Trabalhar como analista de sistemas, coordenador de área, gerente de núcleo e, então, enfim, seguir para a liderança da TI, reportando-se diretamente ao alto comando da companhia e participando da tomada de decisões estratégicas. Essa parece ser a trajetória ideal para um profissional de tecnologia, certo? Nem sempre.
De acordo com Fernando Feitoza, superintendente comercial da Across – consultoria especializada em desenvolvimento organizacional com foco em gestão de pessoas – muitas vezes os profissionais que iniciam suas carreiras em áreas técnicas são seduzidos pelos benefícios e pelo status trazidos por um cargo de gestão.
“Em postos de CIO, por exemplo, há casos de executivos que, ao analisar mais profundamente seus desejos e aspirações profissionais, percebem que gostariam de ter permanecido na área técnica”, conta Feitoza.
O consultor explica que isso acontece devido a pressões do próprio mercado e até pela falta de autoconhecimento dos profissionais. “Quando estão envolvidos em projetos interessantes e têm a chance de prosperar na área em que atuam é muito difícil que consigam avaliar que esse próximo passo não vai ao encontro de suas vontades mais legítimas”, complementa ele.
Segundo Feitoza, a sensação de insatisfação dos executivos quanto aos rumos de suas carreiras só é percebida quando esses profissionais atingem certa maturidade e passam a analisar as escolhas feitas ao longo da vida. “No entanto, mesmo que não seja fácil, é possível voltar atrás e conseguir uma posição técnica tão bem remunerada e reconhecida como o cargo de gestor”, garante o consultor.
Ele ressalta que, para tanto, o executivo precisa passar por um processo de recolocação profissional e estar disposto a aceitar propostas iniciais com salário inferior ao pago para um CIO.
“Além disso, e até mais importante, o profissional precisa estar atualizado quanto às tendências do segmento", afirma Feitoza, que analisa: "Depois que se mostrar um especialista, certamente conseguirá atingir o mesmo patamar financeiro que ocupava como executivo.”
Para concluir, o consultor defende que quanto antes o profissional conhecer suas reais aspirações, mais rapidamente atingirá seus objetivos. Para chegar a essa decisão, ele dá as seguintes dicas:
• Preste atenção aos feedbacks: tanto para a vida profissional quanto pessoal, ouvir opinião dos outros é muito importante e pode revelar faces da nossa própria personalidade que não enxergamos ou tentamos, inconscientemente, esconder;
• Lembre-se de seus sonhos de juventude: faça esse exercício e tente adequar seus antigos anseios às suas atuais necessidades e angústias;
• Compare seus objetivos individuais com os da empresa na qual está inserido: e descubra se ambos estão trabalhando na mesma direção. Assim é possível mensurar se o problema profissional é com a companhia em si ou, realmente, com a função desempenhada;
• Busque o autoconhecimento: por meio de coaching, terapia, ou qualquer outro meio, esse é a única forma de conhecer seus reais objetivos.
Compartilhe: