Apesar da necessidade de atuar por meio de uma visão cada vez mais voltada ao negócio, o CIO precisa estar habilitado para resolver questões técnicas da companhia. Esta afirmação, baseada em uma pesquisa realizada pelo diretor de tecnologia da informação da Halliburton no Brasil, Etienne Vreus, norteou norteou o debate do CIO Perspectives Conference.
O estudo - realizado com 111 gestores de TI de empresas brasileiras com faturamento acima de R$ 250 milhões - consultou CIOs que estão há mais de cinco anos na posição. E, a partir de entrevistas, o levantamento mapeou sete competências críticas para esses executivos: visão de negócios, suporte ao negócio, capacidade técnica e de influenciar a organização, networking, gestão e operação de TI e percepção da área na busca pela inovação corporativa.
Segundo Vreuls, o escopo dessas sete competências pode ser utilizado tanto pelos próprios gestores de tecnologia, com o intuito de avaliar sua atuação, como no processo de seleção e recrutamento de novos líderes. “No entanto, mesmo que pertinente a todos os profissionais de TI, a utilização desse padrão pode e deve ser adaptada de acordo com a empresa e o mercado na qual está inserida”, explica ele.
Para Marcos Pelaez, CIO da Natura, na maior parte das empresas o líder de TI não pode deixar de lado as questões operacionais para focar apenas em iniciativas estratégicas. “O nosso papel é, sem dúvidas, manter a operação funcionando normalmente, uma vez que se isso não acontece cria-se uma situação de contingência geral”, afirma o executivo.
Pelaez complementa dizendo que se o gestor passar muito tempo “apagando incêndios” de suporte não terá momentos adequados para elaborar estratégias de atuação voltadas ao objetivo primordial do negócio. “Passamos mais horas do nosso dia administrando questões técnicas", diz Pelaez, que acrescenta: "e isso levanta o fato de que quanto mais estruturada operacionalmente for a companhia, mais seu CIO poderá pensar estrategicamente."
Para Fábio Faria, CIO da Votorantim, a necessidade de alinhamento e produtividade em termos técnicos representa uma questão mandatória. “Somente quando a operação está ‘redonda’ conseguimos direcionar nossas energias a questões como a gestão de pessoas e networking interno", avalai Faria, lembrando que esses são temas indispensáveis para conseguir o sucesso de qualquer projeto.
Já Laércio Paiva, CIO do Banco Votorantim, argumenta que, mais cedo ou mais tarde, o gestor de tecnologia vai ser cobrado por sua posição mais estratégica pela área no negócio. “E o CIO deveria antecipar-se e buscar o conhecimento global da estrutura organizacional para sugerir melhorias e não ser taxado apenas como centro de custos”, sentencia o executivo.
Na mesma linha de Paiva, Inacio Fritsch, CIO da Gerdau, aponta que se o gestor não se posicionar como alguém estratégico para a organização, a área de TI tende a ser vista apenas como uma fonte de custos para a companhia. Nesse sentido, Fritsch aconselha que os executivos aproveitem a redução do número de novos projetos - gerada pela crise financeira internacional - para analisar questões internas, como o desempenho das equipes de tecnologia.
“Posso parecer otimista demais, mas creio que essa é uma oportunidade de olharmos para ‘dentro de casa’ e identificarmos o que pode ser melhorado, desafiando colaboradores e‘pondo a cabeça da equipe para funcionar’”, conclui Fritsch.
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