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Carreira

Domine a etiqueta secreta do golfe

Publicada em 07 de dezembro de 2006 às 19h38

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Todos os especialistas em golfe executivo, sem exceção, desaconselham que se perca o jogo de propósito para cair nas boas graças do chefe. “Se você for pego cedendo o jogo, será mais constrangedor para si mesmo e prejudicial à sua carreira”, observa Bill Storer, presidente da Business Golf Strategies, empresa que promove encontros e seminários para executivos. “Você tem que estar preocupado com o que seu CEO está pensando o tempo todo.” Além disso, acrescenta Storer, se você for um ótimo jogador de golfe, mais pessoas vão querer jogar com você e vê-lo ganhar — contanto que seja humilde em relação a isso.
A humildade é um ponto observado também por Antunes, da Klabin, não só em relação às vitórias, mas também em relação aos adversários e ao caddie. “Sempre observo como a pessoa trata o caddie”, conta. “Além de, claro, perceber sua reação às pressões, ao sucesso e ao fracasso e comportamento nos momentos decisivos.”

Se você trapaceia, é um trapaceiro
Tudo bem se você exagerar ou subestimar suas habilidades no golfe, mas trapacear é errado. Muitos jogadores de golfe experientes têm uma percepção de quantas tacadas você deu por buraco e são capazes de detectar um mentiroso logo no começo. “As pessoas acham que estão sendo sutis em relação à trapaça”, diz Guzman. E trapacear pode ser um indício de como elas vão se comportar em outras circunstâncias. “Já descobri, no campo de golfe, pessoas com que passei a conviver e fazer negócios. Ao mesmo tempo, já joguei com pessoas com quem decidi que não iria mais me relacionar”, relembra Açakura.
Os CIOs que testemunharem uma trapaça de um membro de seu grupo não devem hesitar em apontá-la para os outros, contanto que este grupo seja formado por pessoas com o mesmo nível profissional. Entretanto, os CIOs devem pensar duas vezes se o trapaceiro em seu meio for um CEO, CFO ou outro executivo sênior. Trapaça é indicativa de algum grau de desonestidade e os CIOs podem se perguntar até que ponto seus chefes são dignos de confiança.
O tema mais quente no mundo do golfe, hoje, é a tecnologia móvel. Embora alguns clubes de golfe tenham banido o uso do telefone celular no campo, muitos jogadores ainda recebem e fazem ligações entre as tacadas. “Se você encara como uma reunião de negócio, é incrivelmente grosseiro”, diz Woo. Pode ser que você precise dar um telefonema importante, principalmente se está jogando durante o expediente. Neste caso, a melhor solução é avisar outros jogadores no seu grupo que talvez você precise usar seu telefone celular e tentar fazê-lo quando for mais conveniente — no snack bar que costuma estar localizado no nono buraco, por exemplo. Acima de tudo, a boa educação manda desligar o som do telefone celular para que ele não toque em momentos inoportunos, como quando seu CEO está tentando dar um putt para ganhar a partida.
Scott Hicar, CIO da Maxtor, fornecedora de storage, acha outros dispositivos, como os BlackBerrys, igualmente perturbadores. Certa vez, em um torneio beneficente, ele ficou espantado ao ver um parceiro de jogo, um executivo de TI, passar a maior parte do tempo usando o BlackBerry. “Na área do tee, ele ficou apertando botões para mandar e-mails e seus dedos batucavam enquanto estávamos dando tacadas”, conta Hicar. Se você está tão ligado ao seu BlackBerry — e ao escritório — que sentido há em jogar? Seu dia lamentável vai arruinar a experiência de todos os outros.
A chave para o sucesso de qualquer encontro de golfe executivo está nos participantes e em sua disposição de usar o tempo para solidificar amizades e usufruir relações sociais em uma atmosfera relaxada. Mas não presuma que você alcançará o nirvana do negócio simplesmente porque está em um pitoresco campo de golfe às custas da empresa. “Nunca pense ou se comporte como se devessem fazer negócio com você só por causa de um encontro de golfe”, diz Guzman. “Trata-se de um investimento nas suas relações, independente de qualquer resultado comercial imediato.”
Relacionamento é a palavra-chave. O golfe permite que você trabalhe mais seu networking, conheça mais as pessoas, ganhe a confiança e passe a confiar mais em possíveis parceiros. “Graças ao golfe, já estreitei relacionamentos com pessoas de quem já era cliente e também já conheci novos prestadores de serviços. Às vezes, no meio de uma conversa, alguém comenta sobre outra empresa e acaba criando um relacionamento indireto”, diz Antunes.
Mas, se você detesta o jogo, não se incomode com ele só porque você ouviu dizer que negócios são fechados no campo de golfe. O investimento psicológico e o tempo que terá de dedicar a isso são grandes demais. “Você não conseguirá escapar impunemente dizendo que ama se, na verdade, odeia cada minuto”, diz Woo. É por isso que o golfe une homens de negócio como poucos tipos de interação são capazes. As pessoas conhecem os sofrimentos e as vitórias umas das outras.

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1 comentário(s)
golfe e ética
Anderson - 10 Dez 2006, 10h29
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