A maioria das pessoas associa o nome de Peter Drucker a um visionário no mundo dos negócios. E há boas razões para isso. Drucker, que comemoraria seu 100º aniversário no próximo mês, se estivesse vivo, foi um dos mais famosos professores e especialistas em gestão empresarial, aconselhando algumas das maiores e mais poderosas companhias do mundo – incluindo General Eletric, Procter & Gamble e IBM.
Ele também ganhou notoriedade por conta do seu trabalho como escritor. Ao todo, Drucker publicou 39 livros relacionados à gestão e escreveu uma coluna, durante 20 anos, no jornal norte-americano The Wall Street Journal.
Se não há dúvidas sobre o impacto que o especialista teve para o mundo dos negócios, poucas pessoas sabem que Drucker, conhecido como o pai da gestão moderna, era um estudioso da auto-gestão e do desenvolvimento profissional, de acordo com o autor do livro Living in More Than One World: How Peter Drucker´s Wisdom Can Inspire and Transform Your Life (Vivendo Em Mais De Um Mundo: Como a Sabedoria de Peter Drucker Pode Inspirar e Transformar Sua Vida) – o qual ainda não foi lançado no Brasil –, Bruce Rosenstein.
Rosenstein, que ganhou notoriedade no passado por seus livros na área de negócios, tem pesquisado o trabalho de Drucker desde 1986. Um dos seus feitos foi entrevistar o guru pessoalmente, sete meses antes de sua morte, em novembro de 2005.
“Nós podemos aprender muito sobre auto-desenvolvimento com o que ele (Drucker) dizia e em como ele vivia”, pontua Rosenstein, durante entrevista à CIO e na qual apontou como os profissionais de TI podem aproveitar os conhecimentos do pai da gestão moderna no atual momento de mercado.
CIO – Como foi seu relacionamento com Peter Drucker?
Bruce Rosenstein – A primeira vez que eu o encontrei pessoalmente foi em uma entrevista em 2002, na cidade de Los Angeles (Estados Unidos). Mas já tínhamos nos falado antes diversas vezes, por fax.
No final da vida, Drucker ficou muito doente e preferia fazer as entrevistas por fax, em vez de usar o telefone.
CIO – Ele chegou a utilizar o e-mail alguma vez?
Rosenstein – Eu não acredito. Pelo que sei, ele nunca foi um usuário de computador. É possível que, em alguns casos, ele possa até ter usado o e-mail. Mas a esposa dele, Doris, deve ter enviado a mensagem.
Apesar dele até ter uma conta de e-mail, sempre me pediu para enviar as perguntas das nossas entrevistas por fax.
CIO – Não é irônico que um homem que escreveu de forma tão eloquente sobre o uso da tecnologia da informação para transformar as empresas nunca tenha usado o e-mail?
Rosenstein – Eu atribuo isso à idade dele, mas isso é apenas minha opinião. Ele sabia muito sobre tecnologia e conhecia diversas pessoas ligadas a esse mercado. Assim, não acredito que tinha uma aversão ao e-mail. Penso que era só a forma dele fazer as coisas e que ele preferiu não mudar.
CIO – Qual o grande equívoco que as pessoas cometem quando falam de Peter Drucker?
Rosenstein – Eu diria que o maior equívoco é achar que ele só foi um escritor de livros relacionados à gestão, por conta da sua presença constante nas prateleiras das livrarias. Ele representou muito mais do que isso.
Eu descubro que muitas pessoas já ouviram falar dele, mas nem sabem que morreu.
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