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Gestão

O futuro, segundo o CIO do Google

Tecnologia regida pela escolha, não pelo controle. Olhe o mundo sob a ótica de Douglas Merrill, diretor de TI do Google

Abbie Lundberg*

Publicada em 03 de novembro de 2007 às 15h47

Se existe alguém que entende o impacto da tecnologia de consumo sobre a corporação, esse alguém é o CIO do Google, Douglas Merrill. Ele acredita não só que estamos ingressando em uma nova era dos negócios, mas também que nesta era a demanda por líderes de TI com fortes habilidades técnicas será mais alta do que nunca.

Merrill não se parece com um CIO padrão. Se você fosse convidado para um encontro de executivos de TI e visse Merrill, provavelmente o tomaria por um empresário moderno ou um músico chamado para se apresentar. Ele usa brinco – alguns brincos. Tem cabelos compridos e rebeldes. E veste camisetas chamativas e jeans.

Você também não pensaria no cargo de CIO se visse o currículo de Merrill. Ele é formado em Organização Social e Política e tem mestrado e doutorado em Psicologia (pela Universidade de Princeton). Trabalhou como cientista da informação na RAND Corporation, explorando seu treinamento em ciência cognitiva e social; liderou a prática de segurança na Pricewaterhouse; foi responsável não apenas por segurança e infra-estrutura da informação, mas também por estratégia e operações de RH na Charles Schwab. Por fim, é creditada a ele a formulação do IPO do Google em 2004.
Mas quando você começa a conversar com Merrill sobre tecnologia e seu papel no negócio e na vida, quando você começa a entender seu modo de pensar, então você percebe que é exatamente assim que um CIO em 2007 deveria pensar.

Merrill vê a tecnologia principalmente como uma ferramenta para aprimorar a criatividade e a produtividade das pessoas, uma ferramenta capaz de ajudá-las a resolver seus problemas. O princípio que o norteia no gerenciamento de TI é “escolha, não controle”. Apesar de ter crescido profissionalmente na era dos sistemas empresariais altamente estruturados, Merrill comanda uma empresa extremamente confiável e segura sob um modelo bastante desestruturado, heterogêneo e orgânico.

Quatro anos atrás, Merrill entrou no Google como diretor-sênior de sistemas de informação, responsável por engenharia interna e suporte mundial. A editora-chefe da CIO norte-americana, Abbie Lundberg, esteve recentemente no campus do Google e conversou com Merrill sobre as atuais tendências em tecnologia da informação e o impacto destas tendências no modo como as organizações pensam sobre TI e a gerenciam.

CIO: Em que a sua visão para gerenciar TI na Google difere do modelo tradicional?
Douglas Merrill:
Os efeitos colaterais da era em que crescemos, quando a tecnologia empresarial era altamente isolada em silos e voltada para o design pesado de processos de negócio (“Você fará o que este software lhe disser”)... Este modelo de mundo produziu retornos econômicos incríveis. O lado negativo é que, como CIOs, precisávamos ser relativamente controladores. Dizíamos às pessoas: você vai usar este tipo de infra-estrutura, você vai usar estes tipos de servidores, os end points serão assim...”

Depois aplicamos este pensamento às ameaças e dissemos que a melhor maneira de gerenciar a segurança seria ter tudo igual, o que também traz outro efeito: a tendência a custos mais baixos. Você obtém este ciclo realmente interessante produzindo uma uniformidade perfeita.

Mas se você observar os organismos naturais, poucos se desenvolvem até a uniformidade total. Pouquíssimos pássaros são iguais. A tendência à “consumerização” expõe a organização a uma diversidade adicional – a diversidade do end point.

Mudamos nosso modo de pensar sobre TI aqui. Não precisamos perseguir a uniformidade. Nossos sistemas, que basicamente são sistemas de consumo, têm de executar nos end points. O efeito disso é que posso permitir que um funcionário específico trabalhe em um Mac porque este o torna 10% mais produtivo. Este benefício da produtividade supera a pequena vantagem de custo obtida com a uniformidade.

O sistema de informação da Google acredita na escolha, não no controle. O objetivo da escolha é ajudar os profissionais a expressarem seu talento da maneira mais eficaz possível.

Muitos anos de estudos de dinâmica de grupo mostram que equipes diversificadas tendem a fazer pesquisas mais completas e produzir respostas melhores e mais criativas. Parece estranho reconhecer que você precisa da diversidade de talentos para resolver estes problemas e depois tentar afunilar esta diversidade para uma uniformidade.

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