
Os CIOs enfrentam paradoxos no seu cotidiano que acabam frustrando as expectativas da organização em relação a seu papel e afetam diretamente sua performance. Uma das batalhas que esses gestores enfrentam hoje está relacionada à dificuldade de educar os executivos sobre o papel da TI dentro da organização.
“Todos na companhia podem dizer em uma frase o que faz o CEO”, afirma o CIO da CPS Energy – distribuidora de gás natural e de energia elétrica que atua nos Estados Unidos –, Christopher Barron. “Mas quantos dos meus pares podem descrever sucintamente o que eu faço? Se os outros executivos não entendem minha atuação, não podem me respeitar”, acrescenta o executivo.
Barron conta ainda que acaba de concluir um MBA e durante todo o curso teve muitas matérias sobre finanças, contabilidade e marketing, mas quase nenhum conteúdo relacionado à tecnologia. “E apesar da TI ser um elemento cada vez mais vital para o sucesso de muitas companhias, poucos líderes de negócio sabem algo realmente importante sobre o tema”, analisa o executivo. O resultado é que as diversas áreas da organização não conseguem ter as expectativas adequadas de como a tecnologia pode solucionar os problemas e trazer contribuições reais para a organização.
Muitos dos CIOs reclamam ainda que esse desafio de educar os gestores torna-se particularmente importante quando o assunto é governança de TI. Isso porque, as empresas até têm políticas adequadas, mas poucos profissionais de negócio conseguem entender para o que as regras servem. Na visão do CIO da corretora de seguros New York Life International, Tom Burke, isso exige que os gestores de TI estejam melhor preparados para educar seus pares de outros departamentos a respeito das bases da política de governança.
Para o CIO da companhia de energia elétrica Austin Energy, Andres Carvallo, uma das saídas para diminuir a distância entre a TI e os demais departamentos está em posicionar-se como um provedor de serviços. Isso exige, no entanto, que os gestores de tecnologia abram mão dos seus egos na hora de discutir os orçamentos e os projetos que serão conduzidos por seu departamento, uma vez que a decisão passa a ser das áreas que demandaram o projeto.
Além disso, em muitos casos, os gestores de TI precisarão dar um passo atrás. E, em vez de se preocuparem em ocupar uma cadeira no board, terão de analisar melhor o quanto sua área pode trazer de resultados reais para a organização. “Dez anos atrás, começamos um movimento para tirar o CIO da sala dos fundos e colocá-lo na frente e, na maioria dos casos, fomos bem-sucedidos. Agora, esses profissionais deveriam estar discutindo como eles podem gerar receitas nessa nova posição e não ficarem preocupados em contar quantos deles estão sentados no board”, analisa o CIO da corretora de valores Newedge Group, Stephen Davy.
Em outras palavras, enquanto as discussões estão hoje concentradas nos paradoxos do CIO, o mercado obriga que esses profissionais busquem saídas concretas. Ou seja, eles precisam estar preocupados em desenvolver e implementar ferramentas que eduquem a organização, devem aprender a vender a governança como um benefício para os acionistas e, principalmente, têm de estar preparados para justificar como podem trazer mais resultados para a organização.
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