Há pouco mais de um mês, o presidente e CEO global da Royal Philips Eletronics, Gerard Kleisterlee, participou de um evento em São Paulo no qual falou para cerca de cem líderes de grandes empresas brasileiras. Durante as quase duas horas de apresentação, o discurso teve um só tema: a importância de empresas e indivíduos tomarem consciência do impacto de seus atos no meio ambiente.
Com o gancho da visita de George W. Bush, no início de março, para discutir a questão dos biocombustíveis com o governo brasileiro, Kleisterlee falou sobre a supremacia local quando o assunto refere-se às fontes alternativas de energia e elogiou a população brasileira por seu espírito de colaboração e consciência em situações de crise, como o "apagão" do início da década. “Um estudo realizado pela Philips mostra que 43% dos consumidores brasileiros estão comprometidos e conscientes sobre a questão da economia de energia”, destacou o executivo.
Ao colocar de lado os interesses comerciais e de marketing que uma fabricante de lâmpadas possa ter em fortalecer a discussão sobre a importância da consciência ecológica e da redução do consumo de energia elétrica, a apresentação de Kleisterlee para uma platéia formada por alguns dos principais empresários do Brasil pode ser vista tanto como um empurrão quanto como um reflexo de uma tendência clara do mercado mundial. Os negócios estão tornando-se cada vez mais “verdes”.
No mundo da tecnologia da informação, a tendência se repete, aparentemente, com ainda mais força que nas demais áreas. E não é para menos. Em seu estudo "Questões-chave para uma TI ecologicamente sustentável", o Gartner toma como base informações como número de PCs e servidores em operação, consumo médio por unidade, emissão média de dióxido de carbono por quilowatt-hora, entre outras, para lançar a estimativa de que servidores e PCs sejam responsáveis, hoje, por cerca de 0,75% da emissões globais de dióxido de carbono. O número cresce rapidamente e surpreende quando comparado ao fato de as companhias aéreas serem responsáveis por aproximadamente 2% das emissões anuais em todo o mundo. Já um estudo da Universidade de Stanford (EUA) aponta que a energia consumida por data centers em todo o mundo dobrou entre 2000 e 2005. Há dois anos, 1,2% da energia consumida nos Estados Unidos foi destinada a manter servidores e equipamentos de rede funcionando.
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