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Carreira

Sete atitudes que matam a inovação

Aprenda com os erros mais comuns e descubra se você ou sua companhia lidam corretamente com boas idéias

Diann Daniel

Publicada em 02 de agosto de 2007 às 12h51

A inovação deve ser um requisito óbvio dos negócios, mas muitas companhias erram ao apostar numa cultura onde a chance de uma boa idéia, repleta de oportunidades, ser implantada é quase nula, mais difícil do que ganhar na loteria. O que leva a isso?
Para principiantes, o processo criativo pode ser frágil e requer suporte e cuidado. Isto pode ser pensado em termos de um mercado competitivo e em constante mudança de tecnologias, o que também faz da inovação algo essencial.
Confira a lista de "assassinos" da inovação, e veja se você ou sua empresa estão fazendo uso deles:    

1 – Esperar que a inovação caia do céu
Crer que a inovação vai surgir por si só, do nada, é o mesmo que acreditar que uma plantação de vegetais irá, simplesmente, surgir no seu quintal um dia. Inovação requer investimento de tempo e dinheiro, e isto pede um processo para suportar a iniciativa, defende Thomas Koulopoulos, fundador da consultoria de inovação Delphi Group. Como uma plantação, que é frágil e pede tempo para se desenvolver, o processo de inovação pede um lugar para as sementes (ou idéias) amadurecerem. Isto ainda requer bom tempo, proteção contra os predadores e muitos cuidados.
A atenção à inovação é uma necessidade no mundo de hoje, diz Koulopoulos. Até mesmo nas indústrias onde os limites não são bem definidos – como na manufatura e na terceirização – a inovação é fundamental.
"Aí está a ironia", ele diz. "Eu me preocupo em não correr grandes riscos, mas, ao mesmo tempo, isso significa que, em algum lugar do globo, eu posso estar sendo ultrapassado". Como exemplo de quão vulnerável você pode ser ao se proteger dos riscos, ele cita a indústria automobilística americana, em verdadeira batalha contra a concorrência estrangeira. Agora os players entendem a necessidade da inovação.  

2 – Guardar as idéias "para um dia"
Ótimas idéias são as sementes para a inovação e não a inovação em si mesma. "Todos têm uma idéia para um livro em mente. Mas existe um hiato enorme entre o que está na cabeça e o processo de trabalho para escrevê-lo".
Invenções ou inovações são erroneamente consideradas sinônimos de idéias. Você precisa entender a diferença e saber como usá-las. Koulopoulos ressalta que as companhias inovadoras devem ter uma visão holística e criar uma cultura para implementar idéias. Um processo para suportar inovações deve ser criado, implementado e comunicado. Assim, todos saberão como ele funciona e estarão prontos a participar.     

3 – Deixar a inovação só a cargo da TI
A tecnologia deve suportar a inovação, não liderá-la. Isto porque a inovação é, primeiramente, uma obrigação da cultura corporativa, que pede coisas como retorno, inspiração e motivação. Em qualquer situação, você tem duas atividades – a invenção e a inovação ou o processo atual. Koulopoulos desenha uma linha entre as duas situações e afirma que TI entra numa segunda etapa: ela deve estar envolvida na implementação de ferramentas que melhor suportem o processo de inovação. Como bons exemplos de inovação nos negócios com o uso da tecnologia, ele cita o iBank e o Brightidea.com.

4 – Criar obstáculos ao surgimento de idéias
Uma maneira certa de matar o espírito inovador? Basta inspirar-se no livro "O Processo", de Kafka ou numa típica repartição pública. Burocracia e processos bizantinos desencorajam, tiram o entusiasmo. Quando as idéias dos funcionários são tratadas com desrespeito ou o processo é confuso e difícil, o entusiasmo vai morrendo. Isto é exatamente o que Koulopoulos descobriu quando entrevistou 374 executivos seniores de TI, dos quais 22% disseram ter perdido o interesse em implantar idéias por conta de processos internos burocráticos. 

5 – Olhar o diferente e o novo como ruim
"É o maior erro das grandes empresas", diz. "Quando você está ganhando, a última coisa que quer é que aconteçam mudanças". Mas, não estar aberto às mudanças é um grande erro. É como recusar anunciar na internet e preferir anunciar no jornal impresso. Você deve responder às mudanças e às necessidades de inovação. Certamente, a resistência interna é difícil de superar, mas poucas companhias têm condições de viver do passado. O mundo de hoje pede companhias que se transformam, como a Gillette, que está contratando gente jovem e focando em novidades por uma simples razão: se ela não fizer, alguém vai fazer.

6 – Não ligue se a idéia não for econômica e legalmente viável
Idéias são frágeis, facilmente quebráveis. Então, dê o devido cuidado para as idéias no que diz respeito à sua legalidade e contabilidade. A idéia faz sentido econômica e legalmente? Aqueles que têm maior intimidade com o processo de adoção de idéias são os mesmos que, mais facilmente, terão as suas próprias sugestões colocadas em prática. Este incentivo a participar deve vir do alto escalão da empresa, recomenda Koulopoulos.

7 – Tenha muito, mas muito medo de fracassar
Na pesquisa com CIOs, 25% dos entrevistados revelaram ser o medo de falhar uma das razões para que uma cultura de inovação não fosse criada na empresa. Como não se pode antever com 100% de certeza no que dará a implantação de uma nova idéia, os riscos existem e assustam. Mas a verdade é que, sim, você falhará algumas vezes. Como uma criança que aprende a andar de bicicleta, você simplesmente não conseguirá se mover se não ousar cair. A pergunta é: você está numa organização que irá tolerar as falhas em nome da inovação? E você mesmo? É ousado o suficiente?

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