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Gestão

As lições que os CIOs brasileiros aprenderam em outras crises

Quatro executivos de TI brasileiros detalham suas experiências com turbulências econômicas anteriores e como isso deve ajudá-los a enfrentar o atual cenário

Redação CIO Brasil*

Publicada em 05 de janeiro de 2009 às 15h10

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A experiência pode ser um importante aliado para minimizar a ansiedade gerada pelas expectativas de uma crise financeira internacional. Assim, quem já atua há algum tempo no mercado e enfrentou outros períodos de turbulência econômica tende a sair na frente, ao usar o conhecimento adquirido no passado para evitar possíveis problemas gerados nesses momentos de turbulência e, principalmente, evitar decisões desastrosas.

 
Com base nessa realidade, a CIO Brasil perguntou a executivos de TI quais as principais lições aprendidas em outras crises e, a partir daí, dá dicas de como lidar com a atual turbulência econômica internacional.

Acompanhe quatro diferentes visões.

 Maria Aparecida Filha, gerente de TI da BIC para América do Sul:

“Em situações de crise, é necessário passar por uma profunda revisão dos processos internos, buscando soluções inovadoras e criativas que possam otimizar os resultados e/ou reduzir custos. Quanto menor o tempo consumido nessa revisão, menor será o prazo de desenvolvimentos das novas oportunidades e de implementação das mudanças.

Um aspecto importante a ser considerado nesse cenário é identificar quais informações irão dar suporte ao processo de revisão. O acesso a essas informações é o alicerce para a geração do conhecimento das oportunidades que podem desenvolver e dinamizar a inteligência estratégica para a tomada de decisão.”

 André Doro, CIO da Electrolux no Brasil:

 “Em meio à turbulência é preciso encontrar formas de continuar tocando o negócio com alguns parâmetros. Da mesma maneira que as famílias continuam tendo gastos em casa e que o comércio não pode disparar os preços dos seus produtos, as empresas – independente do porte – se vêem na necessidade de encontrar soluções para seu caso.

Se a crise chegou, é hora também de otimizar o que se tem, sejam os bens, as tecnologias, o tempo ou o conhecimento. O que significa fazer mais com menos, ser criativo, estar sólido para sair mais fortalecido da crise.

Nosso país nos deu um cenário ideal para o exercício da criatividade, com todas as mazelas sociais de que isso decorre, e para nós gestores e líderes isso significa trilhar o caminho da busca de otimização, de maximizar o valor de um bem ou serviço, dos planejamentos alternativos e de lidar com a constante incerteza do cenário econômico nacional e agora mundial, quando comparado com outros países do mundo.


Nós, brasileiros, somos desafiados cotidianamente a encontrar alternativas – muitas vezes mais criativas do que inicialmente imaginamos ser possível – para atender às mudanças de legislação (vide SPED, NFe etc), aos prazos, à essencial busca de oportunidades estratégicas em TI para atender às demandas de negócio  e ao famoso "fazer mais com menos".

Ao permitir o alinhamento da Governança Corporativa com a Governança em TI, utilizando-se de metodologias para a avaliação e mensuração de necessidades, no intuito de intermediar as melhores soluções, é possível enfrentar a crise de forma planejada. Mirar soluções entre a estratégia de negócio e o operacional sem perder a competitividade em TI é essencial.

 

Visitar, ainda, minuciosamente, à luz dessas metodologias, os serviços e os gastos em TI, buscando ineficiências operacionais; maximizar o capital humano, retendo e valorizando para 'performar’ tornam-se um ângulo de trabalho obrigatório de todos os gestores, não só em tempos de crise.  Avaliar quanto a TI agrega ao negócio e continuar mantendo diferenciais estratégicos frente à concorrência, manterá a empresa mais sólida e com vantagens significativas para enfrentar a crise e a liderança pós-crise.

 
Enfim, ser capaz de manter custos competitivos em TI sem perder a musculatura e envergadura suficiente para suportar e alavancar o crescimento rápido em um pós-crise são lições aprendidas essenciais para esses tempos.

Anderson Cunha, diretor de TI da Leroy Merlin no Brasil:

"Em momentos de crise é fundamental buscar sempre as oportunidades, o outro lado da moeda. A crise é sempre o melhor momento para agir, para inovar, para mudar os conceitos, para pensar e agir out-of-the-box. Também é um excelente momento para se aproximar ainda mais das áreas de negocio, indo ao encontro de líderes e colaboradores em todos os níveis da operação da empresa, para escutá-los e buscar neles a inspiração para propor as evoluções nos sistemas e nos processos da empresa.

Qualquer necessidade de redução de custo pode ser encarada como um desafio à criatividade e à inovação, ou seja, uma oportunidade para fazer diferente. Mas acima de tudo, nos momentos de crise, é preciso nunca perder a fé e o prazer das pequenas realizações"

Ricardo Crepaldi, gerente de tecnologia e processo da Basf do Brasil:

"Acredito que os momentos de crise são também propícios para as oportunidades. Normalmente, as empresas se adequam aos momentos de turbulência e incertezas por meio de medidas como redução na produção, ajustes de preços e, principalmente, redução nos investimentos. Neste cenário, a área de TI pode ser impactada diretamente com corte de orçamentos, principalmente, dos projetos.

Porém, é exatamente nesse momento em que as empresas precisam otimizar seus custos operacionais que TI pode ter um papel fundamental e estratégico, a partir da otimização de processos e tarefas ou, mesmo, melhorando a eficiência dos custos relacionados ao suporte e novas implementações. Dessa forma, a área de TI  muda o seu papel operacional e suporte para um papel estratégico na definição do uso do investimento existente, buscando os maiores níveis de retorno para o negócio.”

*Tatiana Americano e Marina Pitta
Opinião do leitor
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