A indústria de TI vem respondendo a números como esses com uma avalanche de produtos “ecologicamente corretos” ou que, ao menos, prometem reduzir os danos que causam ao meio ambiente. Também na onda da “TI verde”, foi criado no fim de fevereiro o "The Green Grid", consórcio sem fins lucrativos formado por grandes fornecedores de TI (APC, Dell, HP, IBM, Intel, Microsoft, Sun Microsystems e VMWare, entre outras), que tem como objetivo desenvolver e ampliar a eficiência energética em data centers e ambientes computacionais corporativos.
De olho nas verdinhas
É inegável a necessidade de se abrir os olhos para a situação do planeta, mas dificilmente um acionista irá concordar em fazer grandes investimentos apenas com o objetivo de garantir qualidade de vida para as próximas gerações. O que está por trás da conscientização coletiva repentina é a oportunidade de, além de proteger o meio ambiente, utilizar o ‘selo verde’ como um reforço de marketing – capaz não só de impulsionar as vendas, como de melhorar a imagem da companhia.
Os mesmo objetivos que levaram as fabricantes de tecnologia a partir para uma postura ecologicamente sustentável vêm sendo usados para convencer os CIOs – e, especialmente, seus superiores – a adotar práticas de TI com preocupação ambiental.
O argumento pode funcionar. Independente do impacto ambiental, a eficiência dos data centers é um dos principais assuntos na agenda dos CIOs há algum tempo, especialmente por concentrarem grande parte dos custos de manutenção de tecnologia. O Gartner avalia que grandes corporações, com departamentos de TI também grandes, gastam, em média, 5% de seu orçamento de TI com energia – e prevê que esse número pode duplicar ou triplicar nos próximos cinco anos. Para aumentar a eficiência operacional dos data centers, os executivos de TI podem partir para uma série de iniciativas, como troca do parque de equipamentos (normalmente, dispositivos antigos e/ou de baixo custo consomem mais energia), melhorar a distribuição espacial para reduzir a necessidade de ar-condicionado, investir em virtualização ou adotar softwares para gestão de energia. O desafio ainda consiste em conseguir o budget necessário para tais projetos – já que, na maior parte das empresas, iniciativas cujos resultados têm impacto direto em TI, e não nos negócios, vão para o fim da lista de prioridades.
Na Califórnia (EUA), os CIOs interessados em partir para consolidação e virtualização de seus data centers têm uma aliada na própria empresa de distribuição de energia. A Pacific Gas and Eletric Company anunciou no fim do ano passado um programa em parceria com a fornecedora de soluções de virtualização VMWare e a fabricante de processadores Intel por meio do qual as empresas que consolidam seus data centers conseguem reembolso do capital investido. Os interessados devem se inscrever no programa antes de começar o projeto e o reembolso varia de acordo com volume de economia de energia gerado – não podendo ultrapassar quatro milhões de dólares.
A PGE pode até estar realmente preocupada com o futuro do planeta, mas, certamente, o que levou a empresa a unir-se à Intel e à VMWare neste programa foi o risco que o desperdício de energia pode causar para o seu negócio. Proibida de criar novas formar de produzir energia na região, a empresa viu-se a ponto de não conseguir atender à demanda de seus clientes. Para não faltar, melhor economizar, certo? Assim surgiu o programa de reembolso.
O poder de TI
No Brasil, os CIOs parecem não estar tão atentos aos gastos com energia quanto norte-americanos e europeus. Talvez pela oferta excessiva e pelo custo ainda não tão alto deste ativo, executivos de TI e negócios concentram esforços em outras áreas antes de começar a pensar em como consumir menos energia. E, quando têm esta preocupação, dificilmente conseguem aprovar o orçamento para tais projetos com o discurso ecológico – a chave é a redução de gastos que a iniciativa (talvez) irá trazer.
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