
Além dos desafios enfrentados na gestão dos projetos que envolvem a área de TI, os CIOs encaram, hoje, um momento de ruptura em relação ao papel dos líderes de tecnologia nas estruturas organizacionais. Entre as diferentes orientações recebidas pelo board das companhias, esses profissionais são bombardeados por conselhos de “gurus” do mercado, os quais ora afirmam que o executivo de TI deve ter formação técnica e, em outros momentos, defendem que gestores capacitados na área de negócio e que fiquem longe dos bits e bytes.
De acordo com o CTO e consultor estratégico da consultoria norte-americana Diamond Management & Technology Consultants - que atua área de TI, negócios e inovação -, Chris Curran, mais do que tentar desvendar o perfil do CIO do futuro, esses profissionais devem identificar quais são seus próprios estilos de atuação e buscar empresas que vivam momentos em que essas competências são valorizadas. “Em um estudo, avaliamos o papel de 456 líderes da área de tecnologia da informação de todo o mundo e descobrimos que há três tipos de profissionais: os estratégicos, os agentes de mudança e os operacionais”, afirma ele.
Curran defende que a chave para o sucesso da carreira de um gestor de tecnologia é saber em qual categoria ele se enquadra e buscar companhias que o valorizem. “Existe uma lacuna entre o estilo de um executivo e as competências necessárias momentaneamente nas organizações”, diz o consultor.
Ele explica que CIOs mais voltados ao pensamento estratégico são boas opções para empresas que estejam vivendo momentos de redefinição. Ou seja, esse perfil de executivo deve buscar organizações interessadas em expandir operações ou, simplesmente, que queiram encontrar novas maneiras de se relacionar com os clientes, de tratar as informações corporativas ou de enxergar a área de TI.
O CTO explica que, depois de tomadas todas as decisões estratégicas de reposicionamento de marca ou de mudança estrutural, a mesma empresa irá precisar de um CIO voltado direcionar as equipes para o novo. “Será necessário um profissional que tenha energia e muita capacidade de comunicação para trazer as modificações gerais à realidade dos departamentos sem nenhum ruído”, informa Curran, que complementa: “Nessa hora, o ideal é contar com um gestor que seja agente de mudanças.”
Uma vez que as alterações foram incorporadas à cultura corporativa, o componente operacional torna-se prioridade novamente e o CEO buscará alguém que realmente entenda a parte técnica da tecnologia e em quem possa confiar para desenvolver políticas de segurança de dados, redução de custos, aumento da produtividade, entre outras.
Segundo Curran, a intenção do estudo não é desestimular CIOs ou dizer que é impossível que eles construam uma carreira sólida em determinada empresa. “A ideia é abrir os olhos dos gestores de TI para a realidade de que há espaço para todos no mercado e que a empregabilidade depende do momento vivenciado pelas companhias”, conclui ele.
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