Satisfeito com os resultados alcançados no ano passado – de maio a dezembro de 2006, o consumo de papel foi 10,66% em toneladas e 10,62% em valor, proporcionalmente ao tamanho da operação –, o laboratório foca, agora, a redução do consumo de energia. A área de TI vem colaborando por meio da criação de um manual para os usuários (sobre em que situações deixar o computador e o monitor ligados, por exemplo), utilização de melhores práticas de programação para reduzir o uso de CPU e revisão no data center para controle do uso de ar-condicionado.
Com a meta de reduzir custos operacionais, ganhar agilidade, flexibilidade e aumentar a disponibilidade dos aplicativos – e o benefício secundário da redução do consumo de energia –, o projeto de consolidação e virtualização de servidores reduziu o número de máquinas de 84 para 66. “A meta é chegar a 57”, garante Fadi Hanna, gerente de infra-estrutura de TI do Fleury. Mesmo na instituição com alto nível de preocupação ambiental, o projeto, cujo retorno do investimento deve acontecer em um ano, teve motivações muito mais operacionais que ecológicas. “O principal resultado foi o significativo ganho de agilidade para atender às crescentes demandas de um negócio em constante crescimento. A partir de um padrão pré-determinado, um novo servidor virtual é "criado" em poucos minutos. Antes, a tarefa levava, em média, 30 dias”, comemora.
Negócios muito relacionados ao meio ambiente também impulsionam posturas corporativas mais engajadas e, conseqüentemente, ações de suporte do pessoal de tecnologia da informação. Na Faber Castell, as questões ambientais fazem parte do DNA da empresa, pioneira a plantar suas próprias árvores para fabricação de lápis, na década de 50. A postura responsável reflete nas operações de tecnologia desde a aquisição de produtos até o processo de descarte de hardware obsoletos e resíduos seguindo normas e princípios de não-agressão. “No contexto de TI, existem projetos para consolidação de servidores, sistemas de proteção e recuperação de desastres, racionalização de impressão, o que gera economia de energia elétrica e papel”, detalha José Rodrigues, gerente de informática da Faber Castell. Ele destaca ainda o uso de produtos ecologicamente corretos e utilização de tecnologias "limpas" ou menos poluentes.
“Não existe uma iniciativa formalizada de TI em relação ao assunto. Mas há uma estratégia da empresa em direção ao desenvolvimento sustentável, porque o nosso negócio está calcado nisso”, afirma Mario Dobal, CIO da Aracruz Celulose. Com 3,1 milhões de toneladas de celulose produzida em 2006 e receita líquida de 3,7 bilhões dólares, a Aracruz intitula-se a única empresa no mundo do setor de produtos florestais e papel que integra o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI World) 2007, o qual destaca as melhores práticas em sustentabilidade corporativa, além de ser uma das 34 empresas que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa.
Apesar da imagem muito ligada à questão ambiental, Dobal garante que, na Aracruz, as ações de TI têm a preocupação com o planeta como pano de fundo. O projeto de consolidação de servidores, por exemplo – que reduziu o número de equipamentos em 30% para chegar a cerca de cem máquinas –, nada teve de “verde”. “O projeto não foi motivado pela questão ambiental, mas pela redução de custos e ganho de desempenho”, confessa. O que não significa que a preocupação seja apenas fachada. O executivo explica que não poluir, não gastar energia em excesso, não agredir o meio ambiente e escolher fornecedores de TI que sigam as mesmas práticas faz parte da visão da companhia há mais de dez anos. “É um assunto da moda, mas, na maioria das empresas, vejo muito pouco no dia-a-dia e dificilmente TI vai resolver esse problema. Quem disser que está fazendo isso só em TI está fazendo jogo de cena. Lógico que tudo ajuda, mas TI é uma gota d’água”, conclui o executivo.
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