise e a liderança pós-crise.
Enfim, ser capaz de manter custos
competitivos em TI sem perder a musculatura e envergadura suficiente para
suportar e alavancar o crescimento rápido em um pós-crise são lições aprendidas
essenciais para esses tempos.”
Anderson Cunha, diretor de TI da Leroy Merlin no Brasil:
"Em momentos de crise é fundamental buscar sempre as oportunidades, o outro lado da moeda. A crise é sempre o melhor momento para agir, para inovar, para mudar os conceitos, para pensar e agir out-of-the-box. Também é um excelente momento para se aproximar ainda mais das áreas de negocio, indo ao encontro de líderes e colaboradores em todos os níveis da operação da empresa, para escutá-los e buscar neles a inspiração para propor as evoluções nos sistemas e nos processos da empresa.
Qualquer
necessidade de redução de custo pode ser encarada como um desafio à
criatividade e à inovação, ou seja, uma oportunidade para fazer diferente. Mas
acima de tudo, nos momentos de crise, é preciso nunca perder a fé e o prazer
das pequenas realizações"
Ricardo
Crepaldi, gerente de tecnologia e processo da Basf do Brasil:
"Acredito que os momentos de crise são também propícios para as oportunidades. Normalmente, as empresas se adequam aos momentos de turbulência e incertezas por meio de medidas como redução na produção, ajustes de preços e, principalmente, redução nos investimentos. Neste cenário, a área de TI pode ser impactada diretamente com corte de orçamentos, principalmente, dos projetos.
Porém, é exatamente nesse momento em que as empresas precisam otimizar seus custos operacionais que TI pode ter um papel fundamental e estratégico, a partir da otimização de processos e tarefas ou, mesmo, melhorando a eficiência dos custos relacionados ao suporte e novas implementações. Dessa forma, a área de TI muda o seu papel operacional e suporte para um papel estratégico na definição do uso do investimento existente, buscando os maiores níveis de retorno para o negócio.”
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