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Carreira

O que fazer depois de escalar os Everests do mundo corporativo? A diferença

Você trocaria de emprego, ainda que fosse para ser o CEO dessa empresa que enfrenta grandes problemas?

Marcelo Mariaca *

Publicada em 09 de agosto de 2012 às 09h46

Imagine que você trabalhe numa das empresas mais admiradas e mais valiosas do mundo, num cargo de alta direção, com polpudos salários e benefícios irresistíveis. E, além de tudo, você seja um profissional com excelente reputação, cobiçado no mercado, com visibilidade nos meios de comunicação e invejado por seus pares.

De repente você recebe uma proposta trabalho de um concorrente com menor poder de fogo, com o faturamento em queda e um ambiente volátil e incerto para os executivos, às voltas com uma grande batalha para se reerguer num mercado altamente competitivo. Você trocaria de emprego, ainda que fosse para ser o CEO dessa empresa que enfrenta grandes problemas? O que o motivaria a deixar um emprego dos sonhos de milhões de pessoas para encarar novos desafios e incertezas?

Para a maioria dos executivos, esse é de fato um grande dilema, talvez o maior de suas carreiras. Por isso, não deixou de causar surpresa a notícia de que a poderosa Marissa Mayer, vice-presidente do Google, tinha trocado o cobiçado posto para ser CEO do Yahoo, também uma organização admirada, mas em situação delicada nos últimos anos. Para se ter uma ideia do tamanho do desafio, Marissa é a sexta profissional a ocupar o principal posto da empresa de tecnologia em apenas cinco anos.

Pelo que foi publicado, não foi dinheiro o que moveu a executiva a trocar de empresa – além das altas remunerações que recebeu ao longo de sua carreira, ela é casada com um milionário investidor em startups. Grávida, está preocupada com a qualidade de vida, e fez algumas exigências ao novo empregador, prontamente aceitas. Mas certamente teria conseguido as mesmas condições no Google, considerada uma das empresas mais flexíveis e uma das melhores organizações onde se trabalhar.

Pelo histórico da executiva, tudo leva a crer não foi a vaidade de ostentar o título de CEO que a fez mudar de emprego, mesmo levando-se em consideração que esse cargo no Google talvez estivesse provavelmente fora de seu alcance.

Jovem, ousada e bem-sucedida, a nova CEO do Yahoo pertence a uma linhagem de executivos que não se contentam com as conquistas que já acumularam e estão sempre em busca de novos desafios, novas missões por cumprir e novas façanhas por realizar.

Sim, existem esses executivos que, depois de escalar os Everests do mundo corporativo, se dispõem a galgar outras montanhas menos emblemáticas, mas igualmente desafiadoras.

Alguns executivos têm uma forte autoconfiança, o que os leva a aceitar o desafio de recuperar empresas, tirá-las da inércia, torná-las relevantes e até coloca-las no topo , mesmo recebendo as mesmas recompensas que obteriam no comando de organizações maiores e com posição consolidada no mercado.

Esses podem se enquadrar na classificação de apaixonados pelo que fazem e visionários que não temem os riscos e acreditam que podem fazer a diferença e mudar, se não o mundo, pelo menos a vida de milhões de usuários ou consumidores. Essa é aposta do Yahoo, que foi buscar uma executiva que para quem o céu é o limite.

(*) Marcelo Mariaca é presidente do conselho de sócios da Mariaca e professor da Brazilian Business School



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