O que ainda há para explorar
Se hoje ainda está restrita a uma pequena parte das empresas brasileiras, a estratégia para inovação colaborativa é uma tendência incontestável que deverá, de alguma forma, impactar todas as empresas ao longo dos próximos anos. “Assim como os consumidores estão unindo-se e comunicando-se, os funcionários estão conversando e trabalhando juntos para tomar decisões em grupo. Isto promove inovação graças à diversidade de pessoas e opiniões envolvidas”, destacou Don Peppers, especialista na relação entre empresas e clientes, em entrevista exclusiva a CIO em meados de 2007. A tendência, segundo ele, deve-se, principalmente, à chegada de uma nova geração à idade adulta, tornando-os profissionais e consumidores.
Enquanto essa nova geração não chega, cabe ao pessoal de tecnologia possibilitar e fomentar a colaboração corporativa. “[A colaboração] é algo que ainda está muito embrionário nas empresas, não por questões técnicas, mas pela maneira de abordar essa tecnologia”, avalia Ítalo Flammia, CIO da Natura. “É uma questão de cultura que a gente tem de criar.”
Apesar de entusiasta da possibilidade de uso das ferramentas colaborativas no ambiente corporativo, Flammia prevê que a tendência torne-se realidade em cerca de quatro ou cinco anos, conforme a idéia for amadurecendo e as pessoas aprendam e passem a se permitir usar esse tipo de tecnologia. “É preciso aprender a lidar com elas [as ferramentas de colaboração]. Um portal de wiki, por exemplo, não é uma coisa simples, não é qualquer um que faz”, pondera o executivo.
Com um ecossistema de 700 mil consultoras espalhadas por todo o País, a Natura é, na visão de seu CIO, um ambiente bastante fértil para a utilização desse tipo de ferramenta. “Softwares sociais têm tudo a ver com o estilo da Natura e a forma de fazer negócio”, diz Flammia ao revelar que já tem um projeto em andamento, sobre o qual prefere não revelar detalhes. “Temos um projeto concebido para experimentação, que vai crescer conforme a necessidade aumentar”, resume.
Desafios
Paralelamente à necessidade de prover tecnologias que permitam o compartilhamento de informações e a colaboração entre os envolvidos nos processos corporativos, o CIO deve preocupar-se em preparar seus sistemas para uma tarefa ainda mais árdua – e também decisiva para o sucesso de projetos desse tipo: a gestão do conhecimento. “O nível de complexidade está aumentando imensamente porque, agora, você tem de reunir todas essas idéias diferentes que foram coletadas e compartilhá-las com todos”, alerta Robert Cooper, professor de marketing da DeGroote School of Business, da Universidade McMaster. DeGraff, da Universidade de Michigan, concorda e ressalta que, se não for bem-gerenciado, o alto volume de novas idéias pode levar o processo de P&D ao colapso. “Companhias podem facilmente ser paralisadas por toda essa criatividade”, afirma.
A situação pode não ser tão catastrófica, mas é certo que sem uma gestão apropriada do conhecimento gerado pela colaboração, os resultados práticos tendem a ser nulos. Por isso, corporações que planejam caminhar para o mundo colaborativo devem, também, preparar o back office para a novidade. Da mesma forma, é necessário que haja uma equipe de profissionais que, com auxílio de ferramentas analíticas, fique dedicados ao entendimento das necessidades das comunidades envolvidas. “Ter muita informação e não saber o que fazer com ela é um tiro n’água”, diz Flammia.
O CIO da Natura não prevê problemas com a gestão do conhecimento, mas acredita na possibilidade de uma mudança na organização corporativa. “Hoje, já temos gerentes de processos especialistas em marketing e em logística, por exemplo, e eles têm perfis completamente diferentes”, explica. “No futuro, acredito que um olhar mais subjetivo será mais valorizado, pois passaremos a ver valor em outras coisas”, antecipa. Flammia acredita que essa mudança de postura não será difícil para a Natura. E a sua empresa, já está preparada para a era da colaboração?
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