
A recessão econômica norte-americana vem causando sofrimento geral. No Brasil, estamos, na visão de alguns, relativamente protegidos. Mas em tempos de mercados globais, é provável que uma hora qualquer a crise nos atinja. Assim, para quem prevê que será forçado a reduzir o budget de TI até o fim do ano, é uma boa hora de refletir sobre comportamentos passados.
Da última vez que a economia azedou, os CIOs reagiram como se o céu estivesse desabando. No pânico que se seguiu, muitos cortaram demais o que não era para cortar. Desta vez, você precisa planejar de antemão para preservar a capacidade da sua organização de crescer novamente quando for necessário.
Passado: destruição da competência de TI
Flashback para o “boom” pontocom: você se lembra da ressaca dos gastos com o “bug do milênio”, das organizações inchadas e dos data centers em toda parte atulhados de equipamento redundantes? As instalações de TI acumularam software sem utilização e pilhas de contratos de serviço e manutenção a serem lidos um dia. Acordos pioneiros de terceirização de infra-estrutura para “economizar dinheiro” foram fechados sem uma analisa básica de custos. As viagens eram ilimitadas e as ações de todo mundo estavam em alta.
Quando a bolha estourou, as áreas de TI se tornaram um alvo fácil. Os gastos foram cortados justificadamente, mas sem planejamento para eventualidades e com pouca estratégia para uma futura retomada do crescimento. Fornecedores saíram de atividade, fundos de investimentos pararam de financiar novas idéias e as equipes de P&D em TI foram dissolvidas, amortecendo a inovação. Os níveis de serviço caíram e o know-how corporativo saiu pela porta sem aviso prévio em decorrência da aceleração do outsourcing.
Para terminar, um efeito colateral desagradável: TI perdeu seu charme como carreira para os jovens e a idade média em muitas organizações começou a aumentar. Conheço um grande departamento de TI na indústria de defesa em que a média dos funcionários tem mais de 50 anos. Em uma grande empresa de manufatura, só os profissionais de TI seniores são empregados. A carreira de TI tem de ser iniciada e desenvolvida dentro das organizações fornecedoras.
Agora: preservação do futuro de TI
Na próxima onda de cortes, podemos fazer melhor, já que agora estamos dotados de experiência e visão retrospectiva. Sabemos quais cortes mais recentes — eliminar o investimento em P&D, por exemplo — enfraqueceram a capacidade da TI reagir quando o negócio retomou fôlego e os CIOs foram cobrados por inovação.
Vamos presumir que sua organização esteja fazendo tudo certo: consolidando servidores, data centers, licenças de fabricantes e contratos de manutenção; adiando aquisições; terceirizando serviços commodity sob contratos que realmente geram economia de dinheiro.
Vamos presumir, também, que você tenha oferecido incentivos para aposentadoria antecipada a funcionários aptos a usufruí-las, dispensado prestadores de serviços que não eram essenciais e adiado o preenchimento de vagas abertas. Você sabe que está tomando todas as atitudes táticas certas. Portanto, o que você não deve cortar e onde mais deve ficar de olho?
1. Proteja postos difíceis de preencher. Arquitetos, administradores de banco de dados, gerentes de relacionamento, especialistas em segurança e analistas de negócio: você demorou muito tempo para encontrá-los e eles levaram ainda mais tempo para entender o ambiente tecnológico, os elementos do negócio e as estratégias corporativas. Quanto tempo será que eles demoraram para identificar os investimentos de que sua empresa necessita desesperadamente, mas que nenhum líder de negócio ou comitê diretor pensou em pedir? Estas pessoas sabem o que será necessário no ano que vem e depois, embora seu valor nem sempre seja óbvio para o CFO.
Crie uma justificativa para mantê-los por perto – esclareça o que acontecerá se você não retiver pessoas talentosas na organização. Sem este arquiteto, futuras sinergias de fusões e aquisições talvez nunca se cristalizem. Sem um profissional verdadeiramente sênior atuando como um gerente de demandas, ajudando as unidades de negócio a priorizar projetos, estas talvez obtenham de TI o que pediram, mas não o que precisam. Se o budget de TI for um alvo principal de cortes, talvez, como último recurso, você possa deslocar analistas de negócio e gerentes de demandas (mas, provavelmente, não arquitetos) para budgets corporativos mais flexíveis.
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