Você pode ser um grande jogador de golfe. Ou, talvez, seja o expert em atirar pedaços do gramado pelos ares. Uma coisa, porém, é certa: você já jogou ou, pelo menos, já foi convidado para uma partida. Hoje, os encontros de golfe são parte tão integrante da vida empresarial quanto as reuniões do board e as festas de confraternização.
Mas, se quiserem participar, os CIOs têm de estar por dentro das sutilezas do jogo — não necessariamente conhecer as regras ou as técnicas básicas, mas saber se comportar no campo e evitar os pecados capitais condenados pela etiqueta do golfe.
Entre os erros mais chocantes está a mentira. As pessoas mentem sobre seus resultados, mentem sobre seus handicaps, mentem sobre suas mentiras. Também existe a grosseria: movimentar-se enquanto alguém dá a tacada inicial, falar quando outro se prepara para um swing ou projetar sua sombra justamente no alvo de um putt (tacada final). E existem os erros por omissão: não aplainar os obstáculos de areia, não consertar o impacto da bola no green ou não repor a grama retirada por uma tacada no fairway.
Na realidade, aquele campo de golfe tranqüilo pode ser um campo minado, onde a carreira do CIO vai deslanchar ou acabar, se ele acredita — como fazem muitos golfistas — que o esporte revela o verdadeiro caráter de uma pessoa. “O golfe não mente”, sentencia Suzanne Woo, fundadora da BizGolf Dynamics, empresa que ajuda executivos a entender melhor as nuances do jogo. “É uma atividade que coloca você sob pressões e expectativas, e de maneira competitiva”, diz Woo.
Francisco Açakura, CIO da Ripasa, concorda. “Eu uso muito o golfe para conhecer melhor as pessoas”, afirma. “Por ser um esporte com muitas regras e sem juiz, qualquer coisa ilegal que o jogador faça é a sua consciência que vai dizer. O golfe é muito ético.” Persistência, capacidade de concentração, perseverança e otimismo são outras características avaliadas pelo CIO durante uma partida. “O jogador tem de superar todos os desafios impostos pelo campo.”
Nesta panela de pressão, os CIOs precisam estar preparados para todos os tipos de situação, incluindo estratégias para lidar com um CEO trapaceiro, que faz um aceno com a cabeça e pisca um olho para você, ou um fornecedor agressivo, que quer monopolizar a conversa falando de negócio. “Você aprende mais sobre uma pessoa em quatro horas no campo de golfe do que apenas participando de reuniões de negócio”, afirma David Guzman, ex-CIO da Owens & Minor e atual chief research officer do The Yankee Group. “Por mais que você se esforce para se comportar bem, sua verdadeira personalidade vai emergir no campo de golfe.”
Assim, os CIOs também têm de vigiar a si mesmos. Eles são representantes de suas empresas e qualquer comportamento pouco profissional pode prejudicar futuros negócios ou atrapalhar seus planos de carreira. Se você agir como um tolo ou trapacear, a notícia vai se espalhar. E isso não será bom para você ou sua empresa.
A questão mais discutida entre executivos golfistas é se devem ou não falar de negócio. CIOs e especialistas em golfe executivo aconselham que isso seja resolvido por outro membro da sua partida de golfe — seja o profissional de vendas de um fornecedor, o chefe, o maior cliente ou o CEO. “Seu cliente pode usar o campo de golfe para lhe fazer uma pergunta que é muito importante para ele, e é igualmente importante para você não gaguejar”, exemplifica Guzman. Obviamente, os CIOs devem responder, mas a resposta deve ser curta. “Mesmo quando houver esta abertura, não a use para passar um caminhão de negócios através dela”, aconselha Guzman. “Apenas responda e retome imediatamente o clima de camaradagem.”
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