
Apesar da crise no Brasil não ter apresentado efeitos tão negativos quanto em outros países, a movimentação de CIOs no País foi intensa em 2009. “Nunca vi um turnover (rotatividade) tão alto dos líderes de TI desde a época em que o mercado estava super aquecido”, afirma Ione Coco, vice-presidente do programa executivo da consultoria Gartner para América Latina.
De acordo com a especialista, essa foi uma realidade percebida em cerca de 30% das empresas e resulta de dois fatores: alta expectativa das organizações em relação ao desempenho do profissional e insatisfação do CIO quanto aos rumos da companhia. “Por um lado, as empresas acham que os executivos deixaram a desejar, por outro, muitos profissionais com perfil voltado à inovação ficaram incomodados com a forte pressão por redução de gastos”, analisa.
Para Ione, os cortes no orçamento de TI refletiram em uma mudança de exigências das empresas em relação ao comportamento dos gestores da área de tecnologia da informação. Ou seja, precisam equilibrar o fator custos e estratégias de expansão, um verdadeiro paradoxo.
Ione destaca ainda a importância do líder de TI acumular experiência em outras áreas, a exemplo de negócios e RH (Recursos Humanos). Na sua visão, essa é a melhor forma do profissional adquirir habilidades como lidar com equipes e negociar contratos com fornecedores. “Os departamentos de TI estão mais enxutos e os gestores não têm mais em sua formação o perfil técnico", aponta, acrescentando: "Aliás, o melhor técnico sempre acaba sendo o pior gestor”.
A executiva aponta também outro aspecto que o Gartner listou como uma das decisões cruciais que os CIOs devem tomar no pós-crise, a contratação de um CFO (chief financial officer) para a área de tecnologia. “Eles podem ser peça-chave na negociação com fornecedores e terceiros”, diz Ione.
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