Publicidade

Carreira

Como lapidar seu diamante

Monge que fez milhões vendendo pedras preciosas revela como os ensinamentos budistas podem ajudar nos negócios

Cláudia Zucare Boscoli

Publicada em 28 de março de 2007 às 20h22

Fazer 200 milhões de dólares com a venda de diamantes é possível, mas torna-se inimaginável quando o vendedor em questão é alguém que, segundo suas próprias palavras, não gosta de trabalhar, não liga para dinheiro e não entende nada de negócios, muito menos de pedras preciosas. No entanto, o monge Michael Roach, seguidor do budismo tibetano e autor do livro “O lapidador de diamantes”, foi capaz desta proeza.
Roach passou 20 anos num monastério para alcançar o título de geishe (correspondente a doutor em teologia). Conta que, depois desse tempo, foi chamado por seu lama para decidir o que faria da vida. “Literalmente, ele me mandou trabalhar. E só. Não disse no que, só que eu deveria trabalhar. Eu ainda tentei postergar, mas lama é lama e a gente obedece”. Rindo da própria história, ele conta que se revoltava com a ordem superior: “Eu escolhi ser monge, não queria nada com trabalhos convencionais, só espirituais. Quem me pagaria para meditar?”. Num sonho, teve a resposta: deveria negociar diamantes. E saiu em busca de todas as empresas nova-iorquinas que mexiam com pedras preciosas. “É pior do que entrar na máfia. É um mercado totalmente familiar porque você tem que confiar 100% em quem trabalha na equipe. Caso contrário, as pedras somem uma a uma”, explica.
Depois de muitos “nãos”, encontrou um empresário novo no setor que lhe deu ouvidos. “Disse que, se tivesse uma chance, poderia dobrar seus lucros anualmente com a força do meu karma. Acho que ele me achou um tipo curioso e topou. Fiquei por um ano lavando chão e janelas até que os lucros realmente dobraram e ele me promoveu”. Sua missão passou a ser trazer da Índia quilates e mais quilates de diamantes. Numa das viagens, entendeu errado o pedido e comprou diamantes amarelos ao invés de brancos. “O chefe ficou louco. O que ele iria fazer com aquilo? Pois eu não tive dúvidas. Peguei as pedras, mandei fazer anéis e vendi tudo no mesmo dia na Quinta Avenida”. A moral da história? A gente planta o que colhe.
“Tudo na vida depende do karma. O mundo exterior de cada um é reflexo do seu interior. Se eu ajudo hoje, serei ajudado amanhã. Se sou gentil, receberei gentilezas. Se penso positivo, minha vida tende a ser mais fácil”, ensina. E exemplifica a lição com a metáfora do copo com água pela metade: “Será que ele está ‘meio cheio’ ou ‘meio vazio’? Os que tendem a brecar frente aos problemas impostos pela vida responderão que está ‘meio vazio’”.
No mundo dos negócios e em todas as transações que envolvam dinheiro, explica, esse princípio positivista deve ser aplicado com a mentalização de que todo valor entregue voltará multiplicado. Ele garante que a ação dá resultados e que não será demonstração de apego. “Egoísmo seria querer tirar do outro, privar alguém do mesmo. Você deseja que o dinheiro se multiplique, faça o bem, leve conforto e que, um dia, volte à sua mão”. Em tempo: Roach não trabalha mais com diamantes e se dedica unicamente aos estudos do budismo e da ioga, sendo fundador de vários grupos e universidades pelo mundo.

Ensinamentos que valem reflexão no mundo dos negócios:
• Não tema o novo: “O resultado de todas as ações se multiplica. Se você nunca comete uma ação, nunca terá um resultado”.
• Reconheça o valor da equipe: “Se você deseja autoridade, deve deleitar-se com o bom trabalho”.
• Pense positivo: “Existem dois tipos de obstáculos que podem nos impedir de alcançar nosso objetivo. O nosso velho karma ruim e nossas emoções negativas”.
• Não impeça o desenvolvimento alheio: “Entenda que, gerando um karma negativo, você prejudica seus próprios objetivos e os de outros”.
• Aja corretamente por princípio, não por interesse: “É especialmente importante sentir-se feliz, mas sem nenhuma sensação ilusória de orgulho sobre a bondade que você mesmo realizou”.

TI em Foco

Ferramentas Analíticas

As informações não param de chegar. Como tomar as melhores decisões?

Clique para assistir CIO IBM
Reportagens mais lidas

Acesse a comunidade da CIO

LinkedIn
A partir da comunidade no LinkedIn, a CIO promove a troca de informações entre os líderes de TI. Acesse aqui