Os acontecimentos que atingiram Wall Street na última segunda-feira (29/09) sinalizaram que as empresas norte-americanas de TI não sairão imunes da crise financeira naquele país, e fora dele. É só observar o que aconteceu com ações como as da Apple, que vinha apresentando um forte desempenho nos trimestres anteriores: as ações da companhia caíram 23%.
Outros gigantes do setor também sentiram os efeitos, embora não com o mesmo impacto. As ações da HP tiveram queda de 3,62%, enquanto as da IBM caíram 5%. Mais que isso, o valor das ações não deve ser a única área em que as companhias de TI devem sentir os efeitos da crise.
Alguns analistas estão alertando o setor sobre a possibilidade de que os investimentos e as prioridades de TI mudem por um trimestre ou dois, ao contrário do que previam há uma semana. Para companhias que já estavam com foco em redução de custos, a queda das bolsas nesta segunda-feira (foi a maior registrada em um único dia na história) “pode representar o triplo em redução”, avalia o analista independente Rob Enderle.
A oferta de vagas no setor de TI também deve sentir os efeitos da crise, principalmente na área de serviços financeiros. Ao anunciar nesta segunda-feira a compra do Wachovia por 2,16 bilhões de dólares, o Citigroup disse esperar uma economia de 3 bilhões de dólares com o ganho de sinergia da consolidação. Segundo analistas, data centers são parte de qualquer processo de virtualização.
O Wachovia não está sozinho. A aquisição do Washington Mutual Bank pelo JPMorgan Chase por 1,9 bilhão de dólares deve representar mudanças para os profissionais de TI da instituição. O Washington terá que migrar para a plataforma tecnológica do Chase, em um processo de integração que deve estar concluído em 2010.
Relacionados entre si, os problemas vividos por estas empresas afetarão todos os níveis de TI, incluindo profissionais autônomos como Mark Balckburn, consultor de TI especializado em Microsoft SQL Server. O profissional passou parte do domingo escrevendo aos congressistas em Washington, pedindo que rejeitassem o pacote de ajuda proposto pelo governo. “O pacote só vai tirar dinheiro dos pobres para dar aos ricos, deixando a conta para os contribuintes. A solução do governo agora é criar futuros impostos”, disse.
Blackburn trabalha na área de TI desde os anos 80 e disse que desde 1998 o valor que recebe por hora – 60 dólares – não muda. Ele explicou que isso não acontece por causa da concorrência com profissionais estrangeiros que utilizam o visto H-1B e pelos processos de terceirização feito por empresas que buscam mão-de-obra mais barata.
Mesmo áreas que continuam aparentemente intocadas, como as vendas de servidores, devem ser afetadas. “É difícil dizer exatamente o que vai acontecer, uma vez que as pessoas fizeram seus planos sem saber o que nós sabemos agora”, disse Jean Bozman, analista da IDC.
Charles King, analista da Pund-IT, vê o mercado de TI nos primeiros estágios da redução de vendas. Isso pode representar dificuldades para fornecedores que queriam oferecer novos produtos, como o Microsoft Windows Server 2008, para companhias que estejam buscando formas de cortar ou reduzir gastos. “A menos que o negócio prove que é absolutamente crítico ter estes produtos para ampliar resultados ou economizar dinheiro, eu acredito que as empresas vão cortar investimentos o máximo que puderem”, afirmou.
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