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Gestão

Inovações em cadeia

Na Martin-Brower, a TI é a base para inovar em processos, ganhar competitividade e se diferenciar. Esta é a visão de ser líder

Thais Aline Cerioni

Publicada em 31 de maio de 2007 às 15h14

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Uma empresa de pessoas e tecnologia. É assim que Tupanangyr Gomes Filhos, diretor-geral da Martin-Brower no Brasil, define a companhia. A frase deixa clara a visão do executivo sobre a importância de TI para o sucesso dos negócios da empresa de distribuição de alimentos e bebidas, cujo principal cliente é a rede de fast-food McDonalds. Em uma conversa descontraída com CIO, Gomes destaca a importância da tecnologia para inovar em seus processos de negócios e conta como a TI está se tornando uma nova fonte de receita.

CIO - Qual a importância da tecnologia para os negócios da Martin-Brower?Tupanangyr Gomes FilhoNosso core business é distribuição de alimentos e bebidas, essa é a expertise da empresa. Este nosso negócio, hoje, está baseado em pessoas e tecnologia. Não se trata de hardware ou software, mas da tecnologia empregada ao negócio. A inteligência do negócio envolve muita tecnologia.

CIO – Na prática, como isto acontece?
GomesNós carregamos quase um bilhão de reais por ano, é muito dinheiro. Além disso, os ativos são muito caros. Um conjunto caminhão carreta custa 600 mil reais. Se você não tem tecnologia dando suporte para maximizar o uso desses ativos, perde dinheiro. Um caminhão que sai daqui carregado, tem de sair corretamente, com a quantidade certa, com o produto na posição certa, a rota que vai seguir definida. Para isso, por exemplo, cada caminhão trabalha com um PDA ligado ao nosso ERP [JD Edwards]. A lista de produtos está lá e, no momento da entrega, o funcionário faz a confirmação por meio do equipamento. Essa tecnologia facilita muito a produtividade e a confiabilidade do processo, pois permite termos controle de detalhes, como a temperatura do produto na hora da entrega. Se há uma reclamação posterior, conseguimos checar a temperatura na hora do recebimento. Se estiver correta, fica claro que o problema não foi com a gente.

CIO – Como vocês utilizam esse tipo de informação no longo prazo?
Gomes A tecnologia nos ajuda muito a direcionar o foco em qualidade. Por exemplo, não é possível que só determinado restaurante tenha problema de recebimento em temperatura errada. Com estas informações coletadas na hora da entrega, armazenadas e tratadas pela solução de business inteligence, temos relatórios que nos dão um gerenciamento estatístico focado no real problema. E ajuda a corrigi-lo.

CIO – No negócio da Martin-Brower, o relacionamento com clientes e fornecedores é fundamental. Como a tecnologia ajuda nesse sentido?
GomesHoje, todo o nosso relacionamento com os 600 restaurantes do McDonalds é digital. Desde o pedido, o customer service, reclamação, passando até pela nota, tudo é eletrônico. Isto torna muito fácil para o cliente fazer negócio conosco, além de dar uma produtividade altíssima. Pela web, ele pode comprar, saber que horas o caminhão vai chegar, alterar o pedido, reclamar sobre algum produto ou alguma inconsistência. Internamente, facilita nosso trabalho pois podemos fazer um cross checking pelo computador mesmo.

CIO - Dá um controle muito maior de todo o processo...
Gomes - Exatamente. Para melhorar ainda mais essa solução, fizemos recentemente aqui no Brasil um projeto-piloto de recomendação de pedido, baseado em algoritmos estatísticos. Com isto, o cliente tem a possibilidade de minimizar ainda mais o estoque no restaurante. Funcionou muito bem e está agora em período de pré-projeto, para fazer uma implementação mais ampla. Isto reflete a importância da tecnologia no nosso negócios. Seríamos somente uma transportadora se não houvesse tecnologia. É claro que o caminhão, que entrega fisicamente, é importante. Mas sem a correta tecnologia dando suporte, o caminhão é um artigo caro e ineficiente.


CIO – Idéias como essas partem do negócio ou de TI?
GomesNormalmente partem de TI, até porque os profissionais da área têm bastante conhecimento do negocio aqui. Hoje, o Marcos [Hamsi, CIO da empresa] se reporta para mim, o que dá bastante visibilidade do negócio. Neste caso, a solução partiu de TI  e os homens de negocio disseram “isso é legal”. Então foi formado um grupo de trabalho. A área de tecnologia, aqui, não é isolada, do tipo que faz a caixa e o laço e entrega o projeto pronto. A TI aqui cuida do que é bite e byte, que ninguém sabe e que fica escondido mesmo, mas, fora isso, agrega muito porque traz soluções sabendo o que o negócio precisa. O projeto web surgiu porque, há cerca de cinco anos, o Marco tinha a visão: “vou me tornar de digital e vou chegar até a recomendação de pedido”. Já alcançamos entre 70% e 80% do beneficio e com a recomendação vamos tornar ótima uma solução que já é boa.

CIO – Então, o relacionamento entre TI e as demais área é muito bom?
Gomes - Certamente. A tecnologia permeia toda a empresa. Nossa pesquisa de clima organizacional, por exemplo, é feita pela web. Era em papel, como vinha dos Estados Unidos, um negócio meio chato. O processo de avaliação de desempenho, hoje, também é toda web. A pessoa preenche o plano de trabalho, os objetivos, o avaliador também faz a sua parte on-line e só depois sentam pra fazer a reunião. Mesmo a pesquisa de satisfação com clientes é, também, toda via web. Dá uma dinâmica muito maior.

CIO - Além do McDonalds, a Martin-Brower tem outros clientes. Com eles, o relacionamento também é eletrônico? Existe algum tipo de barreira cultural para tanto?
Gomes - Há uma divisão - a MB McDonald's - que atende o McDonalds, que é ainda o nosso principal cliente no Brasil. Há outra divisão, chamada Martin-Brower Logistics (MBL), que possui 100 clientes e é uma prestadora de serviços logísticos. E há uma divisão chamada MBB Food Services que possui cerca de 1,5 mil clientes, como hotéis, restaurantes e hospitais, para os quais vendemos cerca de 2 mil itens (com o mcdonalds são cerca de 400 itens). Na MBB Food Service, temos uma equipe de vendas, o que não existe no atendimento ao McDonalds. Mesmo assim, os vendedores da MBB trabalham com PDAs wireless rodando uma aplicação de retirada de pedido desenvolvida por nós. É um pedido bastante complexo que se conecta direto aos nossos sistemas corporativos.

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