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Gestão

Sem medo da SOX – parte 2

Nos Estados Unidos, as empresas tiveram menos tempo de se adaptar mas já estão corrigindo as rotas tomadas no primeiro ano de vigência da SOX

Rachel Rubin

Publicada em 19 de janeiro de 2006 às 00h00

No Brasil, as empresas brasileiras com ações listadas na Bolsa de Nova York têm como prazo até dezembro desse ano, depois de muitas postergações. “As empresas brasileiras tiveram mais tempo para repensar o que estavam fazendo, analisar se estavam no caminho certo, pensar a longo prazo”, comenta Ricardo Balkins, sócio da área de gestão de riscos empresariais da Deloitte. André Nadjarian, diretor da área de soluções de negócios da Kaizen, tem a mesma percepção: “as corporações americanas tiveram de fazer tudo correndo. Por aqui a movimentação está mais tranqüila. Bancos como Bradesco e Unibanco e empresas como Petrobras estão na fase de busca de ferramentas mais rebuscadas”, conta.
A maior parte das empresas situadas no Brasil preocupadas com SOX é de filiais de multinacionais. Mas algumas, como a Sabesp, que tem ações listadas na Bolsa de Nova York, não tiveram tanto referencial e suporte. “Estamos mexendo na organização inteira. Vamos começar por processos, depois chegaremos aos sistemas”, conta Fernando Menezes, superintendente de TI da companhia. Segundo ele, a meta é estar com tudo pronto até julho. Até lá, haverá suporte da KPMG para fazer os diagnósticos da parte de compliance. E será necessária uma mãozinha extra em desenvolvimento. “Para algumas aplicações específicas”, explica.
Para ajudar na tarefa de aumentar a qualidade dos relatórios financeiros, foi criada uma organização não-governamental que oferece algumas recomendações para aderência à SOX. É o COSO (Commitee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission). A estrutura recomendada pela organização é desmembrar os controles internos em cinco componentes inter-relacionados: ambiente de controle (a base para todos os requisitos dos controles internos, inclui valores éticos dos funcionários; avaliação dos riscos, que identifica e analisa riscos inerentes que possam impedir o alcance dos objetivos do negócio); atividades de controle (tarefas específicas para minimizar os riscos detectados); informação e comunicação (fluxo de informação nas empresas); e monitoramento (avaliação e apreciação dos controles internos). Algumas fornecedoras oferecem soluções com base também em princípios do ITIL. É o caso da BMC Software, que oferece o BMC Identity Compliance Manager, justamente para reduzir custos com a complacência a leis, fundamentada em gestão de identidade.
E mesmo usuários que não precisam se adequar às regras da SOX estão adotando a regulamentação como base para suas melhores práticas, principalmente nos setores financeiro e de telecom, observa Sérgio Pires, gerente de software da HP (que oferece a solução HP OpenView Compliance Manager, software de controle de processos, para facilitar a adequação às regras do requisito).
Mas ainda há muito o que fazer, de acordo com João Carlos Lopes, gerente de marketing de storage, também da HP. O executivo alerta que, do ponto de vista da gestão documental, que é um dos pilares da transparência, há poucas iniciativas por parte das empresas, que estariam menos preocupadas com políticas de arquivamento de e-mails, por exemplo. “Todo mundo se concentra no mapeamento de processos, em fechar as torneiras de riscos. Poucas mobilizam TI para preservar a informação, ter uma política de e-mails. Os e-mails assinados por executivos, por exemplo, são considerados documentos válidos para as auditorias.”
Para Fernando Corbi, diretor-geral da BO no Brasil (que oferece a ferramenta Sarbannes-Oxley Compliance Analytics), cada empresa tem tido uma visão diferente de SOX. “Mas a lei é uma oportunidade para colocar em prática o conceito de visão única da verdade. Qual informação está sendo reportada para as autoridades?”, diz. “É o momento de zelar pela segurança na manipulação das informações, garantir sua veracidade”, complementa.

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Os impactos legais nas empresas
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