Um estudo recente do Gartner joga um enorme balde de água fria no hype do software como serviço, especialmente para grandes empresas. Denise Ganly, autora do relatório “O impacto do SaaS no ERP”, afirma no documento que o tipo de solução que as corporações precisam ainda não pode ser entregue de forma confiável pelos fornecedores.
Segundo ela, devido à complexidade dos sistemas de gestão, as ofertas de SaaS para funcionalidades administrativas e operacionais tipicamente ficam confinadas a um domínio, como automação da força de vendas ou folha de pagamento. "Por isso, as ofertas de ERP como serviço ainda são imaturas”, afirma, no relatório.
O estudo aponta ainda que as soluções de ERP em SaaS não serão opções viáveis para grandes empresas pelos próximos cinco anos. “A não ser em casos específicos, as grandes companhias devem ignorar SaaS”, sentencia.
Quais as barreiras para o ERP como serviço?
A analista acredita que, apesar do hype, existem boas razões para as soluções de ERP no modelo SaaS não estarem preparadas para implementações no nível corporativo.
Em primeiro lugar, ela alerta aos líderes de TI para não se impressionarem com as previsões a respeito do forte crescimento desse tipo de solução – em sua opinião, os números devem-se, principalmente, à adoção de sistemas pontuais nas áreas de RH e finanças. Para Ganly, versões maduras do ERP como serviço só devem surgir em 2011.
Além disso, o estudo mostra que um dos principais fatores a impulsionar o ERP como serviço é a redução das equipes de TI pela qual muitas empresas estão passando, já que promete “liberar os profissionais de tecnologia internos para que se concentrem em assuntos mais estratégicos”. A idéia de que os sistemas vendidos no modelo de serviço são instalados de forma simples e rápida também pode iludir alguns CIOs. “É só ligar. Porém, a empresa ainda precisa ter seus processos redefinidos e os pontos de integração identificados”, acrescenta a analista.
Outros inibidores para a disseminação do ERP como serviço estão relacionados ao custo total de propriedade, que pode não ser vantajoso quando comparado com o das soluções tradicionais. A segurança também é uma questão a ser discutida, especialmente em se tratando de dados financeiros e sigilosos. "Fornecedores devem provar para as companhias que estão pensando em adotar SaaS para o ERP que suas preocupações com privacidade e segurança são infundadas por meio de testes de conceito e casos de sucesso”, escreve Ganly no relatório.
O futuro do ERP como serviço
Mesmo com o sucesso das soluções de ERP como serviço no mercado de pequenas e médias, o Gartner Dataquest acredita que esse modelo responderá por apenas 16,7% do mercado total de ERP em 2011. A recomendação de Ganly é que as corporações sejam proativas quando o assunto é SaaS. “Envolva o negócio na discussão, antes que eles decidam sozinhos que devem apostar nesse modelo”, alerta.
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