O cenário global do business intelligence mudou novamente. Esta semana, a IBM anunciou a compra da Cognos por US$ 5 bilhões. O anúncio acaba com meses de especulação sobre qual mega-fornecedor compraria a fornecedora de BI.
O acordo é a 23ª aquisição da IBM em sua estratégia de “informações sob demanda”, iniciativa corporativa anunciada em fevereiro de 2006 que combina as soluções IBM de integração de informações, conteúdo e gerenciamento de dados e dos serviços de consultoria.
Segundo a IBM, a integração da tecnologia da Cognos permitirá novas aplicações e levará o BI para outros usuários, além dos tradicionais. “Os clientes estão pedindo soluções completas que possibilitem a tomada de decisão em tempo real”, afirma Steve Mills, vice-presidente da IBM Software Group.
Enquanto isso, analistas estão divididos sobre o impacto da transação para os usuários.
Na visão de Bill Hostmann, diretor de pesquisas do Gartner, a aquisição é significativa porque altera o cenário para os grandes fornecedores. "A grande mudança é que agora o mercado de business intelligence passou de uma competição entre fornecedores puros de BI para uma situação em que mega-fornecedores usam a tecnologia como forma de diferenciação”, diz Hostmann. Em sua opinião, a tecnologia da Cognos é importante para complementar a estratégia sob demanda da IBM. Ele aponta ainda que, com a compra, a Big Blue entra no mercado de OLAP, uma oferta importante.
Boris Evelson, analista da Forrester Research, prevê algumas dificuldades na fusão. Ele acredita que o acordo deve incomodar toda a rede de parceiros de ambas as empresas e que a Applix, recém-adquirida pela Cognos, deve perder no longo prazo para o Aplhabox, da IBM. As previsões de Evelson apontam ainda para questões de integração a serem enfrentadas pelas novas gigantes do BI – IBM, Oracle, SAP, Microsoft –, o que pode reduzir momentaneamente o potencial de inovação. Enquanto isso, fornecedores de BI menores – SAS, Microstrategy e InformationBuilders, por exemplo – devem aproveitar o momento para inovar.
A preocupação do analista da Forrester é compartilhada por David O’Connell, analista da Nucleus Research. “Acredito que a fusão fica ótima no papel, mas integrar as ofertas de produtos das duas companhias é uma tarefa difícil”, destaca, citando as dificuldades que vêm sendo enfrentadas pela Oracle. “É fácil comprar uma empresa, mas é dificil integrar ofertar de uma forma que seja boa para o cliente.”
Já Hostmann, do Gartner, acredita em uma integração quase perfeita. "Empresas maduras sabem lidar com pressões competitivas”, avalia. “Além disso, a IBM tem um modelo de suporte sofisticado e acredito que a compra deve-se à necessidade de conseguir a ‘última milha’ para sua estratégia sob demanda.”
Em sua opinião, as mudanças mais significativas para os usuários estarão ligadas aos pontos de contato – em vendas e em suporte. Existe a possibilidade de acontecerem mudanças nos preços e nas formas de vender as tecnologias, mas nem a IBM nem a Cognos devem comentar esses assuntos antes que a negociação seja finalizada.
A transaçao está sujeita à aprovação dos acionistas da Cognos e dos agentes reguladores, mas deve ser fechada no primeiro trimestre de 2008.
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