Publicidade

Carreira

CIO tipo exportação

Executivos brasileiros de TI que trabalham no exterior dividem experiências e dão dicas para quem pretende seguir o mesmo caminho

Thais Aline Cerioni

Publicada em 18 de fevereiro de 2008 às 11h58

Um país distante, uma cultura totalmente desconhecida, novos costumes, uma nova língua. Se tantas novidades causam ansiedade até mesmo às vésperas de uma curta viagem de férias, não é difícil imaginar o turbilhão de sentimentos que invade quem é convidado a trabalhar fora de sua terra natal. A cada dia mais líderes de TI brasileiros passam por esse momento. Ao mesmo tempo em que o País consolida-se como um exportador de serviços e de profissionais na área de tecnologia, o mundo, como diria Thomas Friedman, torna-se cada vez mais plano, fazendo com que as empresas busquem profissionais competentes onde quer que eles estejam.

O frio na barriga que segue o convite é inevitável - e explicado pela ciência como uma reação cerebral à necessidade de se enfrentar situações diferentes das quais estamos acostumados -, mas é também inevitável aceitar a chance de ampliar seus horizontes profissionais (e pessoais), abraçando a mudança como uma enorme oportunidade. "No campo profissional é um passo que vem tornando-se comum devido às organizações serem cada vez mais globais. Uma expatriação, ou mesmo uma longa viagem, pode atender à necessidade da passar conhecimento técnico ou gerencial de algum lugar para outro. Por isso, todo profissional deve aceitar este desafio", ensina Fernando Birman, ex-CIO da Rhodia Brasil e, atualmente, diretor de estratégia e customer relationship management da companhia, baseado em Lyon, na França.

Vivendo na Europa desde o começo de 2007, Birman já estava em uma posição global desde o ano anterior, devido, principalmente, à forma de organização da área de TI da corporação. "Na Rhodia, extinguimos o conceito geográfico de TI. Não existe uma área de tecnologia do Brasil, uma dos EUA e outra da China, por exemplo. Cada equipe mundial (Infra-estrutura, BI, ERP etc.) tem pessoas espalhadas pelo mundo as quais trabalham nos mesmos projetos", explica o executivo.

Longe de casa, ele não está sozinho. Augusto Cruz, da Whirpool; Jairo Silva, da Nokia Siemens Networks, e Murillo Zamora, da DuPont, são apenas alguns outros exemplos entre as dezenas de executivos brasileiros expatriados. "Vejo [o trabalho no exterior] como uma chance de aprender e aplicar o que já aprendi. Além disso, a mudança traz desafios e motivação para superá-los", avalia Cruz, atualmente diretor de sistemas de informação para a área de entrega de projetos da Whirpool, nos Estados Unidos.

Além do ânimo extra trazido pelo desafio, conhecer e vivenciar outras realidades consistem em outros dos pontos positivos da mudança. "O lado bom é a possibilidade de aprender novas culturas", diz o CIO da DuPont Safety Resource, Murillo Zamora. Na DuPont há 24 anos, esta já é a segunda estada do executivo nos Estados Unidos. "Fui transferido em julho de 1997 e fiquei por lá até julho de 2000. Depois, em outubro de 2003, fui transferido novamente", detalha.

A pluralidade cultural também é apontada por Jairo Silva, vice-presidente mundial responsável pelos centros de operação de redes de telecom, como uma das grandes realizações durante períodos de trabalho no exterior. Devido à sua posição, além de ter de lidar com as diferenças culturais em relação aos alemães, já que está sediado em Munique; ele tem de lidar com profissionais portugueses e indianos, já que os dois centros de operação estão localizados em Portugal e na Índia. "As diferenças são muito grandes. Na Índia, ainda é preciso investir muito nos aspectos gerenciais", aponta o executivo. "Nos últimos 15 dias, estive três vezes na Índia para explicar o que é trabalhar com processos. Hoje, há muita mão-de-obra disponível, a custo baixo e competente, mas sem capacidades gerenciais."

Mesmo assim, Silva garante que as diferenças culturais não são empecilhos para o trabalho. "Há muita diferença entre trabalhar na Europa e no Brasil. Europeu não trabalha 14, 15 horas como os brasileiros, somos 'pau pra toda obra'", compara. "Mas, na hora que eles percebem a sua experiência, aceitam muito mais, independente da sua origem. Acredito que eles são mais relutantes frente a um chefe muito novo que diante de um estrangeiro", comenta. Cruz, da Whirpool, vê situação semelhante para os expatriados nos Estados Unidos. Em sua opinião, a transferência é comparável a uma mudança de emprego. "Apesar de conhecerem seu histórico profissional, o espaço e o respeito devem ser conquistados novamente", avalia. Para Birman, essas conquistas são diárias. “Integração profissional e social em um outro país é um desafio que precisa ser vencido a cada dia. Quando você cumpre uma parte, está na hora de se alcançar uma outra esfera. É um processo contínuo que só acabaria se algum dia esquecerem que você é um expatriado”, diz.

Se as questões profissionais causam apreensão, é no que tange à vida pessoal que se encontram os principais desafios durante os processos de expatriação. Para quem está fora, é consenso dizer que a maior preocupação é a adaptação dos familiares. "Para a família, as mudanças e desafios são grandes, já que envolvem escola, língua e amigos novos. A esposa(o) que tem uma vida profissional no país de origem, por sua vez, é a parte mais impactada", comenta Zamora. 

Leia também oito dicas para uma adaptação suave

Opinião do leitor
Não há comentários para essa notícia
Seja o primeiro a comentar
Reportagens mais lidas