“Você verá títulos como ‘arquiteto de soluções e ‘arquiteto de produto’, que transmitem envolvimento em fornecer o produto ou o serviço a um comprador, em vez de títulos como ‘engenheiro de rede’”, diz McCue, da CSC.
Isso acontece porque “a noção de separação entre TI e operações ficou totalmente indistinta”, avalia Enzo Micali, CIO da TNS North America, que em janeiro acumulou o título e as responsabilidades de vice-presidente executivo de operações na empresa global de pesquisa do consumidor, com 14 mil funcionários.
A TNS não tem programadores de computador, por exemplo. “Todo mundo é arquiteto ou engenheiro – alguém que precisa ter profunda capacidade tecnológica para automatizar um processo de negócio que conhece igualmente a fundo”, diz Micali.
Trabalhando para a empresa, não para o departamento de TI Na Direct Energy, os títulos de cargos – em especial na organização de TI com 350 funcionários – são propositadamente vagos. “Os títulos são genéricos e as pessoas podem aplicar rótulos descritivos ao que fazem”, explica Kalia.
“Quero que as pessoas pensem nelas mesmas como indivíduos que trabalham para esta empresa, não para o departamento de TI desta empresa”, diz. “Temos uma empresa de abastecimento de energia para gerir. Esse é o nosso negócio e queremos executá-lo com a maior eficiência possível. Não importa, realmente, qual é o cargo de TI.”
Da mesma forma, a Xcel Energy, companhia de energia elétrica e gás natural de 10 bilhões de dólares, está experimentando tornar alguns papéis e responsabilidades de TI tradicionais menos estruturados para não inibir a inovação.
“Para iniciar, estamos usando nosso grupo de análise de negócio”, conta o CIO Mike Carlson. “Estamos à procura de pessoas que sejam insaciavelmente curiosas em relação a obter uma resposta para um problema. É quase uma mentalidade de hacker. São pessoas que ficam analisando dados e procurando relações e dados que suportem hipóteses”, diz.
A empresa dá um papel indefinido a estes funcionários e designa um tema no qual trabalhar. “O CFO diz que deveria haver mais dinheiro na conta e pergunta por que não há”, exemplifica Carlson. “Então eles viram os dados do avesso e depois os recompõem para oferecer uma resposta”, afirma.
Não é obrigatório ter um diploma de faculdade para ocupar estes postos, segundo Carlson. O que conta é a curiosidade. A Xcel recorreu a um psicólogo industrial para ajudar a identificar potenciais funcionários com a curiosidade e o empenho necessários para vasculhar dados e descobrir informações que possam ser usadas para cortar custos, aumentar a eficiência e gerar receita.
O fator principal por trás desta estratégia é um volume de dados esmagador. “Temos toneladas e toneladas de dados e precisamos transformá-los em um produto útil”, revela Carlson. “É absolutamente fundamental colocar os dados em um contexto de negócio”, diz.
Agora em seu terceiro ano, esta estratégia organizacional e de contratação de TI tem uma taxa de sucesso de 60%. Não é para todos. “Algumas pessoas ficaram extremamente infelizes” no ambiente menos estruturado, reconhece Carlson.