Esqueça o que você sabe sobre gestão, diz o guru de estratégia empresarial Gary Hamel. Nada disso vai ajudá-lo a vencer os desafios que sua empresa enfrenta. “Estamos vivendo em um mundo onde é a inovação que gera riqueza”, afirma Hamel, fundador da consultoria Strategos e professor visitante da London Business School.
Por mais de 20 anos, Hamel estudou o que as empresas precisam fazer para competir. Com C.K. Prahalad, introduziu o conceito de competências essenciais (core competences), como o único conhecimento que uma empresa possui que proporciona vantagem competitiva. Em 2000, o livro Liderando a Revolução exortou os leitores a aderir a mudanças – como fizeram as empresas pontocom – e reinventar seus modelos de negócio.
Em seu novo livro, O Futuro da Administração, Hamel argumenta que os princípios e as práticas utilizados para gerir a maioria das empresas foram inventados para resolver um problema – “como ser mais eficiente – que as empresas atuais têm dominado amplamente. “O pré-requisito mais crítico para alcançar níveis mais elevados de eficiência é a conformidade em relação a políticas, padrões, diretrizes e protocolos de qualidade, e ainda assim, obviamente, o pré-requisito mais fundamental para a inovação é a diversidade de pensamento e de ação.”
Hamel sugere reformular cada conceito de gestão, desde o modo como os empregados utilizam seu tempo até o modo como os fundos são alocados aos projetos para que os gestores possam inspirar os funcionários, identificar as idéias empresariais mais promissoras e canalizar os recursos para executá-las. Os departamentos de TI irão desempenhar um papel crítico de duas maneiras: em primeiro lugar, ao construir sistemas que as empresas utilizarão internamente para facilitar a inovação e, em segundo lugar, ao identificar de que forma as empresas podem usar novas tecnologias para desbancar modelos de negócio estabelecidos e fornecer novos produtos e serviços. Hamel conversou recentemente com a editora executiva da CIO norte-americana, Elana Varon, sobre o que os líderes de TI precisam fazer diferente.
CIO: As pessoas sempre reclamaram que a gestão freia a inovação. O que levou você a decidir que elas tinham razão?
Gary Hamel: Em parte, foi ter passado os últimos 20 anos ajudando empresas a inovar. O trabalho que a Strategos fez ao longo dos anos com empresas como Shell, Nokia e outras gerou bilhões de dólares em valor de mercado. Mas, tão logo você virava as costas, as organizações retornavam ao modelo antigo. Percebi que estava na hora de voltar às bases genéticas da gestão e das grandes organizações e entender como tornar as empresas sistematicamente mais inovadoras do que têm sido nos últimos cem anos.
CIO: Acha que existe diferença entre as empresas antigas e as novas? Exemplos apresentados no seu livro, como a Whole Foods Market e o Google, empregaram modelos de gestão não convencionais desde o início.
Gary Hamel: Sem dúvida é mais fácil construir um modelo de gestão mais favorável à inovação se você estiver começando com uma folha em branco. Dito isto, porém, a maior parte das pessoas que montam novas empresas vêm de grandes empresas. Então você encontra este DNA de gestão da era industrial em muitas empresas jovens. Um exercício que costumo fazer com as pessoas é supor que elas querem criar uma empresa inteiramente nova. Quão radicalmente elas mudariam o modo como a empresa é organizada ou gerida? A maioria das pessoas não consegue pensar em uma alternativa muito radical.