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Gestão

Informaticidade se escreve com “i”, de inovação

Silvio Meira*

Publicada em 21 de setembro de 2006 às 14h49

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E isso é uma boa notícia para todos. Primeiro, para o pessoal de tecnologia, que vai trabalhar onde os problemas tecnológicos estão e onde é mais interessante e divertido estar: lugares como Amazon s3 [armazenamento on-line], Netvibes.com [ecologia de informação] e Salesforce.com [cadeia de valor de processos de automação de negócios]. Todos são exemplos de “informaticidade”, atrás do conector, sem que o usuário pense em segurança, performance, updates, backup. Problemas do pessoal de tecnologia.
Software-como-serviço é outro nome que se dá à “informaticidade”; mas esta é ainda mais sofisticada: inclui hardware-como-serviço, rede-como-serviço e, quase de brincadeira, serviço-como-serviço, quando não temos que fazer o serviço que deveríamos, pois tal poderia ser realizado compondo outros, já disponíveis na rede.
Por outro lado, quem ficar do lado de cá do conector terá de se concentrar no que é essencial para o negócio: informação. Durante muito tempo – quase todos estes 60 anos – os interesses informacionais dos negócios estiveram subjugados às competências, humores e modismos de seu pessoal de tecnologia. Apesar de o chefe atender pelo título de Chief Information Officer, que significava, de fato, Chief Information Technology Officer. Com a tecnologia escondida na “informaticidade”, o pessoal de tecnologia que restar será o que der conta, enfim, da informação.
A agenda dos novos CIOs será pautada na criação, manutenção, implantação e operação de políticas e estratégias de informação, cobrindo o ciclo de vida de informação no negócio, de criação ou captura até terminação, passando por  processamento, armazenamento, preservação e apresentação. Para isso, precisarão desenhar sistemas de informação, sendo que parte da funcionalidade dos quais, em breve, será provida pela “informaticidade” da rede, oferecida por muitos fornecedores. O resto, que terá de ser definido e escrito internamente, serão complementos e conexões de coisas que outros irão nos fornecer como serviço.
Em algum lugar estarão, a suportar tudo, as tecnologias de informação. Gozando pela primeira vez, em sua curta história, da imunidade do anonimato. Algo me diz que, neste novo mundo, as coisas serão muito mais calmas e que, por isso mesmo, poderemos inovar muito mais.

*Silvio Meira é cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR)

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