CIO - Porque a opção por desenvolver essa solução internamente?
Gomes - Tentamos usar pacote, mas percebemos que não daria certo, porque para ser competitivo é preciso entender do negócio. Foi necessária bastante transpiração para desenvolver. Mas voltando ao atendimento eletrônico dos clientes, começamos a trabalhar via web com algumas contas grandes, como por exemplo o Applebee’s, que é uma rede de casual dinner. Eles já estão fazendo todo o pedido de forma digital, exatamente como o McDonalds. Eu entrego 80% de tudo o que ele compra na loja e ele reconhece o valor do 'one-stop shop', de o caminhão chegar com tudo lá dentro e ele não ter de se preocupar em ligar para 20, 30 fornecedores e esperar 20, 30 caminhões chegando no mesmo dia no restaurante. Ele tem grandes vantagens de escala e custo administrativo muito baixo. O sonho desse cliente é que a gente administre o seu estoque para que ele possa concentrar no que é core: o salão e a cozinha. Existem alguns outros clientes em que estamos começando a expandir para isso também, mas ainda há uma barreira cultural muito grande. As barreiras são o grande número de distribuidores, o fato de nem sempre ter um computador na loja etc.
CIO - Chegar a administrar o estoque do cliente é praticamente terceirizar um processo interno, que seria um novo negócio para vocês. A tecnologia possibilita novas oportunidades?
Gomes - Nós temos algumas idéias que fogem totalmente ao core business da companhia hoje. Existem grandes oportunidades. A TI tornou-se tão importante que em um futuro muito próximo pode tornar-se uma nova unidade de negócios. Por exemplo, hoje, toda a operação de Porto Rico, no que diz respeito a tecnoligia, está aqui. O JD Edwards [ERP] de Porto Rico está todo aqui. As operações de pedidos via web do Panamá, da Costa Rica e da Guatemala também estão hosteadas no Brasil. Eles entram lá, fazem o pedido, que vem para o sistema e volta para ERP deles, local. Então, estamos pensando em desenvolver uma unidade de negócios de prestação de serviços de TI, graças à nossa expertise em negócios de restaurante.
CIO - A intenção é prestar serviços para terceiros ou para a Martin-Brower lá fora?
Gomes - Para terceiros. Uma possibilidade, por exemplo, é vender o nosso sistema de pedidos via web para o McDonalds no mundo inteiro. É um projeto que estamos desenvolvendo, checando a viabilidade e formatando. A intenção é que seja uma outra empresa, com outro nome, mas vinculada à Martin, que venda soluções de tecnologia muito ligada ao supply chain do restaurante. Uma empresa já tentou fazer isso no Brasil no passado, mas não deu certo, devido ao momento do mercado e, também, por ter apenas o conhecimento em tecnolgia, mas não ter toda a experiência que temos. Hoje, já vendemos serviços para Porto Rico e queremos explorar mais.
CIO - Já há algum negócio em andamento?
Gomes - O McDonalds do México mostrou interesse em comprar o nosso serviço de pedido via web. Estamos em processo de preparação da proposta comercial, especialmente porque não é a Martin-Brower que faz a operação lá. Mas eles querem que o nosso sistema seja a tela de pedido, que vá para o distribuidor deles.
CIO - Tudo isso deixa clara a importância da TI no apoio operacional. E no seu dia a dia, como você usa TI?
Gomes - Eu uso muito o business intelligence. Na MBB Food Service, que tem muitos clientes e muitos produtos, usar ou não o BI é a mesma coisa de existir ou não a empresa. Fazemos análises diárias de venda por vendedor, por região, por produto. Se não existir o BI, não funciona a empresa. Somos totalmente dependentes do BI na MBB. Nas outras eu uso muito também o BI, para controle de informações de venda e de serviços. Outro forte impacto da TI n o meu dia-a-dia é o nosso fechamento contábil, feito no segundo ou terceiro dia útil do mês. Para isso, é necessário ter processos perfeitos por trás e isso depende totalmente de tecnologia, desde o hardware que é preciso para agüentar o pico de final de mês. Uso também outras coisas, como o sistema de webconferência, uma inovação realmente boa. Já usei videoconferência e achei uma porcaria. Com a conferencia via em web, conversamos com a matriz como se estivéssemos todos na mesma sala. Isto reduz custos com passagem, viagem, estadia. Todas as unidades têm esse equipamento e temos uma banda larga pra isso. O que é outro exemplo da evolução da tecnologia. Há cerca de cinco anos, fizemos um estudo pra trazer as operações de TI de Porto Rico para o Brasil. O projeto tornou-se inviável porque, só de comunicação, gastaríamos 600 mil dólares por ano. Hoje, os dois links [fibra ótica e satélite] não custam mais de 30 mil dólares por ano.
CIO - Como vocês lidam com a inovação?
Gomes - O nosso negócio não é como o de uma Apple, que depende da inovação. O nosso negocio é muito básico: distribuição de produtos. O que há de inovação vem, 80%, da área de tecnologia. O grande trunfo dos últimos anos foi o e-pedidos. A promoção da Copa do McDonalds, por exemplo, só existiu e funcionou graças ao nosso gerenciamento de pedidos. Eram cinco sanduiches por semana. Fizemos um gerenciamento em tempo real, via web, dos estoques e da projeção de vendas de cada produto, em cada restaurante. Sem isto, seria impossvel fazer a promoção, porque iria sobrar ou faltar produtos. Esse tipo de inovação sempre vem de tecnologia.
CIO - Como é o budget de TI?
Gomes - Todo ano é zero basis budget. A gente faz um budget de acordo com o q vai precisar naquele período. No ano passado, o nosso budget foi cerca de 0,8%, 0,9% do faturamento liquido da empresa. Estamos num negocio de low margin business. Faturo um monte e tenho uma margem muito pequena. Por isso o investimento é tão pequeno em relação ao faturamento.
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